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Candidato presidencial Alckmin propõe reestruturação interna para fortalecer as Relações Internacionais do Brasil

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O ex-governador do Estado de São Paulo e atual candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), participou do evento “Presidenciáveis 20018, Seu País, Sua Decisão”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) em parceria com o Brazil-US Business Council, na última terça-feira (24), na cidade de São Paulo. O evento contou com a presença de jornalistas, empresários brasileiros e estadunidenses, além de outros convidados pela entidade, para conhecer as propostas do presidenciável.

SAO PAULO, SP – 24.07.2018 – ELEIÇÕES 2018 – O presidenciável, Geraldo Alckmin participa do evento Presidenciáveis 2018 promovido pela Camara Americana de Comércio (Amcham) na manhã desta terça-feira (24) na zona sul de São Paulo.
(Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

Alckmin focou em problemas internos que vem acontecendo no país, os quais englobam o tema político, econômico e social, e gera confusão para a compreensão da população brasileira, dificultando ainda mais para os estrangeiros entenderem como funcionam o país, as suas leis, os tributos e quais são os meios de se investir no Brasil. Ele defende que o país deve, primeiro, fazer reformas internas, reestruturar as entidades, organizações e ministérios que cuidam da área econômica brasileira e reformular ou renovar o sistema político, para, de então, dar prioridade ao comércio internacional.

Durante o evento, os membros do conselho administrativo da Amcham entregaram um documento com propostas da entidade para melhorar a competitividade brasileira, documento que defende um dos pilares da Amcham, que é a simplificação tributária. Alckmin concorda que existe a necessidade de rever a carga tributária. Segundo ele, enquanto no Brasil se trabalha com cinco impostos (ICMS, ISS, IPI, PIS, Confins), no resto do mundo se trabalha apenas com um, o IVA (Imposto de Valor Agregado).

Muitos assuntos abordados no decorrer do evento trataram de propostas e soluções para melhorar a produtividade e a competitividade brasileira, além dos novos empresários, das startups e das questões para a promoção do empreendedorismo em nível nacional. O país conta com potenciais criadores, desenvolvedores e pequenos investidores que ainda não têm facilidades na hora de iniciar ou de manter seus empreendimentos, patentear novas descobertas e incentivos de inovação científica. Por essas razões, o presidenciável diz que esses brasileiros devem ter sua importância reconhecida nas políticas públicas e ganhar incentivos para ajudar no crescimento do país. Em suas palavras: “Para isso, temos que fazer todas as reformas. Assim, vamos atrair investimentos e criar um ambiente favorável à atividade empreendedora”. Respondendo aos jornalistas presentes sobre o tema de empreendedorismo, Alckmin falou sobre a baixa poupança do brasileiro e sobre a baixa poupança do País.

SAO PAULO, SP – 24.07.2018 – ELEIÇÕES 2018 – O presidenciável, Geraldo Alckmin participa do evento Presidenciáveis 2018 promovido pela Camara Americana de Comércio (Amcham) na manhã desta terça-feira (24) na zona sul de São Paulo.
(Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

Além de reformas internas para buscar soluções para aumentar a receita e o desenvolvimento do país, o candidato tucano citou alguns caminhos que estão ligados diretamente com as Relações Internacionais do Brasil. Alckmin citou os Blocos econômicos, como o Mercosul, União Europeia, elogiou o BRICS e o Tratado Integral e Progressista de Associação Transpacífico (TPP, na sigla resumida em inglês).

O ex-governador do Estado de São Paulo é a favor da abertura comercial do Brasil com outros países, seja de forma bilateral ou agindo em grupo. Alckmin falou sobre o Mercosul, fez uma crítica sobre o pouco que foi conquistado com o Bloco, a demora com que avançam as negociações entre os membros e a formalização de acordos comerciais com outros Blocos e países.

Segundo afirma, o fortalecimento do Mercosul é uma das alternativas para o desenvolvimento brasileiro e fortalecimento dos países sul-americanos, e, partindo dessa visão, ele vê o grupo de forma positiva, pretendendo trabalhar para seu fortalecimento. Considera as relações entre Mercosul e União Europeia, e com os países asiáticos, como de extrema relevância, por isso não podem ser perdidas por conta da lentidão burocrática e de entendimento dos seus membros.

Alckmin defende a entrada do Brasil no TTP, pois suas ideias e propostas de simplificação tributária e investimentos no comercio exterior tem por objetivo incluir o país de forma mais proativa no comercio internacional, atuando até em Blocos econômicos do qual não é signatário. Ele vê o BRICS como um grupo ainda a ser melhor explorado, porém não deu mais detalhes de como poderia ser trabalhada essa atuação brasileira no cenário internacional.

O candidato não citou preferências para as relações brasileiras. Os Estados Unidos, que, hoje, juntamente com a China são os grandes parceiros comerciais do Brasil, têm automaticamente prioridades, mas, em seu discurso, Canadá e Coreia do Sul ganharam uma ênfase positiva. Em resposta ao representante da Amcham sobre as relações Brasil-EUA, declarou: “Vamos dar prioridade ao comércio exterior, buscando complementaridade econômica com os EUA, mas também acordos entre Mercosul e União Europeia”.

Os Estados, Blocos e a ideia de melhorar a abertura econômica do país com o mundo é um ponto importante para os profissionais de Relações Internacionais. Nesse sentido, a visão de cada um dos candidatos nas eleições 2018 sobre a posição do Brasil no mundo dará um norte sobre o que poderá ser construído, de forma positiva ou negativa, a partir de 2019.

Para o Candidato, o Mercosul tem sua importância e a demora com que as coisas acontecem não é de seu agrado. Analisando esse ponto de vista, pode-se esperar que, assumindo a Presidência em 2019, o Brasil atuaria mais como uma liderança, com mais pró-atividade, mediando e participando ativamente de temas sensíveis que envolvem os países membros do Bloco, buscando ainda consolidar o grupo, fortalecer os laços entre os membros e agir como uma unidade frente aos desafios globais.

SAO PAULO, SP – 24.07.2018 – ELEIÇÕES 2018 – O presidenciável, Geraldo Alckmin participa do evento Presidenciáveis 2018 promovido pela Camara Americana de Comércio (Amcham) na manhã desta terça-feira (24) na zona sul de São Paulo.
(Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

O Tratado da Associação Transpacífico (TTP) foi assinado por 11 países em março deste ano (2018), sem a participação dos Estados Unidos. Atualmente, a Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Japão, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã são os membros signatários do Tratado, trazendo a questão sobre se Brasil teria algum objetivo além da abertura comercial com os membros atuais. Faltou ao candidato falar mais sobre o seu plano de ação e pretensões especificamente neste Bloco.

Os membros do BRICS são importantes para o futuro comercial brasileiro, por isso, manter uma boa política com cada um deles é essencial, destacando-se que, atualmente, o maior parceiro comercial do país é um dos membros, a China, que também é quem mais apresentou evoluções nas relações com o Brasil desde 2001, compartilhando seu grau de importância com os Estados Unidos, outra peça significativa para o comércio internacional brasileiro. Rússia e Índia também são duas importantes potências globais que ainda carecem de mais avanços nas relações com Brasília, ressaltando-se que não existem atritos e nem abalos, porém ainda não estão em um grau elevado, ao ponto de torná-los tão importantes para o Brasil quanto o grupo é para o comercio internacional.

A carência de reformas internas no campo político, tributário, comercial e estrutural não é um assunto inédito. Entidades e associações que tratam de comercio exterior, relações internacionais e outras atividades que ultrapassam as fronteiras nacionais já apontam essas dificuldades por anos. No mundo globalizado as relações diplomáticas e comerciais voltadas para o exterior são tão importantes quanto as políticas públicas, tributárias e estruturais internas de um país, de forma que harmonizar a velocidade com que cada uma delas evolui pode resultar na atração de investimento externo e simplificação da entrada desses recursos no país de maneira positiva, o que resultará no seu desenvolvimento, bem como das Relações Internacionais como um todo.

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Nota:

O evento completo realizado pela AMCHAM pode ser assistido na íntegra, no portal oficial (www.amcham.com.br), e no canal oficial no YouTube (https://www.youtube.com/watch?time_continue=36&v=jpVbbBGZ3g4)

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Fontes das Imagens:

Fotos do presidenciável Geraldo Alkmin, realizadas pelo autor: Fabrício Bomjardim / CNP

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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