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Candidatura das FARC à Presidência da Colômbia

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Ao integrar-se à vida política e democrática da Colômbia, após os acordos de paz que permitiram ao antigo grupo guerrilheiro se tornar um partido político chamado Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), o novo partido anunciou que entrará na corrida presidencial de 2018, tendo como seu candidato o líder Rodrigo Lodoño, mais conhecido como Timochenko. Em sua página no twitter está publicado um vídeo contando um pouco de sua trajetória e logo acima se encontra escrito: “Presentamos un perfil de @TimoFARC , elegido por el partido Fuerza Alternativa Revolucionaria del Común como su candidato presidencial”.

Candidatos à Presidência pelas FARC

A questão ainda não está fechada. Lodoño menciona em seu twitter a disposição em consultar as bases da FARC e declarou: “Nunca nas FARC eu disse não a uma tarefa. Desta vez, não será a exceção. Mas eu quero consultar as pessoas do Comum”. A questão será discutida nas próximas reuniões partidárias e a previsão para a definição de sua candidatura é dezembro de 2017.

Segundo artigo no jornal El Espectador, publicado em 3 de outubro de 2017, apesar da imagem da guerrilha ser recente e, evidentemente negativa, é uma oportunidade para medir o tamanho eleitoral da FARC como partido. Ainda segundo o artigo, existem outras pendências, ou seja, uma concessão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o que seria permitido com a aprovação do Projeto de Lei da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) pelo Congresso Nacional da Colômbia. Ainda em seu twitter, Lodoño publicou um post de sua candidatura tendo como Vice a militante histórica Imelda Daza.

A eleição presidencial de 2018 poderá ter os ex-presidentes Uribe e Pastrana de um lado e as FARC de outro, um embate, mas agora nas urnas. Em 22 de junho de 2017, o mesmo jornal, El Espectador, divulgou uma aliança entre os ex-presidentes Andrés Pastrana e Álvaro Uribe chamada de “Projeto Democrático”. Disseram que apresentarão um candidato único à Presidência em 2018. Pastrana se referiu à candidatura de Timochenko como: El NarcoCandidato de la NarcoGuerrilla de las Farc. Esta aliança foi impulsionada pela vitória do “não” no plebiscito que perguntava ao povo da Colômbia “sim” ou “não” para o Acordo de Paz entre o Governo e os grupos guerrilheiros.

A Colômbia começa a viver um momento singular, ainda não visto na sua história. O trabalho dos ex-guerrilheiros agora é dentro das regras da democracia eleitoral, estruturando-se na seguinte imagem: de um lado, há setores que possuem o predomínio econômico e está a antiga elite política; de outro, um grupo político composto por antigos guerrilheiros, agora inseridos no sistema democrático vigente no país, e com um discurso de atendimento às demandas sociais, tais como o combate à miséria, distribuição da riqueza, a reforma agrária, entre outras, colocando a democracia colombiana sob teste em 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Militante com a bandeira da FARC” (Fonte):

https://twitter.com/FARC_EPueblo/status/926049919101755392

Imagem 2Candidatos à Presidência pelas FARC” (Fonte):

https://twitter.com/FARC_EPueblo/status/926990541363073024

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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