LOADING

Type to search

Share

[:pt]

Os venezuelanos, por conta da crise que assola o seu país, estão invadindo o Brasil, afetando o Estado brasileiro de Roraima. O Brasil, que vem enfrentando uma longa e grave crise, a qual alguns analistas apontam que, nesta forma e estatura, não ocorria desde 1930, ainda terá que administrar essa situação. O Governo do Estado já trata o cenário como uma crise humanitária. Vale ressaltar que Roraima tem cerca de 500 mil habitantes e é o menos populoso do Brasil.

Já são contabilizados cerca de 30 mil venezuelanos que cruzaram a fronteira nos últimos seis meses, tentando fugir da crise de abastecimento e estabelecendo-se nas cidades de Pacaraima, porta de entrada para os venezuelanos, e na capital de Roraima, Boa Vista. Conforme divulgado, cerca de 100 estrangeiros entram no Brasil por esse caminho todos os dias.

A entrada é fácil, já que a divisa do território é feita apenas por marcos pintados de branco, o que não impede o acesso de ninguém a cidade de Pacaraima, além do fato de que na região não há qualquer tipo de fiscalização do Estado brasileiro, que deveria ser exercida por parte dos órgãos responsáveis.

A Polícia Federal (PF), por sua vez, diz que tenta fazer sua parte, visto que já foram deportados cerca de 250 estrangeiros de abril a setembro de 2016. Na maioria das vezes, essas pessoas são flagradas sem documentação regular de estada no Brasil, estando alguns pedindo esmolas ou vendendo produtos nas ruas e semáforos. A PF afirma que quem está nessa situação pode ser deportado a qualquer momento.

A situação é caótica. Muitos venezuelanos estão deixando o seu país, onde eram profissionais liberais e estudantes, para migrarem em busca de uma vida melhor. Os exemplos são inúmeros. Há casos de estudantes de medicina que deixaram as salas de aula para trabalharem nos semáforos brasileiros limpando vidros. Largaram suas vidas “estabilizadas” na Venezuela para tentarem a informalidade no país vizinho, diante do quadro instável da gestão do presidente Nicolás Maduro.

Com o desembarque de tantos estrangeiros diariamente, o Estado de Roraima está vivendo um quadro de crescimento dos atendimentos hospitalares, da violência e prostituição, só para citar alguns casos. Nas cidades citadas, é possível ver venezuelanos dormindo nas ruas, na rodoviária, em imóveis invadidos, em um panorama que se agrava a cada dia.

O sistema de saúde do Estado já entrou em colapso, pois os atendimentos médicos inflaram. Pacaraima, cidade de aproximadamente 12 mil habitantes, já realizou cerca de 3.200 atendimentos só para os oriundos da Venezuela. Roraima viu o número de alunos das escolas quadruplicar com a matrícula de venezuelanos em um curto período, a violência cresce a cada dia e casos de xenofobia já se tornaram nítidos nas ruas, tanto por brasileiros quanto por venezuelanos.

A grande maioria dos venezuelanos culpa o presidente Maduro por ter causado tanto sofrimento e ter arrasado o país dessa forma. A fala da cozinheira Josepina Alfara, que está em Roraima e pede a compreensão dos brasileiros, ilustra o sentimento da grande maioria dos venezuelanos que estão tentando sobreviver a essa desilusão. Ela afirma: “Meu país é tão rico, tem diamante e petróleo, manda energia elétrica para Roraima e vive uma crise terrível com esse presidente [Nicolás Maduro]. Não quero ficar aqui para sempre, mas vejo muitos brasileiros virarem a cara para a gente. Todos somos criaturas de Deus”.

———————————————————————————————–                    

ImagemManifestantes pacíficos protestando em Caracas, Venezuela 2014” (Fonte Wikipedia / Foto: Diego Urdaneta):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_na_Venezuela_em_2014%E2%80%932016#/media/File:2014_Venezuelan_Protests_(12F).jpg

[:]

Jamile Calheiros - Colaboradora Voluntária

Bacharel em Relações Internacionais e Direito, com especializações em Direito Público Municipal e em Política e Estratégia. Aluna especial no Mestrado Acadêmico em Administração pela UFBa. Possui experiência na área jurídica adquirida em estágios em escritórios de advocacia, Petrobrás, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. Tem experiência internacional, em Dublin – Irlanda. Diretora Institucional da BBOSS. Voluntária [email protected] - Project Management Institute – Capítulo Bahia, Diretoria de Alianças e parcerias desde Agosto de 2015.

  • 1

4 Comments

  1. Marina Caixeta 24 de novembro de 2016

    Interessante Jamile, porém achei que o tom da análise com a primeira frase ("Os venezuelanos que estão invadindo o Brasil") reflete uma postura egoísta e xenofóbica diante da questão. Afinal, não estaríamos todos ansiando por um mundo permeado de ideias humanitários e pluralistas?! Não estaríamos nós, brasileiros, querendo fazer diferente agora que estamos do outro lado dos fatos?! Pense nisto…

    Responder
  2. Jamile 28 de novembro de 2016

    Obrigada pelo comentário Marina.

    Responder
  3. Bruno 9 de dezembro de 2016

    Parabens Jamile. Não foi o seu caso, mas acho que tem que deportar mesmo. Cada um no seu quadrado. Enquanto vamos enchendo as ruas e semaforos de Roraima de estrangeiros, nosso povo cada vez vai perecendo mais. Não damos conta de nós mesmos, quanto mais de outros. Que estas pessoas procurem um país comunista para morar. Engraçado que em país nenhum aceitariam brasileiro sentado em semáforo mendingando dinheiro e comida. Porque temos nós que ser os "bonzinhos não-xenofóbicos"? Sou a favor que deportem todos, que cada um viva em seu país de origem, salvo quando for lucrativo para o PAÌS ter a pessoa, e não para a pessoa ter o país.

    Responder
  4. Jamile Calheiros 12 de dezembro de 2016

    Obrigada Bruno. O debate é muito importante principalmente para temas polêmicos como esse. Acredito que só com o diálogo poderemos chegar a uma "solução".

    Responder

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.