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Uma semana após o Referendum realizado pelo Governo da Catalunha, que foi proibido pelo Governo espanhol, a situação da região continua sendo foco de tensões. A União Europeia apoia a Espanha, mas ao mesmo tempo estabelece como único caminho o diálogo e a não intervenção do Bloco, já as Nações Unidas solicitam um estudo humanitário sobre a ação das forças nacionais da Espanha no dia da votação.

Presidente da Generalitat da Catalunha – Carles Puigdemont em discurso ao vivo

O Rei Felipe VI ressaltou em pronunciamento a Constituição espanhola e a divisão do povo catalão, mantendo o mesmo discurso do presidente Mariano Rajoy. Como resposta, o Presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, publicou nova declaração onde reiterava sua disposição para o diálogo com a Espanha, mas sem ignorar o desejo expresso de grande parte dos catalães, e também mencionou a mediação internacional como forma de solução.

Embora a Suíça tenha se oferecido para mediar a situação, a Espanha rejeitou a oferta por considerar que a Catalunha não é um ator de pleno direito, de modo que a discussão deve ser amparada na Constituição espanhola.

O Presidente da Generalitat de Catalunha iria discursar nesta segunda-feira no Parlamento catalão, mas a sessão foi proibida por ordem do Tribunal Constitucional da Espanha, pois havia uma grande possibilidade de que a Catalunha realizasse a chamada DUI (Declaração Unilateral de Independência). Uma nova sessão está marcada para amanhã, terça-feira, dia 10 de outubro, e segundo informações do Palácio de Saint Jaume (sede do Governo Catalão), o Presidente irá apresentar os resultados finais do Referendum e possivelmente irá declarar a independência.

As tensões entre a Espanha e a Catalunha também repercutiram na economia de ambas as regiões. O índice da Bolsa de Madrid teve uma queda histórica; já na Catalunha muitas multinacionais da região decidiram mudar sua sede para outras províncias da Espanha. Empresas como o Banc de Sabadell (5º maior da Espanha), a empresa Gás Natural (que também atua no Brasil), a Klockner (empresa distribuidora de material clínico) são alguns exemplos. Outras empresas ainda não decidiram, mas estão em pleno debate com os acionistas, tais como o CaixaBank (3º maior Banco), a Catalana Ocidente (Seguradora) e a Freixenet (Vinícola da região reconhecida no mundo inteiro). A Espanha criou uma lei para facilitar essa movimentação de empresas e dessa forma debilitar a Catalunha.

O Governo espanhol e economistas de diferentes países alertam para uma contração de 30% da economia catalã caso haja uma Declaração Unilateral de Independência. O Governo da Catalunha não fala em porcentagens, mas apenas em prazos de impacto e de recuperação a médio prazo. Por outro lado, grande parte da população continua apoiando os governantes e o Referendum, e ao longo de toda a semana passada houve manifestações por toda a Catalunha, mas também houve manifestações da parcela que é contrária a separação. Diversos ônibus vindos de todas as partes da Espanha se somaram aos manifestantes neste último domingo.

Sede Banco Sabadell em Barcelona

Uma grande greve organizada no dia 2 de outubro paralisou 80% de todos os serviços e empresas da região e muitos movimentos sociais estão estudando a possibilidade de uma nova greve geral –  estima-se que cada dia de greve gere um déficit de 750 milhões de euros na economia catalã – embora a adesão social nas mesmas seja superior a 80%.

Ressalte-se que todas as nações que passaram por um processo de separação no século XX e XXI sofreram um impacto econômico nos primeiros anos, sendo esta uma etapa crucial na consolidação de um Estado com pretensões soberanas, e, caso este tenha negligenciado essas bases econômicas, ou mensurado de forma equivocada o processo separatista, o país pode afundar antes mesmo de sair do papel.

A grande pergunta que todos os políticos, analistas e cidadãos se fazem é se a Catalunha quantificou bem esse fator, pois, da mesma forma que conseguiram ocultar as urnas, os governantes catalães estão conseguindo nublar o próprio processo, bem como os seguintes passos que serão tomados. Amanhã ou ao longo dessa semana uma questão de mais de 300 anos pode chegar ao seu ápice, através da declaração de independência e começo da constituição de uma Republica Catalã.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Greve Geral paralisa Barcelona” (Fonte):

https://www.canarias7.es/documents/1/0/768×512/0c40/768d432/none/11314/MUPY/image_content_2384515_20171003133030.jpg

Imagem 2 Presidente da Generalitat da Catalunha Carles Puigdemont em discurso ao vivo” (Fonte):

https://www.ecestaticos.com/image/clipping/654/115c41bdc7e0920485d3251438303f02/carles-puigdemont-durante-su-discurso-institucional-tv3.jpg

Imagem 3 Sede Banco Sabadell em Barcelona” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/La_sede_del_Banc_Sabadell.JPG/768px-La_sede_del_Banc_Sabadell.JPG

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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