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Após um ano intenso, repleto de tensões e reviravoltas, a região da Catalunha e seus habitantes ainda não emitiram sua última palavra sobre o futuro da região. No dia 1o de outubro, a Catalunha organizou um Referendum programado pelo Parlamento local, porém proibido pelo Governo Central de Madri. A votação foi acompanhada pela comunidade internacional que se impressionou com a ação rígida das autoridades espanholas durante sua tentativa de impedir a realização do mesmo, ainda assim, a votação aconteceu e uma ampla maioria foi a favor da cisão. No dia 27 de dezembro, o Parlamento da Catalunha declarou a independência, apesar de que a mesma tenha durado poucas horas, já que o Governo espanhol ativou o Artigo 155, que dissolveu o Governo catalão e o Parlamento da Catalunha.

Intenções de voto 21D. De um lado: Esquerda Republicana, Juntos por Catalunha e CUP (Nacionalistas). Por outro lado: Em comum Podemos, Cidadãos, Partido Socialista Catalunha e Partido Popular

A Governo central pretendia usar o Artigo 155 para destituir a administração nacionalista e aos poucos restabelecer a ordem constitucional do país, porém as prisões dos líderes da região e a ida do presidente deposto Carles Puigdement a Bruxelas trouxe novos elementos para a discussão e transportou a mesma para o seio da União Europeia.

O Governo espanhol solicitou a extradição do ex-Presidente catalão, interditou as principais instituições e convocou uma nova eleição para a Catalunha a ser realizada no dia 21 de dezembro deste ano (2017), na próxima quinta-feira, daqui a três dias. Porém o futuro segue incerto.

As intenções de voto são complexas, já que, a cada dia, novos eventos pressionam a sociedade catalã e elevam as paixões em ambos os lados, tanto dos que desejam se separar, como dos que preferem manter a união no Estado espanhol. Ainda assim, tudo indica que haverá uma nova vitória dos nacionalistas, embora sem uma maioria no Parlamento, o que aumenta a atenção em relação a pequenos partidos que podem se transformar nos aliados capazes de mudar a balança de poder, seja para o lado da união com a Espanha, seja para o lado da separação.

Os nacionalistas não irão se apresentar com uma lista única como fizeram da primeira vez, embora afirmem que vão trabalhar no mesmo sentido que nas eleições de 2016.

Manifestante pede libertação dos presos políticos

O atual presidente da Espanha, Mariano Rajoy, afirmou que em caso de uma vitória dos nacionalistas, a Espanha voltará a aplicar o Artigo 155, já os representantes do Governo da Catalunha pressionam o governo central para reconhecer os resultados de uma eleição convocada desde Madri.

Certo é que ambos os lados estão bastante convalescidos. A Catalunha já perdeu a sede de 3.000 empresas, e o Governo central mantém preso os líderes civis do nacionalismo catalão. As pesquisas refletem essa contínua sístole (contração) e diástole (dilatação) em cada um dos lados na questão territorial espanhola.

A União Europeia ainda considera que o assunto deve ser resolvido de forma interna, porém não extraditou o líder deposto da Catalunha, o que gerou mal-estar em Madri. Por outro lado, as regiões nacionalistas como a Córsega começam a ganhar força, o que influencia muito para que haja movimentos cautelosos por parte do Bloco europeu.

O cidadão catalão novamente irá votar, mas dessa vez em uma eleição convocada desde Madri e que fará uso de todo os dispositivos do Estado, permitindo, inclusive, que residentes no exterior possam votar, mas as perguntas cujas respostas ainda estão abertas são por quem irão optar e qual será o impacto desse resultado, tanto para o Governo da Catalunha como o da Espanha.

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Fontes das Imagens:

Imagem 165 mil catalães se manifestaram a favor do líder deposto, Carles Puigdemont, em Bruxelas” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DQcJzXiVoAAk1pu.jpg

Imagem 2Intenções de voto 21D. De um lado: Esquerda Republicana, Juntos por Catalunha e CUP (Nacionalistas). Por outro lado: Em comum Podemos, Cidadãos, Partido Socialista Catalunha e Partido Popular” (Fonte CIS):

http://statics.ccma.cat/multimedia/jpg/0/5/1512412390150.jpg

Imagem 3Manifestante pede libertação dos presos políticos” (Fonte):

http://www.resumenlatinoamericano.org/wp-content/uploads/2017/11/Catalunya-2-11.jpg

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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