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O Iêmen vive hoje uma das situações consideradas mais delicadas no Oriente Médio. O país encontra-se devastado por uma guerra entre o governo do presidente Abdrabbuh Mansour Hadi* e os membros do movimento rebelde Houthi. Observadores apontam que os ataques aéreos e o bloqueio fronteiriço da coalizão multinacional** liderada pela Arábia Saudita impulsionaram um desastre, pois, atualmente, 70% da população necessita de ajuda humanitária.

Mapa da atual divisão geopolítica do Iêmen

As campanhas aéreas sauditas e de oito Estados árabes de maioria sunita contra o país começaram após o empoderamento do movimento Houthi, grupo supostamente apoiado pelo Irã, e buscaram auxiliar no estabelecimento do governo de Mansour Hadi. O conflito instaurou-se a partir do insucesso na transição política que deveria trazer estabilidade ao Iêmen, em 2011, com uma forte onda de protestos que forçaram o antigo presidente Ali Abdullah Saleh a renunciar sua posição, entregando o Governo a Mansour Hadi – o Vice-Presidente. O Governo Hadi vivenciou problemas severos em sua gestão, incluindo ataques realizados pela al-Qaeda, por movimentos separatistas e por militares aliados ao presidente Saleh, sem contar com questões estruturais, como acusações de corrupção, desemprego e insegurança alimentar.

O Movimento Houthi, que busca empoderar a minoria xiita, já participou de uma grande série de revoltas contra o antigo presidente Saleh na última década. Durante a transição entre o governo de Saleh e o de Hadi, com o enfraquecimento do Estado, o movimento aproveitou para capturar a parcela norte da Província de Saada, agregando parte da população iemenita que estava descontente com a transição (até mesmo parcelas sunitas da população), conseguindo alcançar a capital, Sanaa, em 2014. No ano seguinte, os Houthis reforçaram seu posicionamento sobre a capital, sitiando o palácio presidencial e outros pontos estratégicos da cidade, aprisionando o presidente Hadi e parte de seu Gabinete.

Resultado de um ataque aéreo saudita em Sanaa

De acordo com as Nações Unidas, durante o conflito já foram registradas pelo menos 4.773 mortes de civis e outros 8.272 feridos. Pouco abaixo da metade da população têm menos de 18 anos, e um terço de todos os civis mortos nos primeiros anos do conflito foram crianças. A ONU ainda afirma que 2 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas, além disso, 180 mil deixaram o país. Este ano (2017), o Iêmen, destruído pela guerra, vivencia o pior surto de Cólera do mundo. Fontes da organização apontam que mais de 1.700 pessoas morreram desde abril devido à bactéria e existem ainda mais de 320.000 casos suspeitos, com a média de 5 mil novos casos registrados por dia.

O conflito entre Houthis e o governo do presidente Hadi também é visto como parte de uma disputa regional de poder entre o xiita Irã e a sunita Arábia Saudita. Os Estados do Golfo aliados aos sauditas acusaram os iranianos de proverem suporte financeiro e militar ao movimento Houthi, mesmo assim, eles afirmam serem defensores do atual Governo do Iêmen.

O conflito está no radar das potências ocidentais que consideram a célula da al-Qaeda que está instalada no país como uma das mais perigosas, devido a sua expertise técnica e alcance global. Existem também organizações filiadas ao Estado Islâmico no Iêmen, como a Ansar al-Sharia, que estão sendo monitoradas para que não aumentem seu poderio perante à crise humanitária existente.

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Notas:

* O Governo tem sua autoridade sobre o território do Iêmen reconhecida internacionalmente, no âmbito do mandato de transição de dois anos.

** A Coalizão de países árabes tem recebido apoio logístico dos EUA, França e Reino Unido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Imagem Aérea de Sanaa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Yemen#/media/File:Sana.jpg

Imagem 2 Mapa da atual divisão geopolítica do Iêmen” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Yemen#/media/File:Yemeni_Civil_War.svg

Imagem 3Resultado de um ataque aéreo saudita em Sanaa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Yemen#/media/File:Destroyed_house_in_the_south_of_Sanaa_12-6-2015-3.jpg

Gabriel Mota - Colaborador Voluntário

Gabriel Mota Silveira é formado em Relações Internacionais. É mestrando do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PPGRI/PUC-MG), com linha de pesquisa em Insituições, Conflitos e Negociações Internacionais. É pós-graduado em Relações Governamentais e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e discente associado ao Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais do Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (CBEC-ICPD). Entusiasta do estudo do Terrorismo Transnacional e Insituições Internacionais. Já prestou serviço ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, trabalhou na Embaixada do Reino Unido em Brasília e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Atua hoje junto à Assessoria de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais.

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