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[:pt]Cenários para o mercado consumidor da China: megacidades e economia digital como motores para o crescimento global[:]

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A China vem enfatizando um modelo de desenvolvimento baseado na urbanização, no estímulo ao consumo de sua população, além de investimentos em educação e inovação tecnológica. Estas tendências poderão se consolidar como as principais fontes para o crescimento da demanda na economia global nas próximas décadas. Um relatório publicado recentemente pelo Instituto McKinsey prevê que 700 cidades chinesas sejam a fonte de cerca de 30% do crescimento do consumo global entre os anos de 2016 e 2030, correspondendo à geração de uma demanda de US$ 7 trilhões para a economia mundial.

O mesmo estudo do McKinsey estima que no ano 2030 a população economicamente ativa da China seja responsável por contabilizar US$ 0.12 de cada dólar gasto nas cidades através do mundo. O aumento do consumo por parte dos chineses traz igualmente uma reforma no setor comercial, havendo uma tendência de consumo de produtos mais sofisticados, conforme cresce a renda média dos chineses que moram nas áreas urbanas.

As alterações no mercado consumidor chinês são decorrentes de mudanças sociais mais amplas – havendo aumento do deslocamento da mão de obra entre cidades, impactando diretamente na organização do mercado de trabalho do país. A China possui mais de 15 megacidades, termo que define cidades que possuem mais de 10 milhões de habitantes. Atualmente, já possui a maior área urbana do mundo, o Delta do Rio das Pérolas, uma antiga zona rural, que hoje abriga cerca de 57 milhões de habitantes.

O consumo chinês nas áreas urbanas deverá ser fortemente impulsionado pelo aumento da participação do comércio eletrônico. Estimativas apontam que, até o ano de 2020, aproximadamente 40% das vendas no mercado chinês ocorrerão através de transações online. Esta revolução de aumento do consumo via meios digitais beneficiou principalmente empresas de pequeno e médio porte dentro do país, reforçando a necessidade de reforma nas suas grandes empresas Estatais.

A rápida urbanização, aliada ao aumento do consumo, trazem imensos desafios sob a perspectiva do planejamento estatal e no que diz respeito à preservação do meio ambiente. Os índices de poluição na China já se encontram em taxas preocupantes. Portanto, caberá ao Governo ser capaz de aumentar a eficiência energética renovável em suas cidades, além de promover as reformas necessárias para controlar os níveis de poluição, que podem potencializar riscos ligados à saúde pública.

O perfil de consumo que é apresentado nas pesquisas acima mencionadas tenderá a apresentar benefícios para os países que sejam capazes de exportar bens de maior valor agregado, ou bens de luxo para a China. Países emergentes que exportam commodities para o mercado chinês provavelmente verão uma queda ainda mais acentuada na demanda por estes produtos na próxima década, à medida que o modelo econômico muda de um padrão de altos investimentos em infraestrutura e construção civil, para um padrão que foca mais fortemente no consumo de produtos com certo grau de sofisticação e diferenciação.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/60/Chongqing_Night_Yuzhong.jpg

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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