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[:pt]Cessar fogo entra em vigor na Síria: analistas são receosos quanto à efetividade da trégua[:]

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No final da segunda-feira, 12 de setembro de 2016, entrou em vigor na Síria um cessar-fogo de amplitude nacional intermediado pelos Estados Unidos e Rússia. Há preocupações de analistas sobre a sustentação da trégua, cujo anúncio coincidiu com o feriado muçulmano de Eid al-Adha. Várias horas depois do cessar-fogo, o Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado no Reino Unido, afirmou que as principais zonas de conflito em todo o país estavam tranquilas. No entanto, foram registrados bombardeios leves pela Oposição e pelas forças do Governo no sudoeste do país.

O Acordo de Cessar Fogo foi estabelecido na última sexta-feira, 9 de setembro, pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, e pelo Chanceler russo, Sergey Lavrov. A trégua visa permitir a entrada da ajuda humanitária, além de buscar os cominhos de uma solução política para o conflito entre as forças leais ao presidente Bashar al-Assad e grupos rebeldes de oposição, mais ou menos moderada, lutando para depô-lo. O Governo sírio, bem como o Irã e o Hezbollah, dois de seus mais fortes aliados, concordaram com os termos firmados.

A trégua, contudo, não se aplica ao Estado Islâmico ou ao Jabhat Fateh al-Sham, anteriormente conhecido como Frente al-Nusra, que mudou seu nome após cortar laços com a al-Qaeda, em julho de 2016. Horas após a trégua ter entrado em vigor em todo o país, mais de uma dúzia de grupos rebeldes, incluindo a Aliança do Exército Livre da Síria (FSA), o Ahrar al-Sham e o Jaish al-Islam criticaram duramente o Acordo como “injusto”, sem, contudo, rejeitá-lo totalmente. Questões permanecem, no entanto, sobre como o cessar-fogo será aplicado nas várias partes do país onde grupos extremistas estão presentes.

Com violações pontuais no cessar fogo de ambas as partes durante os primeiros dois dias, mas sem mortes de civis, os chamados rebeldes moderados questionam a falta de clareza nas garantias de implementação do que foi acertado, ou nos mecanismos de monitoramento da trégua. Expressando suas reservas, Salem al-Meslet, porta-voz do Alto Comitê de Negociações, principal bloco de oposição sírio, questionou qual será a definição escolhida para “terrorismo” e qual será a resposta em caso de violações.

Segundo os termos estabelecidos, o acesso humanitário a muitas áreas sitiadas do país e “de difícil alcance” deve começar imediatamente, com forças governamentais e rebeldes assegurando-o sem restrições, sobretudo à cidade de Aleppo. Nela, cerca de 250.000 civis estão presos na parte oriental, controlada pelos rebeldes, devido a um cerco das forças do Governo. Autoridades da ONU declaram estarem prontas para prestar ajuda às áreas sitiadas, mas necessitam de melhores garantias de paz. Caso o cessar-fogo se mantenha, o Acordo prevê que Washington e Moscou comecem a atacar conjuntamente grupos radicais extremistas, incluindo o Estado Islâmico e a Jabhat Fateh al-Sham, em uma semana.

Conforme o Observatório Sírio para Direitos Humanos, o número de mortes registradas desde o início do conflito, em março 2011, já passa dos 300.000. Estimativas chegam a 430.000, mas a ONU cessou o recolhimento de números oficiais, incerta sobre a sua capacidade de recolher dados precisos. Mais 4,8 milhões fugiram para o estrangeiro, e estimados 6,5 milhões estão deslocados no interior do país, segundo afirmação do Alto Comissariado das Nações Unidas.

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ImagemRepresentantes russos e americanos se reúnem para discutir a situação na Síria, em 29 de Setembro de 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_military_intervention_in_Syria#/media/File:Sergey_Lavrov,_Vladimir_Putin_and_John_Kerry.jpg

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Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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