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Chávez acusa Oposição venezuelana de mentir e tramar contra ele

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está acusando a Oposição de seu país de estar organizando uma trama para confrontá-lo nas eleições de outubro. Diretamente, declarou que o candidato opositor nas “Eleições Presidenciais”, Henrique Capriles Radonski, está mentindo para o povo acerca da quebra da economia venezuelana e do aumento da importação de alimentos.

Contra outro importante oponente político, o governador do estado de Táchira, César Pérez Vivas, afirmou que ele tem “conexões bem profundas com a extrema direita colombiana, paramilitar e narcotraficante. (…) …facilita a entrada dos paramilitares, de matadores de aluguel, de contrabandistas, de narcotraficantes”*.

 

A acusação vem a reboque das recentes denúncias de que foi preso um “suposto mercenário norte-americano”**que tentava entrar na Venezuela, exatamente pela fronteira colombiana com o Estado de Táchira. Acreditam os observadores que a estratégia chavista se configura em relacionar esta liderança com o incidente do “suposto mercenário” para justificar uma ação de segurança contra ele em breve.

Além disso, apontam que o mandatário tem seguido passos estratégicos para vincular qualquer trama que apresente, descubra, ou invente apenas à relação entre os opositores do seu Governo e os EUA. O objetivo, segundo percebem, é evitar confrontos com a Colômbia neste momento (já que tem relação comercial intensa com este país, especialmente importando alimentos), tanto que vem desvinculando o atual presidente Juan Manuel Santos dessas questões, ao afirmar que “a extrema direita”*** colombiana rompeu com Santos, após este “ter refeito as relações”*** com a Venezuela.

As declarações de Chávez foram realizadas enquanto ele tem percorrido Táchira, Estado governado por Perez Vivaz, onde, na cidade de “San Cristobal”, discursou afirmando ainda que sua reeleição será importante para a paz no país e para os ricos, concluindo os intérpretes da política que seria preservada a Estabilidade. Declarou: “Eu digo-lhes à (classe) média venezuelana e até aos ricos que não me querem, o que lhes convém, é que ganhe (Hugo) Chávez a 07 de outubro. Nós somos a garantia de paz na Venezuela”****.

Esta questão da preservação da Paz, por sua vez, vem trazendo várias interrogações entre os observadores, pois fica a dúvida sobre a forma como o mandatário se comportará, caso perca o “Pleito Eleitoral”, não sendo descartada a possibilidade de estimular revoltas na Venezuela, ou de tentar um “Golpe de Estado”.

Analistas apontam que o Presidente vem usando de estratégias variadas para conter qualquer avanço dos seus opositores. Dentre os recursos, adota o procedimento de levantar suspeitas de atentados (algo que ele está usando neste momento) envolvendo os principais antagonistas para justificar que sejam perseguidos e estimular a população a confrontá-los, mesmo que com o uso da violência.

Destacam que as declarações de que os opositores mentem sobre a economia, ao afirmarem que ela está em decadência, vem associada às ofensas morais e políticas e Chávez tenta justificar a forma descortês de se referir aos demais candidatos e opositores como apenas a constatação de uma verdade, chamando-os inclusive de fascistas, embora, parte dos especialistas em teoria e pensamento político prefiram tomar as metodologias e procedimentos usados por Chávez como típicos do Fascismo.   

Quando se refere a Caprilles, por exemplo, afirma que ele é burguês e fascista, tentando inverter os discursos e gerar confusão conceitual. Ao falar dos sentimentos de ofensa manifestados pelo seu Opositor contra a forma pela qual Chávez se refere a ele, declarou: “Ofende-se porque lhe digo isto (…), disse-me para respeitar a sua família. Eu não estou a desrespeitar a sua família. Todo o meu respeito para ela. O que é certo é que a sua família é burguesa, mas com isso não estou mentindo nem desrespeitando-o”*****.

Ao sentimento de ofensa a que se referiu, este decorre do fato de Caprilles ter retrucado publicamente contra Chávez diante da forma como este o vem agindo e do que vem falando, informando que sua família teve várias vítimas do Fascismo e do Nazismo na “II Guerra Mundial” e  uma de suas avós foi prisioneira emCampo de Concentração”*****.

Independente das respostas dadas pelos opositores, das agressões de Chávez, das alegações de interferência externa, bem como das teses de Golpes imaginadas e propaladas pelo Presidente, os analistas acreditam que ele tem maior probabilidade de vitória em outubro, pois estas sutilezas acerca do comportamento do mandatário e da realidade do país não chegam ao discernimento das camadas mais pobres da população que representam o maior contingente populacional e lhe dão apoio, em razão, principalmente, dos controles que o mandatário exerce sobre as instituições e devido à pressão e perseguição executada sobre a imprensa que poderia vir a descortinar para o povo a realidade da Venezuela e a forma como o Presidente conduz a política.

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Fonte Consultada

* Ver:

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2012/08/13/chavez-acusa-opositor-de-mentir-para-a-populacao-venezuelana/

** Ver Análise de Conjuntura” publicada ontem no “Ceiri Newspaper”, intitulada:Chávez usa mesma tática política de acusar interferência externa contra a Venezuela”.

*** Ver:

http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/notiziari/venezuela/20120812135135454119.html

**** Ver:

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=587211

***** Ver:

http://www.tvi24.iol.pt/internacional/hugo-chavez-hugo-chavez-venezuela-eleicoes-chavez-tvi24/1367587-4073.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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