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Chile vive segundo dia de “Greve Geral”

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Ontem, dia 25 de agosto, encerrou o segundo dia de “Greve Geral” de 48 horas convocada pela “Central Unitária dos Trabalhadores” (CUT). A manifestação obteve apoio da maioria dos partidos de oposição que compõem a “Frente Concertación”, que ficou no poder por 20 anos e foi afastada com a eleição do atual presidente Sebastián Piñera.

 

A greve veio a reboque das manifestações estudantis que estão ocorrendo no Chile há três meses exigindo reforma na educação. São várias as reivindicações, contudo, que vão desde a reforma de currículos escolares até a alteração do modelo econômico, como o que é exigido pelos operários e sindicatos que desejam alterações na Constituição, já que são contrários à defesa da propriedade privada e exigem a nacionalização dos recursos naturais e da mineração. Ressalte-se que nacionalização tem sido um termo eufemístico adotado nos últimos dez anos na América Latina para a estatização.

Destacam-se ainda as exigências de uma reforma tributária visando reduzir os impostos para os mais pobres e aumentando-os para os ricos, além de reivindicações pelo ensino superior gratuito.

Segundo o analista político chileno Guillermo Holzmann, “a greve não paralisou o país inteiro, nem resultara numa reforma completa do sistema. Mas teve um efeito positivo: manteve a demanda dos estudantes, que conta com apoio popular, na agenda política”.*

Acrescentou ele: “É um paradoxo. No ano passado, o Chile cresceu mais de 6%, apesar do terremoto, e este ano deve crescer 7%. No entanto, esse desempenho não foi acompanhado por uma maior adesão popular ao governo – muito pelo contrário”*.

Tal opinião tem sido compartilhada por outros analistas e vem sendo disseminada na mídia, razão pela qual surgem interpretações de que a razão maior das manifestações é político-ideológica, já que a esquerda e os grupos opositores ao atual Governo perderam espaço no poder estatal e o Presidente teve problemas na construção de um gabinete que pudesse dar conta da efetivação de propostas que contemplassem as conquistas sociais alcançadas ao longo do período em que a Concertación esteve no governo.

Holzmann alerta também que a oposição “está fragmentada, sem liderança, sem proposta e sem apoio social. Mais do que o governo Piñera, que herdou muitos dos problemas, os chilenos estão criticando toda a classe política”*.

Alguns acham, no entanto, que dificilmente uma manifestação deste porte ocorre espontaneamente, sem articulação, sem trabalho de base e sem coordenação da mobilização. Observadores concordam que há decepção com a classe política, mas não esquecem que Michele Bachelet saiu do governo com aprovação na casa dos 80% e não fez seu sucessor devido à ausência de candidato capaz de enfrentar a articulação antagonista, além de ter recusado se envolver no processo eleitoral, evitando a migração de votos.

Por isso, não será surpresa que este conjunto de manifestações faça parte de um processo de recuperação de espaços que foram perdidos pela esquerda chilena e não são apenas reivindicações pontuais desarticuladas, que surgiram pelo momento de esgotamento natural da tolerância para com a administração governamental, gerando uma revolução espontânea.  Como tem apontado os analistas, a história recente da América Latina demonstra que a tese do espontaneísmo revolucionário foi refutada.

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*Fonte: http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=30274722

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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