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China abrirá sua primeira base militar no exterior em Djibouti

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No dia 11 de julho de 2017, o Exército de Libertação Popular enviou oficialmente tropas militares para a abertura da primeira base naval da China no exterior. Situada em Djibouti, Estado localizado no Chifre da África, a instalação é chamada de Base de Suporte Logístico pelo Governo chinês. A localização geográfica de Djibouti é estratégica, pois oferece acesso ao Estreito Bab el-Mandeb, que conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho. Por conta disso, seu território já possui bases militares de Japão, Estados Unidos e França.

Mapa da Ferrovia Addis Ababa-Djibouti

Apesar do crescimento de 6,3% do PIB em 2016, as condições socioeconômicas de Djibouti ainda são precárias. Nota-se que, no mesmo ano, a taxa de desemprego atingiu 48% e estima-se que 23% da população djibutiana vive em situação de pobreza extrema. Por conta disso, os crescentes investimentos chineses no país são recebidos com entusiasmo.

Ali Elmi Ahmed, CEO da empresa de materiais de construção MCA Djibouti SARL, afirmou em entrevista: “sinceramente acredito que a China pode contribuir muito com Djibouti, permitindo que nós sejamos capazes de corresponder à demanda por acesso ao mar de nossa vizinha Etiópia e outros países da região”. Em perspectiva semelhante, Abdirahman M. Ahmed, presidente da Green Djibouti International, declarou ao New York Times que vê com bons olhos a presença chinesa, pois ela não só produz lucros, mas também ajuda a constranger a ação de Estados que desejariam anexar Djibouti.

Atualmente, a China financia 14 grandes projetos de infraestrutura neste país, incluindo a Ferrovia Addis Ababa-Djibouti e dois novos aeroportos. Contudo, especialistas destacam que a instalação da base naval não só marca um ponto de inflexão nas relações entre os dois Estados, como também no perfil da inserção internacional chinesa na África. Segundo o analista estadunidense Joseph Trevithick, “a base em Djibouti irá ajudar o evidente desejo da China de expandir sua presença militar além de suas fronteiras”.

No entanto, conforme destaca o relatório produzido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, sigla em inglês), com sede em Washington, não só a China é o membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas que mais participa das operações de paz da organização, como também a maior das contribuições do país ocorrem no continente africano.  Dessa forma, o porta-voz do Ministério de Relações Internacionais da China, Geng Shuang, justificou em entrevista coletiva que “as operações da base ajudarão a China a melhor cumprir suas obrigações internacionais de escoltar missões e prover assistência humanitária. Também irá ajudar a promover desenvolvimento social e econômico em Djibouti”.

Tropas do Exército Djibutiano em cerimônia oficial

Apesar disso, a Base de Suporte Logístico da China despertou desconfiança de outros players importantes na região. O periódico indiano Hindustan Times afirmou em editorial que “a reposta da Índia deve ser incrementar e expandir sua marca no oceano que carrega seu nome. Nova Deli precisa assegurar que Beijing não é o único jogador na disputa”. Além disso, de acordo com a agência de notícias Reuters, o Japão iniciou negociações com o Governo de Djibouti para a expansão de sua própria base militar no país.

Considera-se que, de fato, a instalação da base militar no exterior é um marco importante na política externa chinesa. Mesmo que a Base de Suporte Logístico seja utilizada apenas para missões de paz da ONU, a presença permanente de militares além de seu âmbito regional é indicador relevante acerca da crescente influência global de Beijing. Do ponto de vista de Djibouti, a disputa geopolítica entre potências extra-regionais por acesso militar ao seu território representa formidável oportunidade para atração de investimentos capazes de modernizar a economia do país. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PortaAviões chinês Liaoning” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dalian_Liaoning_China_CNS_Liaoning_(CV-16)-01.jpg

Imagem 2Mapa da Ferrovia Addis AbabaDjibouti” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/70/Map_of_Addis_Ababa-Djibouti_Railway.png/800px-Map_of_Addis_Ababa-Djibouti_Railway.png

Imagem 3Tropas do Exército Djibutiano em cerimônia oficial” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Djibouti_Army_stand_at_attention.jpg

 

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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