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China amplia cooperação militar com o Camboja

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Uma das diretrizes da política externa chinesa consiste na busca de aliados na região da Ásia-Pacífico. Essa orientação é ainda mais acentuada face às recentes tensões no Mar do Sul da China. Nesse contexto, não é surpreendente o fortalecimento dos vínculos militares entre a China e o Camboja, no ano em que o relacionamento bilateral completa 60 anos. 

Os laços de defesa entre os dois países são bastante antigos, sendo a China o maior doador de ajuda militar ao Camboja. Segundo Carlyle Thayer, especialista em Sudeste Asiático na Academia de Força de Defesa da Austrália, a posição privilegiada dos chineses na cooperação militar deriva principalmente da falta de condicionalidade de apoio militar a progressos em relação ao status de direitos humanos no país. Apesar do caráter histórico dos vínculos em Defesa, a cooperação cresceu mais significativamente no último ano (2017).

A maior presença chinesa contrasta com a redução de iniciativas conjuntas entre os cambojanos e os Estados Unidos. Em janeiro de 2017, autoridades do Camboja recusaram-se a participar do exercício militar Angkor Sentinel*, alegando que estariam impossibilitadas por causa das eleições locais, realizadas em junho passado, e da campanha contra os crimes ligados ao tráfico ilegal de drogas. Jay Raman, então representante da embaixada dos EUA no Camboja, garantiu que apesar de não haver exercícios conjuntos a serem realizados em 2017 e em 2018, isso não afetaria o relacionamento bilateral. Em 27 de fevereiro de 2018, contudo, a Casa Branca anunciou que haveria o corte de ajuda ao Camboja, inclusive no âmbito de cooperação de Defesa.

Operação Golden Dragon 2016

No dia 17 de março de 2018, algumas semanas após o anúncio de Washington, foi lançada a operação Golden Dragon 2018, em que 280 soldados cambojanos e 216 soldados chineses realizam atividades conjuntas, como lançamento de mísseis, tiros de helicóptero e até mesmo reparo de estradas. O exercício está centrado em contraterrorismo, cooperação humanitária e assistência durante desastres. A operação durará até o dia 30 de março, sendo mais longa do que a versão de 2016. Em um espaço de tempo curto, portanto, houve duas grandes iniciativas de cooperação militar com Pequim, enquanto o relacionamento com Washington tornou-se mais complexo.

Para o Camboja, as relações com os chineses são benéficas por melhorarem sua posição militar em relação a outros países do Sudeste Asiático, além de garantirem apoio no caso de conflito com algum vizinho. Para a China, a cooperação com o Camboja garante um aliado forte e bem treinado, com acesso ao mar meridional, palco de tensões territoriais com vizinhos e área de interesse para os Estados Unidos. 

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Nota:

* O Exercício Militar Angkor Sentinel constitui-se do exercício conjunto entre EUA e Camboja, realizado anualmente desde 2010, com o objetivo de fortalecer as capacidades dos dois países de assistência humanitária e alívio para desastres, além de fortalecer a cooperação militar. No último exercício, em março de 2016, participaram cerca de 150 militares.

Dados do departamento de defesa dos EUA: https://www.defense.gov/News/Article/Article/695255/us-cambodian-forces-partner-for-exercise-angkor-sentinel-2016/

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Retratos do Presidente Xi Jinping e do Rei Norodom Sihamoni” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cambodia–China_relations

Imagem 2Operação Golden Dragon 2016” (Fonte):

 http://english.chinamil.com.cn/view/2016-12/27/content_7426135_28.htm

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-cambodia-defense-ties-in-the-spotlight-with-military-drills/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/the-truth-about-us-china-competition-in-cambodia/

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2017/04/why-did-cambodia-just-downgrade-us-military-ties-again/

[4] Ver:

https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/statement-press-secretary-reduction-assistance-government-cambodia/

[5] Ver:

https://www.voanews.com/a/cambodia-china-joint-military-drills-us-relations-cool/4302875.html

[6] Ver:

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/201701167441114-camboja-eua-relacoes/

Jonas Marinho - Colaborador Voluntário

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

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