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China: “Ano do Dragão” será ano de boas relações China-África

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A China está próxima de entrar no ano 4.710 do seu calendário lunar, equivalente a 2012 em nosso calendário (solar). Como o país trabalha as políticas econômicas mantendo suas tradições mais antigas, para este ano não será diferente. É o “Ano do Dragão”, que, de acordo com o especialista em “Feng Shui” e “Horóscopo Chinês”, mestre I Ming, da “Sociedade Feng Shui no Brasil”,   “será um período de muitos esforços para quem quer superar as grandes dificuldades impostas pelo dragão”* e “para a alegria de muitos, a economia mundial terá uma recuperação positiva, mas a natureza continuará a mostrar sua fúria para provar que é a verdadeira dona do mundo”*.

 

Para muitos ocidentais tais “superstições” podem não ser importantes, mas, para os povos asiáticos, algumas tradições são levadas em conta no momento em que se está realizando projeções e pesando a aplicação de políticas econômicas. Os chineses crêem que este será um ano de grandes desafios e eles terão de trabalhar com “confiança” em suas estratégias internas e externas para chegarem ao sucesso.

Com os dados econômicos do período de 2011, Beijing não deixará de considerar suas tradições mais antigas para se projetar em 2012. Afinal, no ano passado o “Produto Interno Bruto” (PIB) teve um crescimento de apenas 9,2%, abaixo dos anos anteriores, cujos crescimentos foram acima dos 10%. Assim, os fatores de coesão interna, logo suas crenças e tradições, emergem como elementos importantes para o cálculo de forças e formulação do planejamento estratégico do Governo.

Ao longo de 2011, percebemos que os chineses trabalharam mais em “cooperação” com muitos países do continente asiático e na África, porém, em relação os africanos, as políticas adotadas pelo país asiático vem recebendo críticas de vários Estados africanos, bem como de europeus e norte-americanos, demonstrando que as políticas chinesas para a região deverão trabalhadas no fator “confiança”, para superar as críticas de outros países neste momento inicial. Curiosamente, para o “ano do dragão”, estima-se que esforços para superar as barreiras são grandes no início, mas resultarão em benefícios ao longo prazo.

Durante uma coletiva de imprensa, realizada na semana passada (no dia 20), o porta-voz da Chancelaria chinesa, Liu Weimin, afirmou que a “Cooperação China-Africa” não tem interesses apenas na busca de recursos energéticos voltados para o crescimento chinês, acrescentando que seu país foi um dos que mais trabalhou com os países africanos em outros campos, como o político, o comercial, nas humanidades e noutros assuntos internacionais. Se forem relacionadas as relações sino-africanas por números, não há como desconsiderar os mais de US$ 120 bilhões no comércio China-África ocorrido em 2011.

Para não aparentar apenas interesse “energético”, as políticas chinesas para o continente africano sempre foram relacionadas ao comércio (centrado na importação de produtos primários africanos), mas também relacionadas ao intercâmbio cultural (onde existem investimentos chineses em parcerias com laboratórios e universidades africanas, objetivando melhorar a mão de obra local para a instalação de empresas da China no continente). São parcerias diversas com intuito de apagar uma parte desta imagem “interesseira” de Beijing no continente.

As relações de muitas nações com a África está relacionada à importação de bens primários. Tanto os europeus, como os norte-americanos, e mesmo os brasileiros têm seus interesses voltados para algum setor do mercado de importação e exportação dos países deste continente. O que impulsionou melhor o relacionamento dos africanos com um ou outro país foram suas relações fora do campo comercial. Neste aspecto ganharam pontos o Brasil e a China, que trabalharam melhor as relações sócio-culturais.

Desde o ano de 2010, ao longo das Notas e Análises sobre o tema apresentadas no “Jornal do CEIRI”, vem sendo informadas as várias formas de cooperação entre lusófonos, africanos e chineses. Em janeiro do mesmo ano, foi comentado sobre a força que os países dos BRIC (até então era apenas BRIC e não BRICS, como atualmente) ganhavam no mercado africano, por trabalharem com outros pontos fora das puras relações comerciais. Um das grandes ações chinesas, por exemplo, foi trabalhar com a concessão de crédito para obras de infra-estrutura na região, focadas nos transportes e em outros setores que facilitariam o escoamento dos produtos africanos para o mundo, ganhando, por conseguinte, suas preferências nestas transações.

Atualmente, a empresa estatal angolana Mecanagro conseguiu um empréstimo de 40 milhões de dólares do “Banco de Exportações e Importações da China” (ExIm). Segundo o presidente da empresa, Carlos Alberto Jaime Pinto, tinham pretensões de iniciar seu processo de modernização em comemoração ao seu 11º aniversário, o que lhes foi permitido devido ao crédito concedido pelo Banco chinês. Esta Estatal é uma das grandes empresas do setor agrícola do país e atua com Projetos visando melhoras no setor, desde o transporte até a construção de brigadas de engenharia rural.

A participação chinesa por meio da ExIm em Angola tem bons resultados a serem apresentados. Nos anos de 2005-2006, proporcionou a recuperação de mais de 800 km de estradas. Em 2010, foram 56 escolas, 24 hospitais, 10 estações de tratamento de água, estações de televisão, estações de transmissão de energia elétrica e mais quilômetros de estradas recuperadas. Esses dados foram positivos para o país, pois a crescente participação de empréstimos chineses contribuiu para o maior interesse de outras nações na região, tais como o Japão, alguns países europeus e os Estados Unidos.

As políticas chinesas para países como Angola foram positivas também para a manutenção de suas relações diplomáticas e comerciais, adotando, porém, a estratégia de atuar com múltiplas regiões para que sua economia não fique à mercê de recursos centrados de uma única região ou país. Mesmo com reais diferenciações e assimetrias, as políticas beneficiaram ambos os lados, apesar dissoo país não ficou a salvo das críticas de especialistas econômicos africanos e de outros países. Por essa razão, acredita-se que a China priorizará a melhora das relações com a África neste ano de 2012.

Liu Wemin afirmou que seu país irá aprofundar a confiança mútua e estratégica com a “União Africana” (UA), esperando desenvolver boas relações comerciais com seus membros e levar uma nova visão da presença chinesa no continente.  Para atingir os objetivos, foi inaugurado o “Projeto AUCC” (Centro de Conferencia China-União Africana).

Ressalte-se que, com a UA, Bejing começou suas relações com o “pé direito”. A instituição africana recentemente inaugurou o novo edifício, em “Addis Abeba”, na Etiópia, tendo ele sido construído com auxílio do Governo chinês, o que foi considerado como um símbolo pelos chineses. Conforme declarou Jia Qinglin, presidente do “Comitê Nacional do Povo da China em Conferência Consultiva Política” (CCPPC), ao  inaugurar o Projeto AUCC na “18a Cimeira da UA” o edifício é “um monumento da amizade de longa data entre a China e África. (…). Até agora, o Projeto AUCC foi concluída com êxito, que passará a ser um novo monumento da amizade de longa data entre a China e África”**.

Também declarou Xiaoyan, o recém nomeado embaixador da China na Etiópia: “A China está inabalavelmente empenhada em fornecer ajuda para os nossos irmãos africanos dentro de nossa capacidade. Um dos destaques da visita do presidente Jia é para inaugurar e entregar a AUCC, que é uma generosa doação do governo chinês para a União Africano”**.

O movimento chinês para o continente africano demonstra suas prioridades no que tange as relações sino-africanas neste ano. São ações que transparecem a disposição em afirmar uma presença positiva naquele espaço, sem poupar esforços políticos e financeiros, objetivando ser o grande parceiro da África.

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Referências:

* VerJornal do CEIRI”:

http://jornal.ceiri.com.br/2011/12/01/otimismo-nas-relacoes-china-africa/

Ver Também:

http://blogceiri.com.br/?p=143

Ver tambémMacau Hub”:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2012/01/20/mecanagro-de-angola-vai-ser-modernizada-com-emprestimo-do-banco-exim-da-china/

Ver tambémCRI”:

http://portuguese.cri.cn/561/2012/01/20/1s145203.htm

** VerGlobal Times”:

http://www.globaltimes.cn/NEWS/tabid/99/ID/693027/New-AUCC-Project-stands-new-monument-of-long-standing-friendship-between-China-Africa-Chinese-Ambassador.aspx

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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