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China avança na liberalização de seu sistema financeiro para o capital estrangeiro

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No dia 10 de novembro de 2017, o Governo da República Popular da China anunciou que permitirá que estrangeiros sejam sócios majoritários de empresas que atuam nos mercados de futuros, seguros e fundos no mercado financeiro do país. Além disso, o Ministro da Fazenda, Zhu Guangyao, afirmou que a completa propriedade estrangeira sobre instituições financeiras em território chinês deverá ser liberalizada dentro dos próximos três anos.

A iniciativa foi recebida com entusiasmo por investidores internacionais. Percebe-se que, apesar de a China possuir a segunda maior economia do mundo, o sistema financeiro do país asiático ainda é extremamente regulamentado e predominantemente estatal. Por conta disso, William Zarit, diretor da Câmera de Comércio da China, afirmou que “a abertura do setor financeiro deverá melhorar a alocação de recursos e impulsionar a continuidade do desenvolvimento chinês”.

O domínio do setor financeiro por instituições públicas e a imposição de controles de capitais pelo Estado foram elementos centrais na estratégia de desenvolvimento econômico do país. Mesmo após 39 anos do início das reformas liberalizantes do ex-presidente Deng Xiaoping, nota-se que 48% dos ativos do mercado financeiro chinês é controlado por quatro Bancos estatais. No entanto, conforme destaca o Global Times, periódico oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), os objetivos estratégicos da internacionalização da moeda chinesa (Yuan) e a realização dos investimentos da Iniciativa do Cinturão e da Rota requerem uma maior integração do país no mercado financeiro internacional. 

As medidas liberalizantes ocorrem em um contexto no qual aumenta a pressão do Governo estadunidense pela abertura da economia chinesa, bem como surgem dúvidas quanto a estabilidade do mercado financeiro da nação asiática. Nesse sentido, Jin Canrong, especialista da Universidade de Renmin, considera que as mudanças “objetivam ampliar o acesso ao mercado interno chinês, um dos três principais problemas que o Presidente Trump ressaltou, junto com o desequilíbrio comercial e a falta de proteção à propriedade intelectual”.

Além disso, um número crescente de analistas sugere a existência de uma bolha especulativa no mercado financeiro da China. O próprio Presidente do Banco Central do país, Zhou Xiaochuan, afirmou que “os empréstimos não executáveis aumentaram nos últimos anos, erodindo o capital bancário e a resiliência de risco do sistema”.

Portanto, considera-se que a liberalização do mercado financeiro chinês para o capital estrangeiro está inserida na redefinição da estratégia de desenvolvimento do país, a qual fundamenta-se na internacionalização da sua economia, explicitada da Iniciativa do Cinturão e da Rota. Nesse contexto, o desafio que se impõe para a política monetária da China será evitar que a crescente integração e interdependência com os mercados internacionais resultem no aumento da instabilidade do seu setor financeiro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Yuan, a moeda chinesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e6/Yuan-chino-moneda-de-reserva-2.jpg

Imagem 2Funcionária trabalhando na filial do Banco de Comércio e Indústria da China em Madri” (Fonte):

http://www.zimbio.com/pictures/GuwkgWyk0PF/Chinese+Bank+Opens+Branch+Madrid/q-jg_YZaAvV

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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