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China constrói a maior rede de trens de alta velocidade do mundo

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A China construiu em seu território uma rede de ferrovias de alta velocidade com mais de 16.000 km, que passam pelos mais variados relevos e climas. O país desenvolveu esta tecnologia de forma endógena, através de processos de engenharia reversa. Paralelamente a isto, seus engenheiros foram criando inovações que lhes tornou extremamente competitiva neste setor. 

Mapa das linhas ferroviárias distribuídas sobre o território chinês

A construção de grandes obras de infraestrutura está diretamente ligada à tradição cultural da China Imperial. Naquela conjuntura, a construção dos Grandes Canais de Irrigação possibilitou assegurar a dimensão e unificação do território chinês, conectando os excedentes produtivos de arroz das terras irrigáveis ao sul do país, com o Norte mais seco e que apresentava problemas de segurança alimentar.

No contexto atual, o país possui 121.000 quilômetros de ferrovias, constituindo 60% do total global. Os chineses têm o objetivo de estender a sua rede de ferrovias de alta velocidade para um total de 30.000 quilômetros, incluindo os países situados em seu espaço regional imediato. A construção de ferrovias de alta velocidade parece ser o foco inicial da Nova Rota da Seda (“Belt and Road Initiative”). A partir da Província de Xinjiang está sendo construída uma imensa rede de ferrovias conectando o país ao Afeganistão, Paquistão, Quirquistão, Tadjiquistão, Irã e partindo rumo à Europa.

Projeção Ortográfica da Eurásia

O aumento da conectividade do espaço eurasiático através da construção civil é uma forma de promover a integração regional, além de projetar a influência chinesa sobre seu entorno estratégico. Por outro lado, analistas críticos às obras da China enfatizam que os seus custos são demasiadamente elevados em relação aos benefícios esperados e que o país deve atentar para o crescimento de sua dívida interna, que se encontra em 257% do PIB.

A estratégia chinesa aposta na construção de ferrovias de alta velocidade rumo ao oeste do seu território, no sentido de que isto promova o desenvolvimento desses locais, barrando inclusive as demandas separatistas de regiões como Yunnan e Xinjiang. Observando a expansão das ferrovias ocorrida nos Estados Unidos (EUA) no século XIX, vozes mais críticas afirmam que esta trajetória provavelmente não se repetirá em solo chinês, devido à diversidade étnica do país.

Por fim, apesar das críticas, a China avança com suas grandes obras de infraestrutura. Um recente estudo do Banco Mundial retraça uma série de pesquisas teóricas e empíricas demonstrando em seus resultados uma correlação positiva entre o investimento em infraestrutura, o aumento da renda, a elevação da demanda agregada e a redução da desigualdade social, sendo que os autores apontam que estes fatores se intensificam no caso de países emergentes. No momento, a China possui duas grandes linhas ferroviárias bidirecionais de orientação norte-sul e leste-oeste, que, por sua vez, vão se capilarizando em diversas rotas menores espalhadas pelo território nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Unidade do sistema de ferrovias da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2d/China_railways_CRH2_unit_001.jpg

Imagem 2Mapa das linhas ferroviárias distribuídas sobre o território chinês” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fc/Rail_map_of_China.svg/2000px-Rail_map_of_China.svg.png

Imagem 3Projeção Ortográfica da Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c1/Afro-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg/2000px-Afro-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg.png

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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