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China e Coreia do Sul anunciam reaproximação após impasse sobre o sistema antimísseis

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No dia 31 de outubro de 2017, os governos de China e Coreia do Sul anunciaram a intenção de reparar suas relações bilaterais. As tensões entre as duas nações asiáticas se elevaram após a implementação do Sistema de Defesa Aérea Antimísseis (THAAD, sigla em inglês) em território sul-coreano no início deste ano (2017). A iniciativa de reaproximação ocorre após a Ministra das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Kang Kyung-wha, afirmar que o país não considera introduzir novos sistemas de armas e não participará de alianças militares trilaterais com Estados Unidos e Japão

O THAAD consiste em um conjunto integrado de radares e equipamentos capazes de interceptar mísseis de curto e médio alcance durante suas respectivas trajetórias. De acordo com os governos estadunidense e sul-coreano, a implementação do sistema antimísseis na Coreia do Sul objetivaria mitigar a ameaça de ataques nucleares originários da Coreia do Norte. No entanto, segundo o analista Ankit Prada, Beijing teme que a tecnologia militar presente no THAAD implique na supressão da capacidade de dissuasão nuclear das forças estratégicas chinesas.

Interceptador do Sistema de Defesa Aéreo Antimísseis (THAAD, sigla em inglês)

Por conta disso, as relações bilaterais entre China e Coreia do Sul se deterioram ao longo de 2016, quando Washington e Seul avançaram na implementação do programa antimísseis na península. Na ocasião, Wu Qian, Ministro da Defesa chinês chegou a afirmar que “a implantação do THAAD na República da Coreia desestabiliza a balança de poder regional e afeta a confiança estratégica da China com a Coreia do Sul e os Estados Unidos”. Ademais, de acordo com a imprensa sul-coreana, Beijing impôs uma serie de sanções econômicas que representaram perdas estimadas em 12 bilhões de dólares para a economia sul-coreana.

Do ponto de vista chinês, a reaproximação entre os dois países abrirá espaço para o avanço de soluções diplomáticas para as questões securitárias que envolvem a Coreia do Norte. Por sua vez, na perspectiva sul-coreana, a mitigação de tensões com a China não só trará benefícios econômicos, como também permitirá maior capacidade de barganha em relação aos Estados Unidos. Nesse sentido, o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul publicou nota afirmando que “ambos os governos entendem que o fortalecimento do comércio e da cooperação entre a Coreia do Sul e a China como um interesse compartilhado e concordaram em normalizar suas colaborações em todas as áreas”.

Por fim, nota-se que a superação do impasse em torno da implementação do THAAD  ocorreu em um contexto no qual o Presidente da China, Xi Jinping, consolidou sua autoridade internamente, pouco antes da visita do presidente estadunidense Donald Trump ao continente asiático. Desse modo, indica-se que a política externa da Coreia do Sul, sob o comando do presidente Moon Jae-in, buscará posições que lhe permitam maior capacidade de barganha, tanto no que tange ao poder econômico de Beijing, quanto à dependência securitária do país em relação à Washington.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Xi Jinping, Presidente da China, e a exPresidente da Coreia do Sul, Park Geunhye” (Fonte):  

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Korea_China_Press_Conference_20130627_03.jpg

Imagem 2 Interceptador do Sistema de Defesa Aéreo Antimísseis (THAAD, sigla em inglês)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:The_first_of_two_Terminal_High_Altitude_Area_Defense_(THAAD)_interceptors_is_launched_during_a_successful_intercept_test_-_US_Army.jpg

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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