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China e Rússia propõe plano de redução de tensões na península coreana

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No dia 3 de julho de 2017, apenas 5 dias antes do início das reuniões do G20, os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladmir Putin, encontraram-se em Moscou. A visita do líder chinês ocorreu na semana em que a Coreia do Norte testou com sucesso um novo míssil balístico intercontinental (ICBM, sigla em inglês). Dessa forma, os dois presidentes aproveitaram a ocasião para lançar conjuntamente um plano diplomático para a redução das tensões na península coreana. Ambos defendem a suspensão imediata dos testes por parte de Pyongyang, bem como o congelamento dos exercícios militares entre Estados Unidos (EUA) e Coreia do Sul. 

Mísseis balísticos norte-coreanos desfilando em parada militar em Pyongyang.

O Ministro da Defesa da sul-coreano, Han Min-koo, salientou que o novo míssil testado por Pyongyang, o Hwasong-14, possui alcance estimado de 4970 milhas náuticas, sendo capaz de atingir os territórios estadunidenses do Havaí e Alaska. Nesse contexto, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, alegou que o lançamento, realizado no dia de comemoração da independência dos EUA, foi “um presente para os bastardos americanos”. Com isso, Washington e Seul responderam por meio da realização de exercícios militares conjuntos e da convocação de reunião de emergência no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nessa ocasião, a Embaixadora na ONU, Nikki Haley, ressaltou que “Os EUA estão preparados para usar todas as suas capacidades para defender nós mesmos e nossos aliados. Entre nossas capacidades está uma força militar considerável. Nós a usaremos se for necessário, mas preferimos não sermos obrigados a ir nessa direção”.

Nessa conjuntura, o Governo estadunidense cobra maior colaboração da China na imposição de sanções econômicas e diplomáticas para pressionar o regime norte-coreano. Por exemplo, em mais um esforço diplomático realizado pelo Twitter, o presidente Donald Trump declarou que “O comércio entre China e Coreia do Norte cresceu 40% no primeiro quadrimestre. A China não trabalhará conosco – pelo menos nós tentamos”. Em contrapartida, o Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, respondeu em entrevista coletiva que “como vizinha da Coreia do Norte, a China mantêm relações econômicas e comerciais normais com esse país”.

Equipamentos do sistema antimísseis estadunidense desembarcando na Coreia do Sul.

Assim, analistas argumentam que a iniciativa diplomática conjunta dos presidentes Xi Jinping e Vladmir Putin pode ser interpretada como uma alternativa moderada à abordagem confrontacionista propagada por Washington. O comunicado oficial conjunto propôs que “a Coreia do Norte se comprometa voluntariamente a suspender todos os testes com explosivos nucleares e mísseis balísticos, e, em contrapartida, os EUA e a Coreia do Sul se abstenham de realizar exercícios militares conjuntos. Simultaneamente, as partes em conflito devem iniciar o diálogo e se comprometer com princípios comuns em suas relações, como o não uso da força, a coexistência pacífica e a desnuclearização da península coreana”.

Ademais, os dois líderes também manifestaram oposição conjunta em relação ao posicionamento dos sistemas de defesas antimísseis estadunidense no nordeste asiático. O comunicado oficial afirma que: “o posicionamento do sistema antimíssil no nordeste asiático inflige riscos sérios para os interesses estratégicos de segurança dos países da região, incluindo Rússia e China”.  Logo, nota-se que, enquanto surgem tensões entre os EUA e alguns de seus aliados tradicionais, Rússia e China consolidam uma parceria estratégica em torno da convergência de interesses sobre as principais questões da conjuntura política internacional atual. De acordo com o Presidente Xi Jinping, as relações entre os dois países são “as melhores em toda a história”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da Rússia, Vladmir Putin, e o Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/50228

Imagem 2Mísseis balísticos nortecoreanos desfilando em parada militar em Pyongyang” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Pukguksong-2

Imagem 3Equipamentos do sistema antimísseis estadunidense desembarcando na Coréia do Sul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Terminal_High_Altitude_Area_Defense#/media/File:Two_THAAD_launchers_arriving_in_South_Korea_in_March_2017.jpg

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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