LOADING

Type to search

[:pt]China está determinada a protagonizar a Quarta Revolução Industrial[:]

Share

[:pt]

Aprendemos sobre a Revolução Industrial, cujo início se deu na Inglaterra do século XVIII. Neste acontecimento, que, na realidade, foi um processo ocorrido em longo prazo, passou-se do modelo basicamente artesanal do processo produtivo de manufaturas para o modo industrial de produção em maior escala.

Em seguida, houve a chamada “Segunda Revolução Industrial”, que durou de meados do século XIX até a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), período em que houve a transformação do processo de fabricação simples para a produção em série, marcada pela divisão de tarefas, especialização da atividade dentro da fábrica e uso da energia elétrica. A produção em série foi desenvolvida especialmente por Henri Ford, nos Estados Unidos da América, com seu modelo de carro Ford T, cujo aquisição era possível à massa de consumidores porque o preço era acessível, uma vez que sua produção se dava em larga escala. Além disso, seus empregados ganhavam bem mais que os trabalhadores da concorrência e nenhum deles fazia o serviço todo: cada um era especialista em uma peça ou componente do veículo, ou na montagem, ou no marketing, ou nas vendas, assim por diante.

Após a Segunda Guerra Mundial até o presente momento, ocorreu o que alguns economistas chamam de a “Terceira Revolução Industrial”, que tem como principais características o uso de tecnologia avançada, do petróleo e da energia nuclear, a globalização da economia e a maior competição entre várias empresas que passaram a adotar não apenas o marketing doméstico, mas também o marketing internacional e o global.

A robotização e automação das indústrias, a telecomunicação via satélite nas empresas, o uso de computadores pessoais, dos caixas de atendimento eletrônico, de softwares e smartphones pelos consumidores catapultaram as sociedades para um modelo de civilização extremamente sofisticado. Á medida que esses avanços iam ocorrendo, o surgimento e popularização da Internet nos anos 1990, levou a que fosse iniciado nos países mais desenvolvidos do mundo aquilo que muitos economistas chamam de a Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0, a qual ganhou destaque recentemente, porque foi o tema central do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), em 2016. Nesse sentido, é importante entender o que vem a ser esta Quarta Revolução Industrial e qual a estratégia da China para ela.

A Quarta Revolução Industrial é vista como o fenômeno da educação estruturada para melhor exploração da Internet e dos recursos tecnológicos, com o objetivo de desenvolver uma economia cibernética (Cybereconomia), combinada com a menor, ou melhor utilização dos recursos naturais e energéticos. É a economia limpa e de automação digital, com ênfase na Internet das coisas (IoT), na computação em nuvem e nos sistemas cyber-físicos, como as impressoras 3D. Além disso, ocorre a adoção do conceito de cidades inteligentes.

Um exemplo dessa concepção é a substituição das cartas e memorandos de papel por mensagens eletrônicas (e-mail), rompendo com as indústrias da celulose (papel) e serviços de entrega de correspondências. O que vale é a informação, não o arquivo que a transporta. Hoje, é possível pensar em produtos chegando nas residências “pela Internet”, algo viável com o uso de impressoras 3D, ligadas à Internet. Por esse sistema, alguém poderá “baixar” programas de computador para a construção de equipamentos ou protótipos de peças industriais de design do remetente.

Conforme exposto na Nota Analítica “‘Internet+’, o Programa de Digitalização da Economia Chinesa”, o Governo da China está seriamente comprometido na robotização e digitalização da economia para a promoção do seu crescimento, e, com isso, vem aumentando sua parceria com a Alemanha, país que, inclusive, cunhou o termo “Indústria 4.0”, em 2012.

A China é um parque industrial com a aspiração de integrar a elite de países que vendem ideias e desenhos industriais e lucram com os royalties de suas criações, porque essa nova economia tem menos foco nos processos de produção e mais enfoque no marketing, na venda e na entrega de produtos e serviços.

Os Estados Unidos da América (EUA) e a Alemanha são arautos dessa nova economia e são sedes de grandes empresas de tecnologia como Google, Facebook, AirBnb, Siemens, Nokia e Yasni, tendo a China determinado que se igualará a eles, do ponto-de-vista econômico e tecnológico, razão pela qual vem realizando investimentos, especialmente em educação, ciência e tecnologia.

Nesse sentido, os chineses ativaram sua Quarta Revolução Industrial para realizar outro grande salto, podendo avançar mais, com o intuito de participar como protagonista na condução do processo histórico deste século XXI, juntamente com as demais potências globais. Para efeitos comparativos, o Brasil*, a segunda maior potência econômica do BRICS, ainda mantém suas relações comerciais pelo globo focada essencialmente no desenvolvimento do setor de commodities, permitindo, assim, que seu parque industrial de manufaturas seja lentamente empobrecido, graças à falta de planejamento de longo prazo, bem como de estímulos e investimentos para a indústria de ponta, tanto de recursos quanto de tecnologia sensíveis. Em poucas palavras, China já está na Quarta Revolução Industrial. O país elaborou e implementou uma estratégia nacional de mudança de economia baseada em commodities, caminhando agora para uma cybereconomia de design, marcas, patentes e serviços digitais (digitalização)**. Observa-se que a China está determinada a protagonizar a chamada Quarta Revolução Industrial ou, ao menos, “pegar carona” no fenômeno da digitalização dos processos produtivos.

Acredita-se que essa inclinação para uma indústria de serviços baseada na Web/Internet reduzirá o desmatamento, a poluição e a emissão de gases tóxicos, porém diminuirá ainda mais as compras de commodities pela China, enfraquecendo as economias dos países membros do BRICS, muito dependentes da exportação de alimentos, minérios e fontes de recursos energéticos para garantir o equilíbrio de suas balanças comerciais.

———————————————————————————————–                    

* Foi justamente durante a Segunda Guerra Mundial que o Brasil conseguiu transformar sua economia basicamente agrária para uma economia industrial, quer manufatureira, quer de produção de energia e recursos naturais, para satisfazer o parque industrial das principais potências econômicas, tendo sido esta sua principal vocação. (N. do A.)

** Esta tese foi desenvolvida por mim e é apresentada em artigos, palestras e cursos.

———————————————————————————————–                    

Imagem (Fonte):

http://news.alkipage.com/imprensa-chinesa-pede-punicao-a-empresas-de-tecnologia/

[:]

Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

  • 1

2 Comments

  1. Maria 17 de agosto de 2016

    Ótimo artigo, porém fiquei em dúvida de como a China estando inclinada para a indústria de serviços baseada na Web/Internet diminuirá ainda mais as compras de commodities. Não compreendi ligação entre o crescimento da indústria de serviços e a diminuição do consumo das commodities ?!

    Responder
  2. Marcelo de Montalvão 19 de setembro de 2016

    Indústrias de serviços do setor terciário, especialmente digitais, são mais "verdes", mais limpos porque menos dependentes de energias não-renováveis do setor primário como as indústrias da transformação, o manufaturamento do setor secundário.

    Responder

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!