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China ganha novos parceiros diplomáticos na América Latina

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A América Latina foi área de forte influência dos Estados Unidos por muito tempo. Desde o século XIX, os norte-americanos exerceram forte presença na região, por meio da cultura, do comércio e de investimentos. No século XXI, contudo, a China desponta como ator relevante no subcontinente. O fluxo de capitais chineses para países latino-americanos aumentou significativamente nos últimos 10 anos. Além disso, os laços comerciais também foram aprofundados. Isso implicou o crescente interesse dos países da região em aproximar-se dos chineses. A maior aceitação da política de uma só China* é sinal dessa aproximação.

A política da China única significa a afirmação de que Taiwan é parte inseparável do território chinês. O governo estabelece, no preâmbulo de sua Constituição, que “Taiwan é parte inseparável da República Popular da China. É sublime dever de todo o povo chinês, incluindo nossos compatriotas de Taiwan, lograr a grande tarefa de reunificar a pátria-mãe”. Essa posição implica que, para manter relações com a China, não é possível ter relações com Taiwan.

Na América Central, os taiwaneses encontram muitos de seus aliados. Atualmente, 10 dos 19 países que mantêm relações com a ilha estão na América Latina e no Caribe. Isso ocorre, em parte, devido à histórica presença dos Estados Unidos na região e desconfianças em relação aos chineses. Esse cenário, contudo, está mudando. O crescente interesse chinês na América Latina e a disposição dos asiáticos de financiar grandes projetos de infraestrutura estão aproximando os Estados da região do país oriental.

Nesse contexto, a força diplomática de Taiwan, já restrita, é cada vez mais reduzida. Em 2007, a Costa Rica rompeu relações com a ilha e as estabeleceu com a China. Em 2017, o Panamá fez o mesmo. No dia 1o de maio de 2018, a lista aumentou, por meio do anúncio da República Dominicana de que só existe uma China no mundo e que Taiwan é parte inalienável do território chinês. Esse último movimento refletiu o progressivo aumento do comércio de Pequim com os dominicanos, que chegou a U$ 2 bilhões anuais, o que faz do país o segundo maior parceiro comercial dos chineses na América Central.

Veículos multifunção de alta mobilidade

O governo de Taiwan reagiu por meio de críticas a Pequim. Observando os interesses crescentes dos chineses pela República Dominicana desde 2016, o governo insular assinou memorando de entendimentos sobre cooperação e doou 50 veículos automóveis multifunção de alta mobilidade**. Mesmo assim, isso não foi suficiente para evitar o rompimento das relações diplomáticas.

Um oficial taiwanês afirmou que “a República Dominicana escolheu uma forma altamente insensível de acabar com nossa amizade de 77 anos, dando-nos um aviso apenas uma hora antes, como fez o Panamá”. Além disso, Taiwan acusa a China de usar a diplomacia do dólar*** para aproximar-se de países centro-americanos. Essa acusação tem por base o pacote de acordos de investimento de U$ 3,1 bilhões que os chineses prometeram aos dominicanos.

Os rompimentos com Taiwan são exemplos da força crescente da China na América Latina. Os países da região percebem que a amizade dos chineses pode ser importante para o desenvolvimento, em especial na atual conjuntura, em que os Estados Unidos buscam priorizar a política doméstica e reduzem auxílios financeiros ao exterior. O crescente êxito chinês no subcontinente também contribui para isolar Taiwan, que vê sua posição cada vez mais comprometida na arena geopolítica global. 

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Notas:

* A política de uma só China surgiu após a Revolução Chinesa, movimento que instaurou o regime comunista no país. O Kuomintang, partido capitalista, foi para o exílio na ilha de Taiwan e declarou a independência do país. Essa declaração nunca foi aceita pelo Governo chinês.

** Veículos utilitários militares de boa resistência e tempo de uso elevado.

*** Estratégia de aproximar-se de um país por meio de empréstimos, comércio e investimentos. O termo é usado pejorativamente para comparar a ação chinesa à atuação do presidente norte-americano William Taft, no começo do século XX. Ele buscou aliados na América Latina por meio de empréstimos. O termo não é muito agradável para governos latino-americanos, já que remete a um período de forte presença estrangeira em que a soberania local ficou relativamente limitada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Propaganda enfatizando a política de uma só China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/One-China_policy

Imagem 2 Veículos multifunção de alta mobilidade” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/HMMWV

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://en.wikipedia.org/wiki/One-China_policy

[2] Ver:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/01/internacional/1525154024_187618.html

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2018/05/the-dominican-republic-abandons-taipei-for-beijing/

[4] Ver:

http://www.taipeitimes.com/News/taiwan/archives/2018/05/02/2003692363

Jonas Marinho - Colaborador Voluntário

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

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