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China implementa sanções da ONU contra Coreia do Norte

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No dia 5 de agosto de 2017, o Conselho de Segurança da Organizações das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade nova rodada de sanções econômicas contra a Coreia do Norte (DPRK, sigla em inglês, de Democratic People’s Republic of Korea). Além de banir as exportações norte-coreanas de ferro, minério de ferro, chumbo e frutos do mar, a Resolução 2371 também “expande as sanções financeiras, proibindo a formação de joint ventures e entidades comerciais cooperativas com a DPRK”. Segundo Nikki Haley, Embaixadora dos Estados Unidos na ONU, “essa é a mais rigorosa série de sanções impostas a um país em uma geração”. Por sua vez, o Embaixador da China na organização, Liu Jieyi, declarou durante o voto que “a China pede que a Coreia do Norte se submeta às resoluções do Conselho de Segurança e interrompa qualquer ação que possa escalar as tensões na península”.

Conselho de Segurança das Nações Unidas

Especialistas apontam que a aceitação das sanções por parte da China representa duro golpe para a economia norte-coreana. De acordo com a Korea Trade-Investment Promotion Agency (KOTRA, sigla em inglês), os chineses foram responsáveis por 92,5% do comércio internacional norte-coreano em 2016. Ademais, segundo o periódico estadunidense Washington Post, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 10% entre janeiro e junho deste ano (2017), em comparação com o mesmo período do ano passado.

Todavia, o consenso entre Washington e Beijing em torno da Resolução 2371 pode não ser duradouro. Isso porque o Governo estadunidense iniciou oficialmente investigação acerca de suspeitas de roubo de propriedade intelectual por empresas chinesas no dia 18 de agosto. Em resposta, o periódico oficial do Governo chinês publicou em editorial que “a politização do comércio entre os dois países apenas trará prejuízos econômicos para ambos, bem como irá envenenar de maneira abrangente a relação entre EUA e China”. Além disso, analistas destacam a permanência de tensões entre os dois países acerca dos exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul, bem como sobre instalação do sistema antimísseis americano no sudeste asiático.

Nesse contexto, percebe-se como altamente improvável a alternativa de intervenção militar na Coréia do Norte liderada pelos EUA. Tal opção não só representaria potencial para escalada nuclear, como também a possível destruição da capital da Coreia do Sul por mísseis convencionais detidos por Pyongyang. Assim, conforme destaca o analista Alex Capri, “é tarde demais para retirar à força as ogivas nucleares de Pyongyang: o mundo precisará encontrar outras maneiras de solucionar essa questão”.

Por conta disso, a cooperação diplomática entre Washington e Beijing se apresenta como fundamental para o avanço da desnuclearização do regime liderado por Kim Jong-un. Contudo, caso tensões comerciais e securitárias entre os dois países não sejam mitigadas, a coordenação entre ambos tenderá a se tornar cada vez mais difícil.

Conforme destaca Michael Green, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS, sigla em inglês), “a cooperação estratégica para deter a ameaça nuclear da Coreia do Norte pode transformar as relações bilaterais entre Washington e Beijing, enquanto que o incremento das desconfianças pode endurecer as divisões e acelerar o retorno para uma era de hostilidades”. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fronteira entre China e Coreia do Norte” (Fonte):

https://zh.wikipedia.org/wiki/%E4%B8%AD%E6%9C%9D%E5%85%B3%E7%B3%BB#/media/File:Dandong,_Liaoning_Province.jpg

Imagem 2 Conselho de Segurança das Nações Unidas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_Nations_Security_Council#/media/File:Barack_Obama_chairs_a_United_Nations_Security_Council_meeting.jpg

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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