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O acelerado desenvolvimento econômico tornou a China o segundo país mais rico do mundo, depois dos Estados Unidos da América, com tendência a se tornar o mais rico, ainda na virada da década de 2020. Como se não bastasse, a líder do BRICS é a maior credora de títulos da dívida pública dos EUA, com créditos de, aproximadamente, US$ 1,25 trilhão.

Em 2013, analistas de Inteligência da RAND Corporation*, que atende ao Governo norte-americano, publicou no jornal Los Angeles Times um provocativo artigo intitulado “U.S., China and an unthinkable war” (“EUA, China e uma guerra impensável”, em tradução livre), em que preveem um possível ataque preventivo de uma potência contra outra, como estratégia militar de definição da vitória, tendo como possíveis estopins o crescente domínio militar do gigante asiático no Mar do Sul da China, a instabilidade da Coréia do Norte, e a independência de Taiwan, apesar das ameaças urgentes de espionagem cibernética e guerra cambial.

No auge da Guerra Fria, o mundo estava econômica e politicamente dividido entre o Bloco Capitalista (um conjunto de países do Ocidente sob o comando dos Estados Unidos da América) e o Bloco Socialista (Composto pelo Estados aliados da extinta União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, que liderava o conjunto, mas que, a rigor, poderíamos dizer que era comandado pela Rússia). Mesmo encerrado este período histórico, ainda hoje, a Rússia, sob o nome de Federação Russa, é a 2ª maior potência militar do Globo, de acordo com o ranking do site Global Firepower (GF), o qual não leva em conta o volume de armas e o arsenal nuclear, mas o orçamento de Defesa e a mão-de-obra disponível. No entanto, apesar do posicionamento da Rússia, contemporaneamente, a atenção é voltada para a rivalidade entre EUA e China, que está em 3º lugar no ranking do GF e tem se esforçado em aumentar sua capacidade bélica.

Diante do quadro, as posições de analistas convergem para o acirramento desta rivalidade, bem como para a maior probabilidade de enfrentamentos entre ambos. Em 2016, por exemplo, a mesma RAND Corporation elaborou um Estudo de Cenário para 2025, chamado War with China – Thinking Through the Unthinkable” (“Guerra com a China – Pensando Através do Impensável”), onde realizou recomendações estratégicas aos líderes políticos e militares de ambas as potências, evidentemente com maior destaque às ações que os EUA devem tomar para mitigar os riscos de um eventual conflito militar com a China, tais como: aumentar a frota de submarinos para reduzir os efeitos das Anti-Access/Area Denial (A2/AD) chinesas, que são sistemas de defesa para negar o uso do mar por potências estrangeiras, inclusive com mísseis balísticos anti-navio (MBAN); estabelecer acordos com lideranças asiáticas – o Japão, principalmente; e aprofundar as relações militares entre os países, para melhor compreensão de suas capacidades bélicas.

Nesse cenário, a China possivelmente aprofundará as relações militares com a Rússia, potência militar global, potência econômica regional e parceira no BRICS. E o fará quer pela identidade ideológica da Economia Capitalista de Estado de ambos e pela histórica rivalidade que os russos têm com os EUA, quer pela sua capacidade bélica. Uma indicação desse alta probabilidade, foi a confirmação ocorrida no dia 23 de agosto de 2016, terça-feira passada, do encontro do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o Presidente da França, François Hollande, e com a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante a Reunião de Cúpula do G-20, nos dias 4 e 5 de setembro de 2016, em Pequim, para tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, algo que pode representar mais um passo nas conversações para intensificar o pacto de cooperação militar entre China e Rússia.

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* Organização de pesquisa que desenvolve soluções para os desafios de política pública, visando ajudar as comunidades em todo o mundo a tornarem-se mais seguras, mais saudáveis e mais prósperas.

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Imagem (Fonte):

http://www.transconflict.com/2014/09/russiachina-containment-099/

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Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

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