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China protesta contra a inclusão das Ilhas Diaoyu/Senkaku no Tratado de Cooperação Mútua e Segurança EUA-Japão

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A visita de Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), a quatro países asiáticos, Japão, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas, entre 23 e 29 de abril foi acompanhada com muita atenção na China, pois Pequim sempre entendeu que a política de Obama de Pivô para a ÁsiaouReenquilíbrio para a Ásiavisa conter a sua ascensão e estabelecer aliança econômica com outros países do Pacífico através da Parceria Transpacífica (TPP, em inglês).

Mas o que mais preocupa os chineses é o posicionamento dos EUA sobre o país que realmente é legítimo dono das Ilhas Diaoyu/Senkaku. Antes da ida de Obama à Ásia,o Governo americano publicamente afirmava que não participava da disputa, isto é, era neutro, apesar de algumas vezes certas autoridades de primeiro escalão do Governo terem dito que as Ilhas em disputa estavam abrangidas pelo Tratado de Segurança Bilateral, como foi o caso do secretário de defesa Chuck Hagel, que fez tal declaração em maio de 2013[1].

Para a China, a ambiguidadenorte-americana ficou desfeita com a afirmação de Obama, por duas ocasiões, numa entrevista a um jornal japonês[2] e no comunicado conjunto com o primeiro-ministro Shinzo Abe[3], que o Tratado de Cooperação Mútua e Segurança EUA-Japão (TCMS EUA-Japão), de 1960, incluía as Ilhas Diaoyu/Senkaku.     

Reagindo às declarações de Obama ao jornal The Yomiuri Shimbun na edição de 23 de abril de 2014 de que as Ilhas Senkaku estão abrangidas pelo Artigo 5 do “TCMS EUA-Japão” (que estipula as obrigações dos EUA perante o Japão, que se aplicam aos territórios sob administração japonesa) e que Washington se opunha “à qualquer tentativa unilateral para minar a administração das Ilhas pelo Japão”[2], Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que o seu país recusava fortemente a associação daquelas Ilhas à “Aliança Americano-Japonesa”[4].

Qin ainda acrescentou que “os EUA deviam respeitar os fatos [de que as Ilhas são historicamente chinesas] e terem uma atitude responsável, serem discretos nas palavras e atos e jogarem um papel construtivo na paz regional”[4].       

Ao reafirmar no comunicado conjunto com Abe no dia 25 de abril de 2014 o cometimento de apoio ao Japão em caso de invasão das Ilhas Diaoyu/Senkaku, Obama não só enfureceu o Governo chinês como também os analistas e internautas chineses. Para as autoridades chinesas, este posicionamento americano-japonês guia-se por “uma mentalidade da ‘Guerra Fria’[5]. Devem “respeitar os interesses e preocupações dos outros países da região e abster-se de novos distúrbios à paz e à estabilidade regional[5]. O Governo chinês ainda expressou a sua insatisfação através da apresentação dos seus protestos junto dos embaixadores do Japão e dos EUA na China[5].

Por sua vez, os analistas locais dizem que os EUA não podem mudar a posse das Ilhas Diaoyu[6], outros dizem que Washington quer fazer de Tóquio força para conter a China[7]. Ainda se fala que este cometimento de Obama pretende anular as pretensões de Pequim em ser uma potência naval, em particular no Pacífico Ocidental[7].   

A mídia chinesa diz que os internautas chineses, cujo ativismo na política doméstica e externa vem crescendo, estão indignados com o comunicado conjunto EUA-Japão. Além de defender as Ilhas em disputa que são desde os tempos remotos chinesas, muitos cibernautas apelam ao Governo chinês para resolutamente defender o seu território e seus interesses marítimos. Ainda condenam os EUA de minar a estabilidade da região e de se imiscuir nos assuntos internos da China[8]

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Imagem (Fonte):

http://www.scmp.com/news/asia/article/1494942/obama-says-disputed-islands-within-scope-us-japan-security-treaty

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.ibtimes.com/us-takes-japans-side-disputed-territory-east-china-sea-saying-senkaku-islands-fall-under-security

[2] Ver:

http://the-japan-news.com/news/article/0001227627

[3] Ver:

http://www.mofa.go.jp/na/na1/us/page24e_000045.html

[4] Ver:

http://www.voanews.com/content/china-rejects-obamas-stance-on-japan-island-dispute/1899198.html

[5] Ver:

http://www.deccanherald.com/content/402048/china-summons-us-japan-envoys.html

[6] Ver:

http://www.chinausfocus.com/foreign-policy/us-cant-change-the-ownership-of-diaoyu-islands/

[7] Ver:

http://english.cntv.cn/2014/05/01/ARTI1398903084062431.shtml

[8] Ver:

http://english.peopledaily.com.cn/90883/8614501.html

Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.

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