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China realiza em Beijing o “Fórum do Cinturão e Rota para Cooperação Internacional”

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Nos dias 14 e 15 de maio de 2017 foi realizado em Beijing o “Fórum do Cinturão e Rota para Cooperação Internacional”. Idealizado pelo atual presidente da República Popular da China, Xi Jinping, o encontro de alto nível apresentou a “Iniciativa do Cinturão e da Rota” para líderes políticos e empresariais de todos os continentes. O projeto consiste na realização de obras de infraestrutura que conectarão por vias terrestres e marítimas a Ásia, a Europa, a África e o Oriente Médio. Analistas argumentam  que a iniciativa é elemento central da política externa da China e estimam seu valor total em 1,4 trilhão de dólares.  

A agência oficial de notícias do Governo chinês classificou o fórum como: “o evento de maior escala e o encontro internacional de mais alto nível realizado pela China. Entre as autoridades presentes estavam os Chefes de Estado de Rússia, Turquia, Filipinas, Paquistão, Espanha, Argentina, Chile, bem como enviados especiais de Alemanha, França e Reino Unido. Estados Unidos e Coreia do Sul, que haviam anunciado que não participariam do evento, em função da presença de representantes da Coreia do Norte, confirmaram o envio de delegados dois dias antes o início das reuniões. Além disso, também compareceram a Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde (início em 2011); o Presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim (início em 2012); e o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres (assumiu, agora, em 2017).

O Fórum ocorre cinco meses após o Presidente estadunidense retirar os Estados Unidos do “Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica”. Nesse contexto, analistas sugerem que a China desponta como a principal fiadora da globalização econômica mundial, apresentando os recursos materiais e a vontade política para arcar com os custos de tal empreitada. Além disso, a iniciativa também é concomitante à institucionalização de organizações financeiras internacionais encabeçadas por Beijing. Por exemplo, estima-se que o recém lançado Fundo de Investimento de Indústria Marítima da China gere 2,1 trilhões de efeito econômico e afete 65 países.

Principais projetos de vias terrestres e marítimas da Iniciativa para o Cinturão e Rota. Fonte: Wikipedia

O presidente Xi Jinping qualificou a “Iniciativa do Cinturão e da Rota” como o projeto século. Do ponto de vista econômico, especialistas argumentam que ela impulsionará o desenvolvimento das províncias ocidentais da China e diminuirá os custos da exportação dos produtos do país para os mercados da Europa. O periódico El Pais destaca que, de uma perspectiva geoestratégica, o projeto permitirá o acesso chinês ao Oriente Médio e a África por vias alternativas ao Estreito de Malaca. Ademais, de acordo com Pepe Escobar, as obras ampliarão a influência de Beijing na política internacional, principalmente na Ásia Central.

No entanto, analistas apontam que o plano enfrentará uma série de desafios diplomáticos. Por exemplo, a Índia, que já se opõe à construção do Corredor Econômico China-Paquistão, emitiu declaração no dia 14 de maio afirmando que a conectividade global deve ser alcançada com respeito à soberania territorial dos países. Por sua vez, segundo o jornal britânico The Guardian, os Estados membros da União Europeia não assinaram partes do acordo proposto no final do evento, alegando que as garantias de transparência dos empreendimentos são insatisfatórias. Portanto, embora a magnitude da iniciativa seja mais um indicador da centralidade da China no sistema internacional, a implementação das obras será um difícil teste para a política externa do país. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Autoridades reunidas para foto antes do início do início do Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional ” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Belt_and_Road_forum_for_international_cooperation#/media/File:Before_the_beginning_of_the_Belt_and_Road_international_forum.jpg

Imagem 2Principais projetos de vias terrestres e marítimas da Iniciativa para o Cinturão e Rota” (Fonte):

http://wiki.china.org.cn/wiki/index.php/The_Belt_and_Road_Initiative

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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