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China reduz a importação de soja dos EUA e o Brasil poderá ser beneficiado

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A China suspendeu a aquisição da safra de soja norte-americana do ano de 2018, em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos (EUA). O país afirmou que haveria retaliação, se os norte-americanos cumprissem a promessa de aumento das tarifas de importação sobre produtos manufaturados chineses. Neste sentido, a China pretende impor tarifas de 25% sobre a importação da commodity proveniente dos EUA.

Localização da China e do Brasil

O comércio de soja dos chineses com os norte-americanos totalizou US$ 12 bilhões no ano de 2017. Ao cessar as importações dos Estados Unidos, abre-se uma janela de oportunidade para a inserção da commodity brasileira no grande mercado chinês. Quatro unidades da Federação Brasileira concentram 67% da produção nacional do grão, devido ao clima favorável e ao uso intensivo de tecnologia, quais sejam: Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás.

Os EUA são o maior produtor mundial de soja, tendo produzido 117 milhões de toneladas no biênio 2016-2017, seguidos pelo Brasil, que produziu 113 milhões de toneladas no mesmo período. Os portos das regiões Sul e Sudeste do Brasil concentram quase 75% do volume exportado da commodity, fator que tende a concentrar os rendimentos nacionais advindos dos setores de logística e comercialização nestas regiões.

Imagem de uma plantação de soja

Embora o aumento da exportação de soja brasileira seja um efeito positivo e desejável no curto prazo, especialmente em uma conjuntura de crise econômica doméstica, no longo e médio prazo este fator poderá estimular a especialização produtiva e um adensamento do processo de reprimarização da pauta exportadora do Brasil.

A abordagem teórica da complexidade econômica apresenta uma explicação sobre o desenvolvimento das nações através da análise da sua estrutura produtiva. Isto demonstra um recorte acerca do conhecimento acumulado em uma sociedade, que acaba por produzir efeitos na sofisticação dos seus produtos e no seu perfil comercial. À medida que um país consiga produzir e exportar produtos mais complexos e mais intensivos em tecnologia e conhecimento de ponta, incrementa-se o processo de desenvolvimento, produzindo-se um encadeamento positivo para a economia e a sociedade de uma nação.

Neste sentido, o Brasil deveria buscar simultaneamente o posicionamento internacional competitivo no setor primário, onde existem inegáveis vantagens comparativas ligadas à abundância de recursos naturais, e estimular o desenvolvimento de novos produtos e de tecnologias que propiciem o aumento de sua complexidade produtiva.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mandatários do Brasil e da China, Michel Temer e Xi Jinping, respectivamente” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:01-09-2017_Troca_de_Presentes_(36830652821).jpg

Imagem 2Localização da China e do Brasil” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2a/Brazil_China_Locator.png

Imagem 3Imagem de uma plantação de soja” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:PlantacaodeSoja.JPG

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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