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China rumo à liderança em missões de paz da ONU

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A presença em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) é sinal importante sobre as intenções e capacidades de um país em assumir responsabilidades na arena internacional. Nesse sentido, o aumento da presença chinesa indica a relevância atribuída por Pequim à defesa da paz e da segurança internacionais no âmbito multilateral. O crescimento do interesse da China coincide com os anúncios de cortes orçamentários para as missões pela representante dos EUA na ONU, Nikki Haley.

Atualmente, os EUA são os maiores contribuintes para o orçamento das missões de paz, com cerca de 28,5% do total investido. O Governo americano deseja reduzir esse percentual para 25%. A China, por sua vez, é o segundo maior contribuinte, com 10,25%. O percentual chinês segue trajetória inversa ao americano, aumentando gradativamente. Na Cúpula dos Líderes das Missões de Manutenção da Paz, em Nova York (2015), o presidente Xi Jinping prometeu contribuir com 1 bilhão de dólares para as missões nos cinco anos posteriores ao evento.

Antigo pôster de propaganda do exército chinês

Além de estar contribuindo com a estrutura financeira das missões de paz, a China também participa por meio do envio de soldados. Desde 2012, Pequim forneceu mais tropas para as missões do que os outros quatro membros permanentes* do Conselho de Segurança somados. Esse aumento da presença militar permite o treinamento e a modernização de setores das Forças Armadas chinesas, por meio da colaboração conjunta e da troca de conhecimentos com outros países em tempos de paz.

A participação dos chineses tem sido bastante elogiada por autoridades vinculadas à organização. Em 6 de abril de 2018, as forças chinesas participantes da UNIFIL** receberam a Medalha de Honra da Paz da ONU. O general Michael Baery, chefe da missão, afirmou durante a cerimônia que “A capacidade profissional militar, a atitude positiva e assertiva em relação à UNIFIL, bem como a prudente e consciente dedicação das unidades pacificadoras chinesas ganharam reconhecimento mundial”.

A maior influência da China nas missões de paz ajuda o país a expandir seu poder brando*** na arena internacional. Os 2.500 pacificadores chineses estão presentes em 10 missões, incluindo as do Sudão do Sul, Mali, República Democrática do Congo e Darfur. A presença na África, assegurando a paz e provendo serviços de infraestrutura, gera simpatia de vários povos aos chineses, o que é útil para desmistificar a noção de que Pequim é uma nova potência imperialista.

O recuo do governo do presidente Donald Trump em relação ao multilateralismo abriu espaços importantes para que a China pudesse ter ação mais abrangente no âmbito da segurança internacional. A ascensão chinesa nesse domínio fortalece as ambições do país em tornar-se uma potência verdadeiramente global. Para a ONU, o investimento da China nas missões de paz ajuda a minorar os problemas causados pelos cortes propostos pelos EUA.

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Notas:

São membros permanentes: China, EUA, França, Reino Unido e Rússia. Todos têm poder de veto no Conselho de Segurança, órgão que adota decisões vinculantes sobre paz e segurança internacionais.

** Força Interina das Nações Unidas no Líbano, missão criada por meio da resolução 425 do Conselho de Segurança, adotada em 19 de março de 1978, dias após a invasão israelense no sul do Líbano. Tem como objetivo proteger a fronteira do país com Israel e defender a paz e a segurança na região.

*** Poder que não depende diretamente da força militar, mas da capacidade de influência.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tanque XA180 empregado na UNIFIL” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_Nations_Interim_Force_in_Lebanon

Imagem 2 Antigo pôster de propaganda do exército chinês” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/People%27s_Liberation_Army

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Demais Fontes Consultadas:  

[1] Ver:

http://www.france24.com/en/20180328-us-un-tells-countries-pay-bigger-share-peacekeeping-bill

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/04/china-takes-the-lead-in-un-peacekeeping/

[3] Ver:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Força_Interina_das_Nações_Unidas_no_L%C3%ADbano

[4] Ver:

http://www.xinhuanet.com/english/2018-04/07/c_137092746.htm

[5] Ver:

http://www.china-un.org/eng/hyyfy/t1548559.htm

Jonas Marinho - Colaborador Voluntário

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

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