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O ano de 2011 encerrou com “Crise Econômica Global”, “Crises Políticas” em algumas regiões, com especulações sobre o futuro financeiro, bem como sobre os riscos para a Paz e para “Segurança Internacional”. Um dos grandes atores da economia do ano que passou foi a China. No entanto, ainda assim, os analistas estão fazendo especulações e críticas sobre sua economia e sobre sua política interna para este ano que se inicia (2012).

Durante o segundo semestre de 2011, houve especialistas e “Agências Classificadoras de Risco” que questionaram a continuidade do crescimento chinês, indagando sobre a possibilidade de a China sofrer com a crise, tendo uma queda brusca no seu desenvolvimento, o que afetaria diretamente a estrutura de sua economia.

Os chineses também fazem suas previsões de futuro, levantando a possibilidade de diversificar sua carteira de investimentos no exterior. Grande parte desta carteira está no seu maior parceiro comercial, a Europa, que hoje vive seu momento econômico mais delicado devido a crise que se instaurou no continente.

Na visão de Arnaldo Gonçalves (Doutor em “Ciência Política” e “Relações Internacionais”, especializado nas “Relações Sino-Européias” e professor do “Instituto Politécnico de Macau”) as relações entre os asiáticos e europeus está longe de  chegar ao fim, pois, desde 1975, elas são de constante crescimento comercial e, devido aos temas cada vez mais globalizados, tornaram-nas auto-eficientes em termos de um relacionamento “político-econômico”, excluindo a necessidade de um ator específico para intermediar suas ligações.

Em entrevista para o jornal “Hoje Macau”, Arnaldo afirmou que vê um crescimento do comércio de produtos de valor agregado entre os dois lados e, devido a baixa liquidez nos mercados, Beijing vai buscar meios de estar menos dependente da carteira de dívidas do “Tesouro dos Estados Unidos”. Sendo assim, o investimento chinês passará, em partes, a ser direcionado principalmente para empresas européias, numa forma de tentar auxiliar na “reestabilização econômica” da Europa e assim manter suas relações comerciais aquecidas.

Para um país exportador como a China, seus “clientes” precisam estar com o “mercado consumidor” ativo para que suas exportações não sejam afetadas. A redução das exportações para a Europa (o maior parceiro comercial) certamente resultará em queda na produção e no desenvolvimento da economia interna. Apesar de o mundo estar em crise e com os mercados menos aquecidos, o ideal para Beijing é conquistar novos mercados, mas também precisa desenvolver meios para facilitar suas transações comerciais com os atuais parceiros.

No final de 2011, o atual presidente chinês, Hu Jintao, prometeu ampliar o volume de importações da China a fim de aquecer o comércio global. Ele apresentou suas ideias e dados específicos durante a celebração do décimo aniversário da China na “Organização Mundial do Comércio” (OMC). Nesta ocasião, ele apresentou dados, pelos quais seu país poderá importar mais de 8 trilhões de yuans, um volume superior a 2 trilhões de dólares.

Além disso, sabe-se que também está trabalhando para estabelecer mudanças na formação de seu PIB, buscando realizar melhor distribuição de renda e estimular o consumo interno. Com 1,3 bilhão de habitantes, a intenção é converter tal montante em consumidores*. Este projeto de mudança na estrutura do consumo interno, configurado no pronunciamento do atual mandatário da China, é uma demonstração da possível mudança do perfil do investimento chinês, buscando a diversificação para, como já foi dito, fugir do “Tesouro Norte-Americano”.

Mesmo com as possíveis iniciativas por parte do Governo chinês, ainda circula entre os analistas, observadores e especuladores a questão se “a China vai quebrar (?)”. Paul Krugman, citado nas colunas do jornal “Folha de São Paulo”, fez este questionamento levantando um panorama sobre o crescimento chinês alimentado pela expansão imobiliária e de crédito, com uma breve comparação com o Japão do final dos anos 1980, que passou por situação similar.

Assim como outros especialistas, ele comparou dados do crescimento da China nos últimos anos frente à fraca demanda de consumidores no mundo, mas contrabalançou com a criação e participação dos consumidores chineses na formação do PIB de seu país e chegou a um resultado esperançoso, mas as previsões econômicas nem sempre se confirmam e ele tem consciência desta condição.

Além disso, sempre emerge a realidade negativa da atual situação da economia internacional, somada a atual “Guerra Cambial” e a falta da cooperação internacional efetiva para se chegar à estabilidade das economias mundiais, problemas que têm levado os analistas a crerem menos na continuidade deste crescimento acelerado da economia chinesa.

Krugman e outros observadores têm o receio de que possa ocorrer a saída desta atual crise no mundo, mas ela ser transferida para a China, o que afetará novamente as demais economias, assim como ocorreu com a Crise nos Estados Unidos em 2008, gerando um processo circular.

Por hora, embora as previsões de crescimento desta potência asiática sejam menores do que em anos anteriores, ainda há marcas expressivas e as políticas chinesas de preservar investimentos em países com recursos para manutenção de seu crescimento podem ser fundamentais para evitar uma futura “Crise Chinesa”.

O ano fiscal de 2011 ainda está para ser encerrado, mas já se tem dados de crescimento de algumas de suas parcerias comerciais, como é o caso dos “Países de Língua Portuguesa” e da “Associação de Nações do Sudeste Asiático” (ANSAASEAN, em inglês).

As relações entre chineses e lusófonos apresentaram um crescimento de 29% em relação ao período de jan/dez de 2010, com mais de 100 bilhões de dólares nestes 11 primeiros meses de 2011. Assim como Hu Jintao havia dito em discurso, as importações chinesas já caminhavam para o aumento, da mesma forma que as importações dos países lusófonos, apresentando mais de 70 bilhões de dólares, ou seja, um crescimento de 27% em relação ao ano anterior.

Junto ao ASEAN, o país comemora o segundo aniversário do “Acordo de Livre Comércio China-ASEAN”, com mais de 290 bilhões de dólares nas relações comerciais, cujo resultado foi de 37,5% de crescimento frente ao primeiro ano de Acordo. As economias do sudeste e do leste asiáticos estão cada vez mais interligadas à economia chinesa, por isso, o enfraquecimento de um lado pode afetar os demais países envolvidos. Porém, este é o segundo ano de resultados positivos no campo comercial.

Deve-se destacar ainda que as duas principais economias da atualidade, a China e os Estados Unidos, viverão em futuro breve a troca de seus governantes, podendo gerar um cenário distinto do ocorrido nos últimos quatro anos, mas não há aposta segura sobre qualquer cenário. Há tanto analistas que apostam na possibilidade de os novos Governos significarem notícias positivas para a economia global, como também há aqueles que afirmam poder surgir novos entraves nas relações políticas e econômicas, dificultando nas resoluções de casos importantes nos “Fóruns Mundiais de Comércio”, algo que afetará diretamente a “Economia Internacional”. Em síntese, os analistas vêem o futuro da economia chinesa com grande precaução.

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Fontes:

* Tais iniciativas foram apresentadas no “Jornal do CEIRI” durante o ano. Consultar artigo: “China: O Poder para Salvar a Economia Global

(http://jornal.ceiri.com.br/2011/09/19/china-o-poder-para-salvar-a-economia-global/)

VerHoje Macau”:

http://hojemacau.com.mo/?p=26394

Ver China Daily”:

http://www2.chinadaily.com.cn/china/2011-12/31/content_14366720.htm

VerFolha SP”:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/paulkrugman/1023457-a-china-vai-quebrar.shtml

VerVermelho.org” (citado pela CCIBC):

http://www.ccibc.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php?id_pag=8428

VerMacau Hub”:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2011/12/30/comercio-entre-a-china-e-os-paises-de-lingua-portuguesa-atinge-os-107-mil-milhoes-de-dolares-entre-janeiro-e-novembro/

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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