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A visita ao continente africano do presidente chinês Li Keqiang durante os dias 4 e 11 de maio se deu diante da celebração da comemoração do quinquagésimo aniversário da visita de Zhou Enlai, Ex-Primeiro-Ministro da China, que esteve no continente em 1963 e 1964.

 A atual passagem do Presidente da China teve como foco a participação na Cúpula da África do Fórum Mundial e os balanços positivos do comércio China-África deixam a percepção de que esta visita irá impulsionar ainda mais as relações, porém, observadores começam a apontar que, talvez, esta não seja a atual realidade.

Nos últimos anos, o saldo comercial positivo entre chineses e africanos foi destaque em diversos Fóruns econômicos, bem como entre os especialistas da área, apresentando as relações ótimas que rederam mais de 200 bilhões de dólares na balança China-África em 2013. Estes e outros pontos positivos dessa relação já foram apresentados por Jorge Nijal – colaborador do CEIRI NEWSPAPER[1] – em seu artigo sobre a primeira visita de Li Keqiang ao continente africano.

Mesmo com dados estatísticos tão significativos, também existem negócios que não produziram bons resultados e, devido a eles, as linhas de crédito para a África, sobre as quais se previa que ultrapassariam os 30 bilhões de dólares, foram reduzidas, tal qual foi apresentado pelo jornal estadunidense The Wallstreet Journal. No artigo “China Takes Wary Steps Into New Africa Deals” foram divulgados números acerca de alguns setores onde o investimento sofreu expressivas quedas em diversos países africanos.

Os autores da pesquisa, Wayne Arnold e Drew Hinshaw, comentam sobre as promessas de Li para maiores linhas de crédito com os países que detém grandes recursos energéticos e matérias-primas, mas também apresentam que, devido aos empréstimos e outros benefícios passados que não renderam conforme o planejado por Beijing, tais promessas para serem cumpridas terão de levar em conta critérios mais fundamentados, com previsão de maior margem positiva para que possam se concretizar.

Na Etiópia, a previsão era de uma linha de crédito aproximada de 20 bilhões de dólares, porém, devido as especulações que geraram uma visão negativa por parte da China, reduziram-se as expectativas dos investimentos de empresas chinesas na região, ressaltando-se que os investimentos  obtiveram quedas entre 2008 e 2012.

Dados oficiais chineses apresentam que em 2008 ocorreu o “boom” de investimentos da China no continente, com US$ 5,5 bilhões. No entanto, em 2011, a marca chegou a US$ 3,2 bilhões, tendo ainda uma diminuição significativa em 2012, quando não foi ultrapassada a cifra dos US$ 2,5 bilhões.  Segundo apontam observadores, tal fato ocorreu devido a investimentos mal planejados e também às dificuldades das legislações das nações africanas, dentre elas as leis ambientais, que, por sua vez, muitos acusam que foram violadas pela China.

Deve-se levar em conta ainda que o aumento dos investimentos chineses na África aconteceu proporcionalmente ao que se deu em outras regiões. Isso decorreu de o crescimento econômico chinês nas últimas 2 décadas ter acelerado os seus investimentos estratégicos em regiões essenciais, de acordo com as necessidades de sua indústria exportadora.

Especialistas apontam ainda que em toda a África o investimento chinês gerou benefícios, mas também causou problemas. Os investigadores do Wallstreet Journalapresentaram  que a queda em seus investimentos acabaram ocorrendo como consequência lógica dos problemas gerados pelo confronto com certas normas de segurança e ambientais que foram violadas por empresas chinesas e por seus parceiros na região, o que levou muitas autoridades africanas a considerarem a China como uma potência colonial. Superar os pontos negativos, manter um bom nível de investimentos e preservá-los dentro das normas ambientais e da segurança social serão, dessa forma, os grandes desafios para o Governo chinês nos próximos anos.

Desde a divulgação do PIB chinês abaixo da média superior a 8% (tanto o anual de 2013-2014, quanto o bimestral comparando os mesmos períodos desses dois anos) muito se especula sobre o futuro econômico do país, mas as autoridades chinesas já declaram que essa queda tem justificativa, pois o país está mudando suas fontes de energia para uma economia “verde”. Ou seja, neste momento está ocorrendo o investimento em tecnologia industrial, na segurança social e em novas leis ambientais para preservar o solo nacional com o objetivo de diminuir o risco ambiental e assegurar um desenvolvimento sadio de sua economia.

Não se pode esquecer que, buscando meios de se manter presente nas importantes regiões estratégicas, principalmente na África, bem como se manter politicamente correto em relação ao meio ambiente e às legislações estrangeiras, o Governo chinês vem investindo também na sua imagem perante à opinião pública internacional e, para tanto, as agências de comunicação chinesas (como, por exemplo, a Radio China Internacional) tem disponibilizado pesquisas sobre as relações entre a China e a África em diversos idiomas para mostrar a sua perspectiva e os ganhos mútuos obtidos.

Nesse sentido, tem-se um cenário interessante e desafiador com o relacionamento sino-africano estando marcado por glórias e fracassos comerciais. Tal realidade levou, no entanto, a que, depois de muitas tentativas, talvez, frustradas, o Governo chinês passasse a buscar maiores informações, além do ambiente comercial, para avaliar e melhorar sua conduta.

Sabendo ainda de sua responsabilidade para com a economia internacional, o país tenta se manter em nível elevado para que seus investimentos preservem a economia ativa e, com isso, seus parceiros possam manter o grau de confiança na China. O que se deve destacar é que, agora, a preocupação dos chineses não está mais em garantir a credibilidade apenas na esfera  econômica, mas também na cultural e na diplomática o que exige outros tipos e grandezas de investimentos.

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Imagens (Fontes– Reprodução Reuters – Ilustração WSJ):

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702303647204579545813194873656?mg=reno64-wsj

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/primeiro-ministro-chines-visita-africa/

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Ver também:

http://portuguese.cri.cn/1721/2014/05/07/1s183566.htm

Ver tambémUm dos questionários – Em português”:

http://portuguese.cri.cn/801/2014/04/28/1s183086.htm

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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