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Circunstâncias misteriosas envolvem a morte de Jamal al-Jamal

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O “Embaixador palestino na República Checa”, Jamal Muhammad al-Jamal[1], morreu em 1o de janeiro, na sua residência oficial em Praga, em consequência da explosão de um dispositivo de segurança instalado no cofre que estava a abrir [2]. Jamal al-Jamal nasceu em 3 de abril de 1957 no “Campo de Refugiados de Sabra e Shatilla”, no Líbano, tendo ingressado, em 1975, no Fatah. Ele desenvolveu significativa atividade política e, em 1979, iniciou a carreira diplomática como “Vice-Embaixador na Bulgária”. A partir de 1984, serviu como diplomata em Praga e, ocasionalmente, exerceu funções de Embaixador em exercício. Entre 2005 e 2013, foi Cônsul em Alexandria, Egito e, a partir de outubro de 2013, voltou a prestar serviço em Praga, desta vez como Embaixador.

A morte de al-Jamal, no “Hospital Militar Central de Praga”, algumas horas depois da explosão, ainda não foi totalmente esclarecida e as causas da explosão que o vitimou estão por ser determinadas. Segundo o “Cirurgião-Chefe do Hospital”, Daniel Langer, al-Jamal sofreu ferimentos muito graves: “ele teve uma lesão na região torácica, abdominal e na cabeça após a detonação. Foi uma lesão muito grave, que era incompatível com a vida[3].

A versão da morte do Embaixador, apresentada pelo “Ministro das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina”, Riyad al-Malki, foi contestada por sua filha, Rana, que, em entrevista à “Ma’an News Agency”, afirmou: “O cofre foi usado diariamente por 30 anos na sede da Embaixada Palestina. Ele é velho, não é moderno e não tem dispositivos (hi-tech)[4]. De acordo com Rana al-Jamal, o cofre foi utilizado pelo seu pai dois meses antes de sua morte, quando viajou para o Egito e, em finais de dezembro de 2013, esse mesmo cofre foi transferido por uma empresa checa de mudanças para a nova residência do Embaixador na noite anterior ao dia da explosão. A filha do Embaixador afirmou, ainda, que a explosão não ocorreu no interior do cofre, mas debaixo dele, tendo defendido a tese de que o seu pai foi assassinado[5].

No decorrer das investigações, a Polícia checa encontrou 12 armas ilegais (pistolas e submetralhadoras) na residência do Embaixador. O “Vice-Ministro das Relações Exteriores da Palestina”, Tayseer Jaradat, justificou a presença dessas armas como sendo um presente da “Guerra Fria” aos palestinos. Porém, para o ex-Chefe do Estado Maior da Polícia checa, Jiří Sedivy, “os palestinianos (sic) talvez tenham usado a República Checa para o trânsito de armas[6].

As investigações acerca da morte de Jamal al-Jamal ainda não foram concluídas. Enquanto a Polícia checa não apresentar uma versão definitiva capaz de desfazer quaisquer contradições, permanecerá o mistério sobre o fim trágico do Embaixador. Embora se saibam as causas da morte desconhecem-se os motivos que levaram à detonação do cofre. O “Governo da República Checa” exigiu explicações em relação ao provável descumprimento da “Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas[7] por parte da representação palestina em Praga[8].

Torna-se necessário, para restaurar o status quo das relações palestino-checas e a confiança internacional na “Autoridade Nacional Palestina”, o esclarecimento cabal dos acontecimentos do passado dia 1º de janeiro, assim como o depósito ilegal das armas em território diplomático.

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Imagem (Fonte):

https://static-secure.guim.co.uk/sys-images/Guardian/About/General/2014/1/1/1388599790194/Jamal-al-Jamal-014.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://www.facebook.com/jamal.eljamal.5?fref=ts

[2] Ver:

http://www.ceskenoviny.cz/news/zpravy/inexpert-manipulation-of-safe-kills-palestinian-ambassador-police/1025619

[3] Ver:

http://www.ceskenoviny.cz/news/zpravy/inexpert-manipulation-of-safe-kills-palestinian-ambassador-police/1025619

[4] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=662321

[5] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=662321

[6] Ver:

http://www.jpost.com/International/Czech-expert-Palestinians-may-have-used-Czech-Republic-for-weapons-transit-337141

[7] Ver:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D56435.htm

[8] Ver:

http://uk.reuters.com/article/2014/01/02/uk-czech-palestinian-idUKBREA010FF20140102

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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