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Clima e conflitos sociais impulsionam ajuda humanitária na Etiópia

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Mediante a severa crise hídrica que assola a Etiópia nos últimos três anos, cresceu vertiginosamente o número de refugiados internos no país. Estima-se que ao longo deste ano (2018) cerca de 1,7 milhão de pessoas precisarão de ajuda humanitária para poder satisfazer as condições mínimas de sobrevivência.

OIM pediu quase 90 milhões de dólares para ajuda humanitária na Etiópia

Em face deste contexto, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciou na semana passada um plano para levantar 88,5 milhões de dólares para os projetos de assistência humanitária na Etiópia. Entre as principais iniciativas a serem desenvolvidas está a estruturação de campos de refugiados e a oferta de insumos básicos, como abrigo, água potável, comida e saneamento. Até o momento, somente 11% de todo este montante foi atingido, o que indica a necessidade de maiores esforços para futuras doações.

Estima-se que há mais de 500 mil migrantes associados com os deslocamentos ocorridos devido às perdas na agropecuária após as sucessivas secas. Do outro lado, pouco mais de 1,1 milhão dos migrantes dizem respeito àqueles que se deslocaram devido a conflitos sociais, tais como os embates ocorridos ao longo da fronteira entre as regiões de Oromo e Somali. Este território, enquanto local de disputa pelas terras férteis para o desenvolvimento da pecuária pastoril, abriga um conflito histórico envolvendo a apropriação e exploração de escassos recursos naturais.

Soma-se ao contingente total de migrantes aqueles que regressarão da Arábia Saudita, após este país anunciar, em março do ano passado (2017), que todos os migrantes ilegais deveriam voltar impreterivelmente aos seus locais de origem. Muitos cidadãos etíopes trabalham nesse país e, atualmente, estima-se que mais de 140 mil já regressaram após o anúncio.

Por fim, há um expressivo contingente advindo das nações adjacentes. A Etiópia é envolvida por alguns Estados que vivenciam instáveis condições, seja por causa de conflitos entre grupos sociais ou por crises políticas. São os casos da Somália e do Sudão do Sul, os quais estão mergulhados, respectivamente, em conflitos envolvendo a disputa pelo poder central e em um sangrento processo de independência. Há, aproximadamente, pouco menos de 90 mil sudaneses e somalis vivendo na Etiópia.

Com vistas a esta atribulada conjuntura, a OIM busca adotar uma política de apoio sistêmico à Etiópia na questão migratória, bem como tornar o país mais “resiliente” a crises naturais. Conforme afirmou Mohammed Abdiker, diretor de Operações e Emergências da OIM: “Nós queremos que este pedido ponha fim ao método ‘Band-Aid’* e que comecemos com um pensamento de longo prazo. Milhões de pessoas estão em urgente necessidade na Etiópia, mas nós esperamos que as medidas deste ano para salvar vidas signifiquem que para o próximo ano as comunidades serão mais resilientes aos estresses climáticos como a seca”.

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Nota:

* O método ‘Band-Aid’ pode ser compreendido, no excerto selecionado, como uma forma de assistência humanitária paliativa. Nesses moldes, a ajuda se foca no atendimento das necessidades mais iminentes sem, contudo, estruturar um plano de longo prazo de adaptação das comunidades frente aos riscos climáticos existentes (fato que iria prevenir novas crises humanitárias).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ajuda humanitária na Etiópia deverá abordar questões envolvendo crise hídrica e conflitos sociais” (Fonte):

http://www.circleofblue.org/2016/world/ethiopia-hunger-reaches-emergency-levels/

Imagem 2 OIM pediu quase 90 milhões de dólares para ajuda humanitária na Etiópia” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/agencia/oim/

                                                                            

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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