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[:pt]Clinton versus Trump, e a temática da imigração[:]

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Na atual conjuntura internacional, o deslocamento massivo de pessoas para os grandes centros econômicos abriu um novo desafio com precedentes que envolvem necessidades de adaptação política e econômica, mas, principalmente cultural, devido à crescente tensão social que esse fluxo de pessoas pode gerar na estrutura interna de uma nação.

Nos Estados Unidos, este debate, bem como as políticas para adequar os deslocados na sua estrutura social, remetem a posições antagônicas e históricas, e cuja referência normativa fica a cargo do Partido que detém a maioria no legislativo (no Senado e na Câmara dos Representantes), aliada e chancelada pelo entendimento presidencial sobre a questão.

Em números, de acordo com levantamentos recentes do Council on Foreign Relations e Pew Research, o fluxo de entrantes hoje em território estadunidense é perto de um milhão por ano, com uma população já contabilizada em 41,5 milhões, aproximadamente 13% do total de cidadãos, e, desses, há 11,5 milhões de pessoas com status de ilegal.

No que tange aos desdobramentos de âmbito interno, a questão da segurança nas fronteiras, com gastos superiores aos US$ 18 bilhões, adicionada à desproporcionalidade na arrecadação de impostos e ao aumento da demanda por serviços públicos, como, por exemplo, a saúde, criou um vácuo sobre qual deve ser a melhor estratégia de absorção e integração desses 11,5 milhões de indocumentados, chegados principalmente de regiões instáveis da América Central, Oriente Médio e Sudeste Asiático.

Em tempos de sufrágio presidencial e legislativo, a disputa entre democratas e republicanos está intimamente ligada ao conteúdo histórico-ideológico partidário sobre este tema, que sempre foi muito sensível e relevante para o postulante à Casa Branca.

Nesse sentido, os democratas, na figura de Hillary Clinton, tendem a privilegiar uma condução política baseada no soft power e na absorção da parcela de ilegais, facilitando, por conseguinte, o trânsito em diversos núcleos sociais do país neste período eleitoral.

Já os republicanos, na figura do magnata imobiliário Donald Trump, alimentam juntamente com a ala ultraconservadora do Partido, conhecida como Tea Party, uma posição política de reticências ao ingresso de pessoas de outras etnias, credos e nacionalidades, por entender que são potenciais os riscos para a segurança interna do país.

Concomitantemente a essa estratégia política, apesar de flertar com a segregação social, em pesquisas mais recentes é revelado ainda que a margem de manobra republicana fica diminuta, pois o núcleo de votantes não é diversificado, se comparado aos democratas.

Nesse sentido, ao impor comparação quanto a matriz política a ser adotada nesta eleição pelos dois candidatos presidenciais, Hillary Clinton, a candidata democrata, descreve a reforma da imigração com viés econômico, em que irá defender uma legislação abrangente que faculte a inserção à cidadania plena aos mais de onze milhões de imigrantes indocumentados.

Aliada para tal prerrogativa mais abrangente, a candidata deseja expandir ações executivas já implementadas pelo presidente Obama, dentre as quais o adiamento das deportações e a concessão de vistos de trabalho temporário para metade da população ilegal, mesmo com decisão da Suprema Corte em Junho de 2016 contrária a essa iniciativa.

Outra medida prevista, uma vez eleita, é a criação de uma nova agência federal para assistir e coordenar as políticas de imigração em todos os níveis, que permitirá, de acordo com seu plano de governo, integrar esses novos cidadãos às comunidades.

O Partido Republicano, por meio de seu candidato Donald Trump, fez da imigração ilegal uma estratégia de cunho populista, ao gerar inúmeras manchetes e comentários que permearam as discussões políticas no país e inflaram a possibilidade de reviver épocas em que a tensão social criava divisões profundas na sociedade e impactava no desenvolvimento humano de parcela populacional.

Após anunciar a candidatura em junho de 2015, Trump criou desconforto e quase um incidente diplomático com declarações direcionadas ao México, bem como ao declarar ser favorável a deportação dos 11,5 milhões de imigrantes em situação de ilegalidade.

Em agosto do mesmo ano, ele delineou em seu planejamento político que a questão imigratória seria estruturada em três pontos:

(1) a construção de um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos, financiado pelo México, aumentando ainda o número de agentes de imigração e alfândega e, consequentemente, a capacidade de deportação. O foco inicial será em cidades próximas da fronteira, pois desenvolve a tese de que essas localidades não aplicam plenamente as leis federais sobre imigração;

(2) dentro desse âmbito, buscará aumentar as penas para aqueles que ultrapassarem o período de permanência do visto e promete inviabilizar frente ao legislativo a questão da cidadania por primogenitura, medida esta que, segundo o candidato, é o que caracteriza o interesse em imigrar ilegalmente aos Estados Unidos;

(3) por fim, irá buscar meios legais para que as empresas norte-americanas cumpram com determinações que privilegiem os trabalhadores nacionais, em detrimentos de outros.

De maneira complementar, o tema imigração na eleição estadunidense será determinante para conjecturar sobre o desenvolvimento econômico, sobre a política externa, a segurança e a integração social, com impactos que podem permear ambos os partidos em futuras eleições, devido à força que a comunidade de novos nacionais tem na transição política.

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ImagemUm pequeno muro que separa a densamente povoada Tijuana, no México (à direita) de San Diego, nos Estados Unidos, no setor da Patrulha Fronteiriça. Um segundo muro está sendo construído até o Oceano Pacífico”   (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imigração_nos_Estados_Unidos

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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