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CNT nega que haja negociações com Kadhaffi e reforça atual posicionamento da rebelião

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Ao longo desta semana surgiram na mídia internacional declarações feitas por autoridades francesas de que se estava caminhando na direção de uma solução política para a crise líbia, comunicando a ocorrência de contatos e negociações envolvendo o mandatário do país, Muammar Kadhaffi, e líderes da rebelião.

 

Ontem, dia 13 de julho, a oposição líbia, por intermédio de representantes do “Conselho Nacional de Transição” (CNT) anunciou que tais encontros não ocorreram e afirmou que não há negociação com o regime de Kadhaffi, solicitando mais apoio da comunidade internacional para pressionar o mandatário a abandonar o poder, sendo esta uma condição necessária exigida pelos rebeldes para encerrar o processo revolucionário e as ações militares.

De acordo com o anunciado, o objetivo final é exclusivamente impor um novo Regime no qual as atuais autoridades estão excluídas e, conforme o rebeldes têm declarado constantemente, não há possibilidade de aceitação de suas presenças no país, exceto na condição de réu, devido ao “sangue derramado”.

Mahmud Jibril, o denominado primeiro-ministro do CNT, Órgão que atualmente é reconhecido por vários países como o legítimo governo da Líbia, anunciou que não será aceita nenhuma solução negociada que não suponha a transição de poder no país.

Em suas palavras: “continuaremos até que se cumpram as demandas de um país democrático e livre”. Assinalou ainda que os “pilares básicos estão ausentes” para uma solução política imediata, pois o que denomina como a “máquina de matar” de Kadhaffi “segue fazendo o que começou faz cinco meses”*.

Analista afirmam que as declarações visam evitar a fragmentação da oposição, pois em determinado momento as movimentações da Rússia e da “União Africana” produziram um espaço de negociação entre grupos dentro do CNT e o governo Kadhaffi.

Quando surgiu na mídia esta possibilidade, várias lideranças da Rebelião se manifestaram mostrando que poderia ocorrer uma fragmentação dentro do movimento. Deve-se destacar que é ele tem um ambiente complexo; com diferentes tribos agindo conjuntamente, mas sem pontos concretos de união, exceto a contraposição ao governo Kadhaffi; sem orientação política e ideológica precisa e com graves divergências conceituais sobre o Regime a se adotar após a deposição do mandatário. De concreto nas manifestações existe apenas a declaração de que se deseja uma transição rumo à Democracia, mas não há uma definição precisa do que está sendo apresentado por este nome.

Observadores afirmam que a situação continuará devido aos cominhos pavimentados pela oposição, pela Coligação que enfrenta Kadhaffi e, principalmente, pelo próprio líder que recusou qualquer negociação no início do processo, a qual poderia levar a uma transição de Regime em seu país, possibilitando inclusive a sua participação.

Conforme afirmam os especialistas, todos caminharam no sentido da extremidade lógica do processo, criando impasses consecutivos, razão pela qual é pouco provável que na atualidade a crise líbia se encerre sem que Kadhaffi não seja deposto e expulso do país, para que não seja julgado internamente e provavelmente morto, ou, no mínimo, entregue ao “Tribunal Penal Internacional” (TPI) para sofrer as penas da “Corte Internacional”.

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*Fonte:

http://internacional.eluniversal.com/2011/07/13/rebeldes-libios-niegan-contactos-con-gadafi.shtml

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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