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A Líbia enfrenta uma profunda crise de ordem política, que ameaça as expectativas de uma normalidade democrática naquele país. Com a morte do coronel Muammar al-Gaddafi, em 2011, criou-se a esperança do fim do regime autocrático e o estabelecimento da legitimidade constitucional. Porém, na sequência da insurreição que pôs fim ao regime de al-Gaddafi, o que se registrou de fato foram as divisões políticas, principalmente nas duas principais cidades, Benghazi e Tripoli.

A fragilidade do atual Governo líbio impossibilita o estabelecimento da autoridade no país. O Estado tem sido desafiado pelas milícias rebeldes que combateram al-Gaddafi e que, hoje, tencionam criar um Governo a partir da identidade étnica e ideológica de cada grupo envolvido nas disputas. Desde 2011, a Líbia já teve três Primeiros-Ministros, o que demonstra a instabilidade política e, também, a paralisia do Parlamento ante a contenda entre islâmicos e nacionalistas. No último domingo, o Parlamento sofreu mais um golpe, pois homens armados invadiram o prédio e atearam fogo ao edifício, não havendo vítimas a lamentar. Segundo informações, o ato serviu para expandir as operações de Khalifa Haftar contra os islâmicos[1]. Haftar, um ex-general rebelde que participou ativamente no levante que derrubou Muammar al-Gaddafi é, atualmente, o líder do auto-denominado Exército Nacional, que combate em Benghazi[2].

Na última sexta-feira, dia 16 de maio, registraram-se fortes embates entre islamitas e o Exército Nacional, na cidade de Benghazi. De acordo com Mohammedal-Hijazi, porta-voz do Exército Nacional, em comunicado a uma emissora local, a facção lançou “uma operação em grande escala para expulsar os grupos terroristas deBenghazi[3]. O Governo líbio considerou o confronto entre os oponentes como uma tentativa de Golpe de Estado. Sobre este acontecimento, o Primeiro-Ministro interino, Abdullah al-Thani, afirmou: “Todos aqueles que participaram na tentativa de golpe de Estado serão castigados[4].

Entre a passada sexta-feira e sábado, verificaram-se em Benghazi 79 mortos e 141 feridos. Os confrontos provocaram o encerramento do Aeroporto Internacional de Banina no dia 17[5]. A onda de violência, que começou em Benghazi, chegou a Tripoli. No domingo, o coronel Mokhtar Fernana, alegado Comandante da Polícia Militar, fez uma declaração que foi transmitida por dois canais privados de televisão. O Coronel asseverou: “Nós, membros do Exército Revolucionário [ex-rebeldes], anunciamos a suspensão do Congresso Geral Nacional[6].

A crescente insegurança é preocupante e, neste momento, a Tunísia tenciona aumentar o número de soldados na fronteira com a Líbia, acrescentando o seu contingente em mais 5.000 homens[7]. Conforme a violência se espalha pelo país, a Líbia se aproxima de uma guerra civil num território bantustanizado. Um território dividido por tribos e grupos rivais dificulta a afirmação de um Estado livre, frustrando a esperança dos cidadãos líbios quanto a uma transição democrática. As instituições, há muito tempo fragilizadas, são vulneráveis ante a impotência do Estado e contribuem, deste modo, para o aprofundamento de um conflito que deixa a população líbia no limiar de um confronto interno.

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Imagem (Fonte):

http://magharebia.com/awi/images/2014/04/25/140425Feature1Photo1-650_429.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.591325

[2] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/fierce-clashes-erupt-benghazi

[3] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/fierce-clashes-erupt-benghazi

[4] Ver:

http://actualidad.rt.com/ultima_hora/view/128408-gobierno-libio-combates-bengasi-golpe-estado

[5] Ver:

http://actualidad.rt.com/ultima_hora/view/128427-libia-victimas-enfrentamientos-bengasi

[6] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/international/547805-heavy-gunfire-near-parliament-in-libya-capital

[7] Ver:

http://www.libyaherald.com/2014/05/18/tunisia-plans-to-send-5000-extra-troops-to-libyan-border-because-of-libya-crisis/#axzz327irWkGK

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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