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Colômbia e Equador frente ao êxodo venezuelano

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A crise política é o principal motivo para o êxodo venezuelano. Muitos cidadãos partem inicialmente para o Brasil, mas também para Colômbia e Equador. A imprensa sul-americana está cobrindo esta diáspora. O jornal colombiano El Comércio, em 25 de setembro de 2017, noticiou: “Com grandes malas nas costas, decididas a migrar ou abastecer comida, milhares de venezuelanos vão e vêm como formigas na fronteira com a Colômbia. Eles estão assustados com o que pode acontecer em seu país neste domingo com a eleição da Assembléia Constituinte”. A matéria mencionava como o principal motivo o medo de embates durante as eleições da Assembleia Constituinte, ocorridas em setembro passado, já que os protestos contra o presidente Maduro ocasionaram a morte de, aproximadamente, cem pessoas.

Limites fronteiriços da Venezuela

Segundo Christian Kruger, diretor da Migration Colômbia, existem aproximadamente 300 mil venezuelanos vivendo na Colômbia e, deste contingente, metade se encontra no país de forma ilegal. Aproximadamente 25 mil venezuelanos entram e saem todo dia na Colômbia para comprar comida ou ganhar dinheiro em empregos informais. Segundo a Folha de S. Paulo, de 17 de setembro de 2017, o Governo colombiano informou que existem mais de 4.500 mulheres venezuelanas trabalhando como prostitutas e, em abril deste ano (2017), a Suprema Corte Colombiana decidiu que elas possuem o direito de pedir visto de trabalho no país. Os venezuelanos atravessam a Colômbia e chegam ao Equador através da ponte de Rumichaca. Atualmente são, aproximadamente, 2.900 pessoas que entraram em território equatoriano. Algumas para ficar, mas outra parte para seguir viagem com o objetivo de chegar até o Chile, Peru ou Argentina.

Estima-se que mais de 17.700 venezuelanos atravessaram a fronteira para o Brasil, e a maioria está em Roraima. Segundo o jornal O Globo, de 7 de novembro de 2017, a capital Boa Vista passou a sentir os impactos da presença dos imigrantes venezuelanos, antes restrita a cidade de Pacaraima na região de fronteira. As populações indígenas também fazem parte deste contingente e é possível vê-los nos semáforos pedindo dinheiro ou trabalhando como vendedores ambulantes. Muitos dormem no galpão sem paredes da Feira do Passarão. São pessoas como “Orlando Martinez, de 38 anos, gastou três dias de viagem de sua comunidade indígena na Venezuela até Boa Vista. Ao lado de filho, mulher, nora, neto e mãe, dorme numa barraca de bananas. Durante o dia, vende bolsas, redes e outros artesanatos em semáforos”.

Ao contrário de posturas xenófobas de algumas minorias de extrema-direita na Europa, as nações sul-americanas tendem a agir de forma diferente e acolher da melhor forma possível os refugiados venezuelanos, pois a solidariedade também tende a ser a pedra de toque da política hemisférica. A questão migratória tem se mostrado como mais um desafio à região e parte expressiva dos analistas e autoridades veem que sua superação pode ser entendida a partir do avanço de ações de cooperação e integração capazes de gerar simetrias econômicas, sociais e políticas que respeitem a soberania dos países associados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Refugiados venezuelanos chegam a fronteira com a Colômbia” (Fonte):

https://twitter.com/MigracionCol/status/918923607862140928

Imagem 2 Limites fronteiriços da Venezuela” (Fonte):

https://www.google.com.br/maps/dir/Rumichaca+International+Bridge,+Ipiales,+Nari%C3%B1o,+Col%C3%B4mbia//@-2.0160427,-78.1062377,5z/data=!4m8!4m7!1m5!1m1!1s0x8e29695211582061:0x9933990b383a8fb2!2m2!1d-77.6640373!2d0.8140384!1m0

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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