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A ausência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante três dos mais importantes encontros de cúpula da Ásia tem sido objeto de grande debate na mídia asiática.  Durante os dias 9 a 13 de outubro, foram realizados o encontro de Cúpula daAssociação das Nações do Sudeste Asiático” (ASEAN, de acordo com a sua abreviação em inglês), chamada de “ASEAN Summit”, e o encontro de “Cúpula dos Países do Leste Asiático”, o “East Asian Summit”. Estes Eventos congregaram os países do “Sudeste Asiático” e seus membros não-associados (a saber, “Estados Unidos”, Japão, “Nova Zelândia”, Rússia e Índia) em “Brunei Darussalan”, pequeno país localizado junto à Malásia[1]. Durante o mesmo período também foi realizado o “Fórum de Líderes da “Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC, de acordo com sua abreviação em inglês), na ilha de Báli (Indonésia)”[2]. Em todos os  eventos Barack Obama não compareceu em função da paralisação do seu governo, graças às discussões sobre o orçamento doméstico ocorrida no Congresso estadunidense[3].

Analistas apontam que, com a ausência este  ano do presidente norte-americano, Barack Obama (representado pelo Secretário de Estado John Kerry), o  presidente chinês Xi Jinping reinou absoluto em todos os Eventos[4]. A China tem dedicado intensos esforços para estabelecer bases mais sólidas no relacionamento com os países do “Sudeste Asiático”. Xi buscou tranquilizar os países sobre as intenções chinesas na região ao propor um amplo “Tratado de Cooperação e Amizade” para tratar das disputas marítimas entre a China e vários países da ASEAN. Também está tentando viabilizar projetos de  exploração conjunta das reservas pesqueiras e programas cooperação militar[5].

China, Vietnã, Filipinas, Taiwan, Malásia e Brunei disputam partes ou a soberania sobre o total do “Mar do Sul da China”, uma área que cobre quase toda a região do “Sudeste da Ásia”, e estes países têm consistemente acusado Beijing de estar promovendo a modernização de sua frota marítima para desempenhar um papel mais assertivo sobre as disputas[6].

Neste contexto, Washington busca desempenhar um papel de contrapeso ao poderio chinês na área e tal presença é tida por muitos governos da ASEAN como estratégico para conter qualquer iniciativa de ações agressivas por parte da China, bem como para preservar a estabilidade e garantir a manutenção do status quo regional, além de defender a hegemonia marítima e os interesses estratégicos estadunidenses, os quais também são afetados pelas disputas[7]

Como dito, os chineses buscaram afastar os temores sobre um eventual esforço em controlar a região. Xi Jinping utilizou todos os eventos como plataforma para lançar  iniciativas como a criação de um Banco para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura regional, além de também estabelecer novos mecanismos de cooperação financeira entre China e a ASEAN.  Com estes gestos espera cimentar um novo pacto de estabilidade na área reforçando seu papel de potência regional pacífica, ao mesmo tempo que tenta diminuir a influência norte-americana na região[8].

Analistas apontaram que a ausência do líder estadunidense foi bem capitalizada pelos chineses, pois, enquanto Washington lutava e luta para fechar suas  contas domésticas, Beijing obteve importantes progressos para consolidar sua posição como principal parceiro econômico-financeiro e atrair atores chaves (Indonésia e Malásia) para a sua esfera de influência. Além disso, principalmente, Beijing parece ter lançado dúvidas sobre a capacidade americana de se fazer presente na região, como vinha prometendo o próprio presidente Barack Obama em reiteradas vezes[9].

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Imagem Presidente Chinês Xi Jinping (centro) juntamente com outros líderes Asiáticos durante o Fórum de Líderes da APEC em Báli, Indonésia  (Fonte):

http://www.theguardian.com/world/2013/oct/15/china-us-asia-summit-confrontation                 

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Fontes consultadas:

[1] Ver (ASEAN Summit  2013):

http://asean-summit-2013.tumblr.com/

[2] Ver (APEC 2013):

http://www.apec2013.or.id/

[3] Ver (“Obama Cancels Asia Summit Trip Amid Government Shutdown”):

http://www.bloomberg.com/news/2013-10-04/obama-cancels-asia-summit-trip-amid-government-shutdown.html 

[4] Ver (“China seen to take center stage with Obama absent from Asean summit”):

http://globalnation.inquirer.net/87535/china-seen-to-take-center-stage-with-obama-absent-from-asean-summit

[5] Ver (“China proposes treaty with ASEAN countries over South China Sea dispute”):

http://www.firstpost.com/world/china-proposes-treaty-with-asean-countries-over-south-china-sea-dispute-1162197.html

[6] Ver (“Philippines accuses China of stoking South China Sea tensions”):

http://www.ft.com/cms/s/0/e9ef2a98-1492-11e3-a2df-00144feabdc0.html#axzz2hsLbqFeP

[7] Ver (“Armed Clash in the South China Sea”):

http://www.cfr.org/world/armed-clash-south-china-sea/p27883

[8] Ver (“China’s New Regional Security Treaty With ASEAN”):

http://thediplomat.com/flashpoints-blog/2013/10/16/chinas-new-regional-security-treaty-with-asean/

[9] Ver (“Obama’s Canceled Trip to Asia: How Much Did It Matter?”):

http://www.chinafile.com/obama-s-canceled-trip-asia-how-much-did-it-matter 

Moisés Lopes de Souza - Colaborador Voluntário Sênior

Graduado em Relações Internacionais pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Doutorando em Estudos de Ásia-Pácifico no Doctoral Program in Asia-Pacific Studies (IDAS) da National Chengchi University (Taiwan). Pesquisador Associado do Center for Latin America Trade and Economy, Chihlee Institute of Technology.

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