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No final de março, o general Curtis M. Scaparrotti, comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa, afirmou durante audiência no Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) que os norte-americanos deveriam fornecer armamento à Ucrânia. De acordo com suas declarações, o Governo ucraniano está lutando contra um inimigo letal, e as Forças armadas do país precisam de apoio para combater os rebeldes que recebem amparo e armamentos novos da Rússia, por isso os EUA precisam considerar urgentemente este envio de armas defensivas letais para a Ucrânia.

Segundo o general Scaparrotti, a Organização necessita de mais aviões, navios, tropas e munições para alavancar aliados contra a Rússia, além da ajuda do Departamento de Estado. O posicionamento do oficial estadunidense faz alusão às declarações de Donald Trump, Presidente dos EUA, que durante a campanha presidencial teceu duras críticas a OTAN, afirmando que a aliança se encontra obsoleta. Mais recentemente, entretanto, Trump vem direcionando suas críticas aos países membros que não cumprem os gastos estipulados em Defesa.

No início de março, a Câmara dos Representantes (equiparável no Brasil à Câmara dos Deputados) aprovou o orçamento militar dos Estados Unidos, que estipula ajuda militar à Ucrânia no valor de 150 milhões de dólares, metade da ajuda fornecida ao país no ano passado (2016). Embora o Governo Trump tenha pedido aumento nos gastos militares, esse acréscimo no orçamento está destinado a cobrir os custos para a construção do muro na fronteira com o México, os gastos com a deportação de imigrantes ilegais e para reforçar os demais custos com Defesa.

Cabe pontuar que, anteriormente, durante a administração de Barack Obama, o Governo ucraniano já havia solicitado envio de armas para lutar contra os separatistas. Naquele momento, o então Presidente estadunidense recusou o pedido, mas enviou soldados a fim de treinar as tropas ucranianas.

A crise na Ucrânia teve início em novembro de 2013, quando Viktor Yanukovych, então Presidente do país, suspendeu os preparativos para a ampliação de um acordo com a União Europeia. Tal decisão resultou em uma onda de protestos e, em fevereiro de 2014, Yanukovych foi deposto. Após sua destituição, uma crise se alastrou para regiões leste e sul, particularmente na região da Crimeia. Em março daquele ano (2014), Vladimir Putin, Presidente russo, e líderes da Crimeia assinaram um Tratado para tornar a República Autônoma parte da Rússia. Desde então a crise entre insurgentes pró-russos e o Governo ucraniano tem evoluído em um conflito que já dura mais de 3 anos e deixou cerca de 10 mil mortos. Em consequência, as relações entre Estados Unidos e Rússia se tencionaram e, aos problemas decorrentes da situação com a Ucrânia, somaram-se os problemas dos incidentes ocorridos no mar Báltico e também os antagonismos quanto a crise na Síria.

Em maio de 2016, quando general Scaparrotti assumiu o Comando da Organização em Stuttagart, na Alemanha, ele argumentava que o nosso modo de vida está ameaçado por inúmeras ameaças e desafios. Durante audiência no Congresso estadunidense, ele deixou claro seu posicionamento de que muitas dessas ameaças provinham da Rússia. Em sua concepção, a estratégia adotada por Barack Obama de reequilibrar as forças para a região Ásia-Pacifico e a Lei de Controle do Orçamento de 2011 prejudicaram e sobrecarregaram as forças europeias para conter os russos.

Conforme informado pela Reuters, o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, também ressaltou que a Organização possui claros desentendimentos com a Rússia no que tange a crise ucraniana, e espera que o Governo russo adote maiores medidas para controlar os separatistas armados que lutam contra o Kiev. Ele destacou ainda a importância no diálogo, sobretudo com o aumento das tensões e os descumprimentos dos Acordos de Minsk, assinados em 2015. Nesse aspecto, cumpre assinalar que ambas as partes acusam o outro lado de violar as regras do cessar-fogo.

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Imagem 1 General Curtis M. Scaparrotti, Comandante do Comando das Nações Unidas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Curtis_Scaparrotti#/media/File:Scaparrotti_2014_2.jpg

Imagem 2 Ucrânia 2014” (Fonte):

http://www.unocha.org/cerf/cerf-worldwide/where-we-work/ukr-2014

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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