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Comércio de petróleo em Yuans (Renminbi) desafia a supremacia do dólar

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A China passou a lançar contratos para a compra futura de petróleo, denominados inteiramente na sua moeda, o yuan (renminbi), através da bolsa Shanghai International Energy Exchange. Até o momento, o comércio de petróleo só era realizado através da utilização do dólar dos Estados Unidos (EUA) como meio de troca e isto poderá representar um passo no sentido de desafiar a supremacia da moeda norte-americana no longo prazo.

Consumo global de energia no ano de 2015

Este movimento geoeconômico é especialmente relevante se considerarmos que a China é o maior país importador de petróleo do mundo. Embora inicialmente destinado à compra de petróleo russo e iraniano, os contratos denominados pela expressão “petro-yuan” poderão auxiliar Estados que enfrentem sanções impostas pelas economias centrais do Ocidente, ao passo que os mesmos poderão recorrer ao yuan para a comercialização de petróleo. Este fato representa uma possibilidade emblemática de contornar e evitar o uso do dólar nos mercados financeiros.

Na presente conjuntura, os países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) são os maiores atores a comercializar o hidrocarboneto, cujo pagamento é denominado em dólares. A demanda pela moeda dos EUA, que é decorrente destas transações, auxilia no financiamento dos crescentes déficits do orçamento norte-americano. O apoio de Washington à Arábia Saudita, por exemplo, está fortemente fundamentado por esta relação.

Notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)

À medida que o yuan, que possui lastro no ouro, se torne uma alternativa viável, poderão ocorrer mudanças fundamentais nos mercados de energia a nível global. O Banco Central da Alemanha (Bundesbank) adicionou a moeda chinesa às suas reservas de capital. Adicionalmente, no ano retrasado (2016), o yuan foi incluso na cesta de moedas de reserva e direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional, demonstrando a crescente internacionalização do renminbi. Por outro lado, devemos mencionar que o dólar e o euro ainda representam cerca de 90% das transações financeiras internacionais.

Por fim, a consolidação da influência do yuan é um processo que se encontra em seus estágios iniciais, considerando que a moeda chinesa representa cerca de 2% das transações econômicas a nível global. Este é um importante objetivo de Estado da China que dependerá ulteriormente da aceitação, confiança e legitimidade aportadas pela comunidade internacional através da utilização de sua moeda.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Rotas de transporte de energias ligadas à China” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AChina%E2%80%99s_import_transit_routes.png

Imagem 2 Consumo global de energia no ano de 2015” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/de/World_energy_consumption_by_fuel.svg/512px-World_energy_consumption_by_fuel.svg.png

Imagem 3 Notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/dinheiro-china-rmb-yuan-%C3%A1sia-938269/

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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