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“Comissão Europeia” foi enganada por uma brincadeira belga do “Dia da Mentira”

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Um fato curioso ocorreu na Bélgica durante essa última semana. A “Comissão Europeia”, especificamente a “Direção-Geral da Concorrência”, exigiu explicações à região da Valônia, na Bélgica, a respeito do que pareciam ser planos para a construção de uma segunda pista de pouso e aterrissagem no aeroporto de Charleroi, ao sul de Bruxelas.

A “DG Concorrência” enviou um documento para as autoridades regionais da Valônia pedindo mais informações a respeito desses planos. Entretanto este mesmo documento fazia referência a uma notícia da revista online Pagtour, que é pouco conhecida do público. No entanto, tal informação publicada pela Pagtour a respeito do aeroporto de Charleroi fazia parte de um “Poisson d’Avril”*, ou uma “brincadeira” do dia “1o de Abril”, o famoso dia da mentira[1].

O presidente executivo do Aeroporto de Charleroi, Jean-Jacques Clocquet, mostrou-se preocupado com relação ao profissionalismo da “Comissão Europeia”, visto que “(…) jamais quisemos construir uma segunda pista aqui. E uma brincadeira do dia da mentira de 2013 e a Comissão Europeia se baseia nesse tipo de texto para nos investigar inutilmente. Nós podemos nos questionar a respeito do quão sério são alguns responsáveis pelos dossiês na Comissão Europeia[2].

O jornal online EurActiv pediu à Chantal Hughes, porta-voz da “Comissão Europeia”, uma declaração a respeito da notícia. Esta respondeu que a Comissão havia se baseado em um comunicado do dia 11 de abril** do ministro regional Valão responsável pelos aeroportos, André Antoine. Este comunicado no entanto não menciona a construção de uma segunda pista no aeroporto de Charleroi e, ao ser indagada a respeito desse fato, Chantal Hughes disse que não poderia dar mais detalhes de uma “correspondência confidencial”.

A Bélgica é conhecida por esse tipo de brincadeira durante o “Dia da Mentira”. Alguns anos atrás, por exemplo, um telejornal belga enganou a todos com uma reportagem incrivelmente realista afirmando que a região de Flandres ao norte havia declarado a sua independência e a Bélgica portanto não existia mais, tal reportagem incluía imagens e vídeos do antigo Rei Albert II e de seus ministros em situações que poderiam ser interpretadas como uma reunião de emergência.

Como apontam observadores, o mais surpreendente, no entanto, é a “Comissão Europeia movimentar seu aparato para ir atrás de explicações aparentemente se baseando majoritariamente em fontes não muito confiáveis, dando elementos para autoridades de outros países questionarem o desempenho de alguns técnicos da Comissão ao produzirem seus relatórios, confirmarem suas fontes e abrirem investigações, principalmente após esse episódio.

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* Peixe de Abril” em uma tradução literal, nome dado às brincadeiras feitas durante o primeiro de abril na Bélgica.
** Para mais informações sobre este documento acessar:
http://antoine.wallonie.be/l-roport-de-charleroi-prend-d-finitivement-son-envol 

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Imagem Brussels South Charleroi Airport, ou Aeroporto de Charleroi” (Fonte):

http://www.2747.com/2747/world/airport/brussels/2009en/clr1terminals.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.euractiv.com/fr/affaires-publiques/la-commission-bernee-par-un-pois-news-529855
[2] Ver:

http://www.rtl.be/info/economie/belgique/1025583/aeroport-de-charleroi-l-europe-piegee-par-un-poisson-d-avril

Caio Salame Lobo - Colaborador Voluntário

Mestre em Estudos Europeus pela Universidade Católica de Louvain e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade da Amazônia - UNAMA. Estagiou durante um ano na Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia onde atuou na área de promoção do Comércio Exterior do Estado do Pará e, ao mesmo tempo, trabalhou como voluntario no GADE, grupo interessado em promover o voluntariado no Estado do Pará. Sempre interessado por integração europeia, realizou pesquisas envolvendo temáticas sobre a Política Agrícola Comum Europeia e sua relação com o livre-comércio e também sobre a evolução do Mercado Único e do setor de serviços da União Europeia. Morou seis meses em Varsóvia onde foi estudante Erasmus na Warsaw School of Economics.

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