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Neste final de semana, foi realizada mais uma “Conferência de Trabalho Financeiro Nacional” na capital chinesa, Beijing, contando com a presença do premiê chinês, Wen Jiabao. A Conferência serviu para o país definir suas projeções e prioridades financeiras dos próximos cinco anos (“Plano Qüinqüenal Chinês”).

 

Estas Conferências e Reuniões que discutem tais temas na China são de interesse mundial, devido a sua atual posição de grande player econômico. Quaisquer medidas que o país adote no seu sistema financeiro, no sistema cambial e em outras políticas econômicas podem beneficiar ou prejudicar os demais países no sistema econômico globalizado, além de seus parceiros comerciais.

Para Wen Jiabao, “a economia chinesa manteve um crescimento estável e relativamente rápido com os preços ao consumidor estabilizados e melhorias na vida das pessoas. O sistema financeiro está executando de forma constante. A boa dinâmica de desenvolvimento econômico e social permanece inalterada”*. Seus comentários são confirmados por conta dos dados da economia do país, que mesmo estando menor que nos anos anteriores, continua em um patamar elevado**.

Nestes próximos cinco anos, Beijing procurará manter a estabilidade de sua economia, tentando prevenir incertezas e falhas na manutenção econômica, afim de evitar que o país entre em uma situação complicada, ou até mesmo em uma crise como as que estão ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos.

O país trabalhará para melhorar o acesso de sua economia “real”. Sendo assim, a política chinesa focará no monitoramento do seu sistema, buscando a prevenção de um possível “risco”. Para Jiabao, o monitoramento vai se dar através dos Bancos e “Instituições Financeiras”, dos quais será exigido que realizem um acompanhamento completo e prudente de “riscos de crédito” e outros pontos que possam apresentar prejuízos às instituições e à economia interna.

Com relação às últimas duas grandes crises, os observadores apresentaram pontos comuns nas origens de ambas: “bolhas financeiras”. Segundo apontaram, elas se deram por bolhas no mercado imobiliário, falta de estrutura sistêmica dos Bancos e falta de controle do crédito concedido por Bancos e “Instituições Financeiras” para a indústria. Por este motivo, as autoridades chinesas passarão a monitorar com mais rigor o sistema financeiro interno, visando evitar essas possíveis Bolhas.

Com maior rigor no “sistema” interno, o país também irá atuar na segurança dos investidores, atendendo os direitos e interesses de pessoas físicas e jurídicas. Com as atuais incertezas dos crescimentos chinês, europeu e norte-americano, os investidores estão menos ousados, o que resulta em constantes oscilações nos pregões das “Bolsas de Valores”, com menos investimentos, conseqüentemente, menos desenvolvimento para as economias.

O Governo chinês é um grande investidor, tanto dentro quanto fora do país, sendo assim, os “Veículos Locais de Financiamento do Governo” chinês (LGFVs, sigla em inglês) também passarão por monitorias mais rígidas. Wen observou que muitas províncias tem dívidas que são “geralmente controláveis” e, para tentar evitar o aumento de empréstimos locais e do endividamento, o orçamento das LGFVs serão incluídos no orçamento geral do país.

Afirmou ainda: “Temos a confiança, capacidade e condições para mover o nosso crescimento econômico para uma nova etapa. (…). Devemos notar que, especialmente a crise financeira global ainda não terminou. Devemos fortalecer nossa consciência dos riscos e responsabilidades a fim de impulsionar o trabalho financeiro para novos níveis”*.

O Governo chinês irá manter seus “Programas de Inovação Financeira”, mas não evitará o controle desses novos sistemas, além dos atuais que estão em andamento, sendo esperada uma resposta rápida e positiva, pois o Premiê reforçou o comunicado de que o país irá abrir mais seu sistema financeiro para o mundo.

Um aumento do crescimento da segurança econômica interna do país é necessário para que sejam mantidos os interesses no exterior e suas altas reservas em moeda estrangeira para atuar com força no mercado internacional. As prioridades de crédito continuarão para os projetos de infra-estrutura (inicialmente no país), para os projetos habitacionais e para as micro-empresas que atendem as “Políticas de Estado”.

Segundo dados do setor financeiro da China (disponíveis no site do Governo e citados pelo “Global Times”), no ano passado, o país teve 119 trilhões de yuans, mais de 18 trilhões de dólares em ativos no setor financeiro. Cerca de 149% maior do que no final do ano de 2006.

O país, para assegurar um crescimento estável, mantém sua cooperação internacional ativa com as demais nações do globo, dando atenção especial à “América Latina” e ao “Sudeste Asiático”, regiões com as quais apresenta constante crescimento de suas relações políticas e econômicas. Preservando as fortes relações com estes Estados, a China garante rotatividade na sua “indústria exportadora”, que é uma das principais fontes de constituição do PIB.

Com estes parceiros comerciais, sendo 14 economias, os chineses já assinaram “Acordos de Swap” bilaterais, com um valor de 1,3 trilhões de yuans, todos em moedas locais, sem a utilização do dólar norte-americano.

Para Xia Bin, consultor de política monetária do “Banco Central da China”, citado pelo “Global Times”, essas novas “Políticas Monetárias” do governo chinês resultarão na redução de sua política expansionista. Afirmou: “Diminuir o crescimento é mundial, não é uma questão relativa de ciclos econômicos, mas sim um resultado natural do processo de reestruturação da economia global e da economia chinesa”*.

Nestes cinco anos futuros espera-se uma China cautelosa, apesar de correndo riscos em algumas ocasiões. Além disso, o país estará com novo governante. Por isso, os analistas estão colocando sob observação o desenvolvimento destas novas políticas a serem adotadas em prol da “saúde econômica chinesa”, que, supostamente, contribuirá para a manutenção da “Economia Global”.

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Fontes:

* Todas as citações são doGLOBAL TIMES”. Ver:

http://www.globaltimes.cn/NEWS/tabid/99/ID/691218/China-urges-serving-real-economy-amid-risks.aspx

** VerJornal do CEIRI”:

http://jornal.ceiri.com.br/2012/01/03/china-uma-economia-imprevisivel-para-2012/

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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