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Conflitos étnicos voltam a assombrar o interior da Etiópia

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A África Subsaariana é hoje palco de intensos conflitos étnicos e religiosos entre grupos distintos. Países como a Nigéria – em especial a região norte do país –, a República Centro-Africana e o Sudão, por exemplo, veem a sua estabilidade política ameaçada por conflitos extremamente longos, cujos impactos se faz ver em uma economia que luta para desenhar um cenário estável de crescimento.

No que tange a África Oriental, e especialmente o chifre da África – conjunto de países formado por Eritréia, Djibuti, Etiópia e Somália –, a história de conflitos também é intensa, tendo em vista que a região abriga um conjunto infindável de grupos étnicos diferentes. A recente estabilidade política e econômica etíope trouxe esperanças quanto à mitigação destes conflitos, tendo em vista a concentração do poder nas mãos da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE) e a economia em ampla ascensão.

Entretanto, os fatos ocorridos nas últimas semanas trouxeram dúvidas quanto a essa estabilidade recente. Ataques e sequestros a mulheres e crianças em pequenos povoados etíopes na fronteira com o Sudão do Sul trouxeram novamente à tona os temores de novas guerras étnicas entre a população local.

Situada na ponta mais ocidental da Etiópia, a região de Gambella foi o principal palco dos ataques dos grupos do Sudão do Sul. Até quarta-feira passada (20 de abril), estima-se que pouco mais de 200 pessoas foram mortas, 20 povoados foram atacados e cerca de 100 crianças foram sequestradas.

Autoridades locais ainda buscam elucidar os motivos por trás dos ataques ocorrido nas últimas semanas. Acredita-se que os ataques vieram do grupo Murle, tradicionais habitantes da região de Gambella e da região de Jonglei, ao leste do Sudão do Sul. Porém, ainda que a região tenha sido sempre palco de conflitos desta natureza, autoridades etíopes estranham o expressivo volume dos ataques e a relativa profissionalização dos combatentes sudaneses, os quais levavam, segundo testemunhas locais, uniformes militares não marcados e rifles Kalashnikov.

No médio e longo prazos, lograr a estabilidade política e social na região demonstra ser cada vez mais difícil. Ao Estado etíope cabe o desafio de encontrar meios de defender a sua população frente a decrescente capacidade de dialogar com grupos étnicos e transparência perante seus pedidos. No que tange o acordo de paz e vigilância de fronteiras com o Sudão do Sul, a delicada estabilidade governamental no mais novo país do mundo dificulta lograr qualquer tipo de segurança física e jurídica à população local.

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Imagem (Fonte – Voa News):

http://www.telegraph.co.uk/news/2016/04/17/armed-men-massacre-140-civilians-in-ethiopia-cross-border-raid/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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