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Confrontos violentos agravam a situação humanitária no Campo de Refugiados de Yarmouk

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O Campo de Refugiados de Yarmouk, criado em 1957, em decorrência do conflito israelo-árabe, abriga a maior população de refugiados palestinos na Síria. Situado ao sul de Damasco, Yarmouk foi o lar de aproximadamente 160.000 pessoas, mas, com o conflito armado naquele país, o número de habitantes se reduziu para em torno de 18.000 civis. Neste momento, o Campo está enfrentando sérios problemas humanitários. Segundo o Parlamento Europeu, desde 2012 os residentes de Yarmouk estão sitiados e o Campo foi submetido ao “lançamento de obuses de artilharia e a bombardeamentos pelo regime de Assad”.

De acordo com informações, a partir de julho de 2013, as forças do Governo sírio cercaram Yarmouk, suspeitando da presença de rebeldes no campo. Segundo um relatório do Grupo de Ação para os Palestinos da Síria, baseado no Reino Unido, esta medida tomada pelo Regime de Bashar al-Assad provocou a morte de muitos civis por “inanição e pela falta de suprimentos médicos”. Ainda segundo este grupo, “centenas de palestinos foram supostamente detidos, desapareceram ou foram torturados até à morte pelos serviços de Segurança”. Com o avanço das facções rivais que disputam o território sírio, aumentou o caos humanitário, sobretudo, nas áreas com interesse estratégico, principalmente para os militantes islâmicos. Hoje, os grandes embates em Yarmouk estão sendo travados entre o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, organizações insurgentes que concorrem pelo domínio daquela área. Os confrontos incessantes têm impedido a entrada de comida e água potável para as cerca de 6.000 famílias residentes no campo.

Em 2015, o Estado Islâmico sofreu um revés em Yarmouk. A investida destes fundamentalistas foi frustrada pela ação de militantes locais e da Frente al-Nusra. Porém, os últimos acontecimentos demonstram que os radicais liderados por Abu Bakr al-Baghdadi retornaram, tendo entrado em confronto direto com a Frente al-Nusra, e alcançado vitórias significativas. Atualmente, o Estado Islâmico controla 30% de Yarmouk e 70% do campo palestino. Conforme divulgado pelo The Long War Journal, através de informações veiculadas pela Amaq News Agency, a agência de notícias do Estado Islâmico, têm ocorrido várias deserções por parte dos combatentes da Frente al-Nusra e a perda de terreno pela al-Qaeda.

Estas informações foram confirmadas por fontes independentes, estimando-se que o Estado Islâmico tenha entre 2.000 e 3.000 combatentes em Yarmouk e suas proximidades, enquanto que o grupo rival tem apenas algumas centenas de beligerantes. Neste contexto, elevam-se as preocupações dos especialistas e de pessoas ligadas aos Direitos Humanos, tendo em vista que a cada dia piora a situação dos residentes do Campo, ante a impossibilidade da entrada de ajuda humanitária no lugar. Segundo a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), “os ataques contínuos e intensos estão causando não somente baixas civis e mortes, mas também têm agravado agudamente a escassez de alimentos e de água potável”. A UNRWA tem demonstrado intensa preocupação em relação às consequências causadas pelos violentos combates entre os extremistas em Yarmouk, que inviabilizam a ação de assistência humanitária e tem apelado às partes envolvidas no conflito para cessarem as hostilidades em nome do cumprimento do Direito Internacional Humanitário.

Os refugiados palestinos em Yarmouk, incluindo 3.500 crianças, enfrentam a fome, a desnutrição e a destruição de suas casas enquanto tentam sobreviver. Os últimos combates mobilizaram os ativistas dos Direitos Humanos, que criaram a hastag #yarmoukcampisburning na tentativa de atrair os meios de comunicação internacionais para o caos em Yarmouk, na sequência da ocupação jihadista desde 2012.

O desinteresse da comunidade internacional em relação aos crimes cometidos contra seres humanos naquele campo de refugiados é um fator de inquietação, na medida em que a vitória militar do Estado Islâmico ou da Frente al-Nusra não colocará fim aos confrontos, pois, independentemente do eventual vencedor, o que está previsto é a entrada das forças leais ao Governo sírio para retomar o controle daquela área. Este cenário pressupõe o sem-fim dos enfrentamentos e o infortúnio daqueles que não conseguirem fugir a tempo de Yarmouk.

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ImagemRefugiados palestinos em Yarmouk, numa fila por comida” (Fonte):

http://www.theguardian.com/news/2015/mar/05/how-yarmouk-refugee-camp-became-worst-place-syria#img-1

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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