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[:pt]Congressistas dos EUA pedem que Obama adie venda de armas à Arábia Saudita[:]

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No decorrer dos últimos dias, um grupo bipartidário formado por aproximadamente 60 legisladores dos Estados Unidos da América (EUA) solicitou a Barack Obama, Presidente estadunidense, que adie a venda de armamentos para a Arábia Saudita. Um dos argumentos utilizados pelos legisladores para este adiamento diz respeito ao aprofundamento da crise no Iêmen, ocasionada pelos ataques aéreos contra instalações civis, liderada pela Arábia Saudita, que podem ser considerados crimes de guerra. Outro refere-se ao curto prazo para analisar o acordo de venda, uma vez que coincidiu com o recesso de verão do Congresso.

No dia 9 de agosto de 2016, o Departamento de Defesa dos EUA havia anunciado a venda no montante de US$ 1,15 bilhão em tanques, veículos blindados, metralhadoras e munições aos sauditas. De acordo com a divulgação da Agência de Cooperação em Defesa e Segurança (DSCA, na sigla em inglês), o Governo saudita encomendou mais de 130 tanques M1A1/A2 Abrams, além de outros 20 para substituir unidades danificadas em sua frota. Adicionalmente, foram encomendados 266 metralhadoras M240 de 7,62 mm, 153 armas calibre 50, veículos de recuperação de blindados, entre outros equipamentos.

Naquele momento, a DSCA declarou em comunicado à impressa que a proposta de venda contribuiria para a política externa e de segurança dos Estados Unidos. A Agência de Cooperação em Defesa e Segurança destacou ainda que a venda de armamentos ajudaria a melhorar as capacidades militares de um importante parceiro estratégico norte-americano na região do Oriente Médio. Além de propiciar maior interoperabilidade entre Royal Arábia Land Force com as forças estadunidenses, realçando o compromisso dos Estados Unidos com a segurança e a modernização forças armadas sauditas. No entanto, segundo o DSCA essa melhoria nas capacidades militares não irá promover uma alteração no equilíbrio militar da região.

O pedido visa melhorar as capacidades terrestres da Arábia Saudita, que, no presente, comanda uma coalizão militar composta por alguns países do Golfo Pérsico, que lutam ao lado das forças leais ao presidente do Iêmen exilado, Abd-Rabbu Mansour Hadi. Além disso, a coalização tem como objetivo expulsar as forças Houthi, que tem como aliado o Irã. Vários organismos internacionais e grupos de direitos humanos criticam os bombardeios aéreos promovidos pela coalizão, por conta da morte de civis. Para Kristine Beckerle, pesquisadora do Human Rights Watch, a campanha liderada pela Arábia Saudita tem sido cruel para civis. Assim, Beckerle ressalta que os Estados Unidos deveriam suspender a venda, bem como reprovar qualquer outra venda futura.

Desde março do ano passado (2015), essa coalizão já realizou diversos ataques aéreos contra os rebeldes no Iêmen. De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), entre março de 2015 e 23 de agosto de 2016, cerca de 3.800 civis foram mortos e 6.711 ficaram feridos em função da guerra. Além do mais, segundo a ONU, em virtude do conflito, pelo menos 7,6 milhões de pessoas, entre eles 3 milhões de mulheres e crianças, sofrem de desnutrição e 3 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar seus lares. É justamente esse um dos argumentos dos legisladores estadunidenses que apontam suas preocupações com a morte de pessoas inocentes no Iêmen, causadas pelos ataques aéreos executados pela coalizão.

A ocasião da aprovação da venda coincidiu com o primeiro ataque aéreo em cinco meses, promovido pela coalizão em Sanna, capital do Iêmen, que deixou 14 pessoas mortas. Nesse aspecto, para Rand Paul, senador republicano, “a Arábia Saudita é um aliado confiável com um registro pobre de direitos humanos”. Logo, os Estados Unidos não deveriam vender armas avançadas que podem vir a promover uma corrida armamentista no Oriente Médio. Os democratas Chris Murphy e Ted Lieu também se pronunciaram contrários à venda, destacando o alto índice de morte de civis. Lieu foi ainda mais categórico, afirmando que as ações da coalizão são repreensíveis, ilegais e que, sim, os múltiplos ataques promovidos contra civis são crimes de guerra.

O Congresso dos EUA deverá reunir-se novamente no próximo dia 6 de setembro e terá dois dias para decidir se bloqueará a venda. Por fim, cabe pontuar que esse não seria o primeiro cancelamento de venda de armas aos sauditas. Em novembro de 2015, o Governo estadunidense cancelou uma venda de mais de 10 mil munições de caráter avançado para eles.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.com/en/us-state-department-oks-saudi-arms-deal/a-19462816

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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