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Continuam os conflitos armados na Líbia

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Diante do quadro de impasse político, tensão institucional e insegurança jurídica que vive a Líbia, os conflitos armados continuam, apesar de ainda não terem a dimensão de uma nova revolta, de uma contra-revolução ou de guerra separatista, embora estes quadros estejam no horizonte para um futuro breve, caso o Governo não consiga se organizar para produzir uma Constituição capaz de contemplar as demandas dos mais variados segmentos que compõem a sociedade líbia, a qual, conforme muitos especialistas apontam, também precisa ser construída dentro de uma idéia unificadora, uma vez que prevalece no país a mentalidade das diferenças tribais.

 

De acordo com o que vem sendo disseminado na mídia, o dia-a-dia da sociedade é violento, expressando-se das mais variadas formas, com “Carros-bomba, assassinatos de altos funcionários políticos e militares, ataques contra diplomatas estrangeiros e organizações não governamentais, e jovens resolvendo disputas menores armados com armas AK-47”*.

Além disso, os partidários de Kadhaffi ainda estão presentes, anunciando que retomarão a iniciativa para recuperação do poder no momento propício, embora neste momento estejam na ativa apenas com atentados, tal qual o que ocorreu no dia 11 de agosto, quando um carro-bom explodiu em frente ao hotel “Four Seasons”, no centro de Trípoli (Capital do país), objetivando atingir membros das “Forças Armadas” que ali estavam hospedados.

Segundo depoimento de membro da “Força de Segurança” dado à “Agência de NotíciasIPS e divulgada pelo “Correio do Brasil”, ele foi feito pelos partidários de Muammar Kadhsfi. Afirmou: “Acreditamos que ex-partidários de Khadafi estão por trás deste ataque e do de sábado passado (quando outro carro-bomba explodiu na frente da sede da Polícia militar em Trípoli)…. Os tahloobs (leais a Khadafi, em árabe) são grandiloquentes, dizem que farão uma contrarrevolução contra o movimento 17 de fevereiro (quando começou a revolução que derrubou Khadafi). Eles só poderão realizar pequenos atos de sabotagem, nada importante”*.

A IPS também conseguiu entrevistar militantes tahloobs, no bairro “Abu Salim”, na capital, onde houve distribuição de armas para os partidários do Governo resistirem às investidas  dos rebeldes nos últimos momentos da Revolução. Ahmed um dos tahloobs entrevistados declarou: “Estamos à espera do momento adequado. Não nos renderemos. Se o novo governo pensa que somos uma força desgastada, estão errados”*. Outro militante kadhafista clandestino entrevistado afirmou que “Cada homem desta área está armado, mas as nossas armas estão enterradas porque a zona é alvo de buscas das forças de segurança”*.

Diante do quadro de violência constante, grande disseminação de armas de fogo entre o povo, constantes atentados, limpeza étnica promovidas pelas milícias**, tensão política e incapacidade das lideranças de encontrarem pontos de convergência, os observadores estão temerosos de que uma nova ação bélica se inicie em futuro breve ou médio, talvez tendo como marco de balizamento a data para a apresentação da nova Constituição do país.

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Fonte:

* Ver:

http://correiodobrasil.com.br/libia-leais-a-khadafi-pegam-em-armas/503411/

** Ver:

http://correiodobrasil.com.br/milicias-na-libia-promovem-limpeza-etnica-em-cidade-que-apoiou-gaddafi/505147/

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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