LOADING

Type to search

A contribuição russa na Missão Europeia para Mercúrio

Share

No sistema solar, o planeta Mercúrio é o mais próximo da estrela e por causa de sua peculiaridade é um dos astros de maior complexidade para ser estudado, devido ao intenso calor que recebe do Sol.

Somente duas missões espaciais da National Aeronautics and Space Administration (NASA) foram enviadas para investigar seus mistérios: a Mariner 10, na década de 1970, e a Messenger, em 2004, as quais apenas deixaram os cientistas mais curiosos.

Sistema Solar, sendo Mercúrio o planeta da primeira órbita

Dentre as descobertas feitas até o momento, os pesquisadores observaram que Mercúrio é o único planeta a manter um campo magnético ativo, com exceção da Terra, e perceberam que existe gelo no interior de algumas crateras, o que poderia ser um indicativo de água; e ainda que possui sódio, potássio e magnésio em abundância a revés dos demais planetas do sistema.

Com o propósito de expandir os conhecimentos, a European Space Agency (ESA) anunciou seu projeto para a exploração de Mercúrio: o Bepi Colombo, que será lançada em Kourou, na Guiana Francesa, a partir de outubro de 2018. A Missão da nave espacial é internacional e compreende uma parceria entre os países da Europa com a Rússia e o Japão. A Bepi Colombo é uma homenagem a Giuseppe Colombo, matemático italiano, que fez os cálculos para o ingresso na órbita mercuriana.

Os componentes básicos da sonda são o Mercury Planetary Orbiter (MPO), de tecnologia europeia, responsável pelos dados da superfície e subsolo; e o Mercbore Magnetospheric Orbiter (MMO), de tecnologia japonesa, responsável pelos dados do campo magnético. O MPO possui 11 instrumentos, sendo o espectrômetro de raios gama e de nêutrons (MGNS) de fabricação russa, e o espectrômetro ultravioleta (PHEBUS), desenvolvido pela França e pela Rússia.

A BepiColombo levará 7 anos até chegar a Mercúrio e exigiu muito tempo de preparação, conforme afirmação do cientista da Agência Espacial Europeia (ESA), Joe Zender: “Se você voa para Mercúrio o ambiente é muito hostil. Você está tão perto do Sol que durante o dia você tem temperaturas de 400° C e durante a noite você tem temperatura de -120° C. Por isso, foi muito difícil criar mecanismos que funcionem lá”. Já o Chefe do Programa Científico da Agência Espacial Europeia (ESA), Johannes Benkhoff, salientou: “Tivemos algumas vezes que refazer todo o projeto devido ao sobreaquecimento dos componentes da sonda. Mas agora podemos dizer com confiança que estamos prontos para o voo e ir a Mercúrio em outubro de 2018”.

Analiticamente, a participação russa na confecção de aparelhagens especificas representa duas importantes abordagens: a primeira reflete uma investida no âmbito do soft power, expressada na capacidade da cooperação internacional na pauta de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologias no avanço em projetos científicos complexos; e a segunda abrange uma abordagem no âmbito do hard power, manifestada no aumento de poder do Estado russo diante de sua colaboração numa missão interplanetária a partir de maior projeção de Moscou no sistema internacional.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 BepiColombo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d4/BepiColombo_spacecraft_model.png/768px-BepiColombo_spacecraft_model.png

Imagem 2 Sistema Solar, sendo Mercúrio o planeta da primeira órbita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c2/Solar_sys.jpg

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

  • 1

3 Comments

  1. Iury Chafim 20 de julho de 2017

    Muito interessante, parabéns, mas as ordens não estariam trocadas? Soft Power pela cooperação e Hard Power pelo aumento da capacidade tecnológica e projeção de força através de uma missão especial?

    Abraço

    Responder
  2. Paulo Cadavid 21 de julho de 2017

    Existe um erro no artigo, as sondas enviadas pela NASA, a Mariner 10 e a Messenger, não sao ambas dos anos de 1970. A Messenger foi lançada em ao espaço em 3 de Agosto de 2004, a bordo de um foguete Boeing Delta II e após uma série de manobras e aproximações, entrou finalmente em órbita do planeta em março de 2011 e aí ficou até 30 de abril de 2015, quando foi encerrada a sua missão, após esgotar seu combustível, sendo jogada pelos controladores da missão em terra sobre a superfície do planeta.

    Um abraço.

    Responder
  3. Bruno Veillard 26 de julho de 2017

    Prezados leitores, boa tarde.
    Agradeço pelos comentários feitos os quais serão respondidos na respectiva ordem de postagem e conjuntamente nesta interlocução.
    Em primeiro plano as abordagens do Soft Power (poder brando) e do Hard Power (poder duro) correspondem a uma forma de interpretação no âmbito de Relações Internacionais e, neste artigo, buscou-se fazer uma leitura a partir desses conceitos clássicos, mas não uma reprodução exata do que afirma o teórico original.
    Associou-se o Hard Power ao potencial tecnológico russo na construção de equipamentos do Bepi Colombo, visto que poucos são os Estados que possuem ingresso na tecnologia em questão, o que permite uma associação com o Poder Duro, já que o acesso à tecnologia de ponta, ou avanço tecnológico, pode ser aplicado à indústria armamentista, bem como nas demais ações voltadas à Segurança e a Defesa. Logo, pode-se considerar que tal situação permite o aumento do Hard Power. Em síntese, por direito interpretativo, adotei como procedimento que o acréscimo da tecnologia nesta situação pode ser tomado como crescimento do Poder Duro. No que tange ao Soft Power identificou-se que a contribuição russa na recente Missão para Mercúrio representa um ganho ao Estado e sua diplomacia, na medida em que existe potencial de aumento da projeção científica e tecnológica do país no sistema internacional, o que permite cooperação, diálogo, investimentos econômicos, em síntese, uma associação ao Poder Brando.
    Em segundo plano peço desculpas pelo equívoco textual no referente a Missão Messenger a qual de fato ocorreu em 2004, segundo o site da NASA (https://solarsystem.nasa.gov/missions/messenger/indepth), e não na década de 1970, conforme informou-se anteriormente. Entretanto, é preciso salientar que está incorreta a indicação de que a Missão Mariner 10 não ocorreu na década de 1970, consoante o site da própria NASA (https://solarsystem.nasa.gov/missions/mariner10/indepth).
    Tais comentários colaboram muito para o meu aprimoramento, bem como para o meu crescimento profissional e intelectual, de forma que a participação desses dois amigos intelectuais que comentaram sobre o artigo ajudou em minha reflexão e estão contribuindo para esclarecimento dos demais leitores.
    Um cordial abraço a ambos.

    Responder

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.