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Convergência: o Hezbollah e as Organizações Criminosas Transnacionais

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O Hezbollah, considerado por muitos Estados como uma organização terrorista, surgiu com a intenção de motivar um sentimento favorável ao Irã e ao fundamentalismo na região, a fim de estabelecer o Líbano como uma república islâmica e fazer frente a toda influência estrangeira.

Em 1985, o Hezbollah emitiu um manifesto jurando lealdade ao líder supremo iraniano, Ayatollah Ruhollah Khomeini, insistindo no estabelecimento de um regime islâmico e demandando a expulsão dos Estados Unidos (EUA), França e Israel do território libanês, bem como a destruição do Estado de Israel. O ideal político da fundação da organização foi acompanhado de ações terroristas, o que lhe garantiu o status de um importante ator estratégico do Oriente Médio, capaz de influenciar o curso sobre a paz e a guerra no território.

Um dos principais pontos de consolidação do grupo está na América do Sul, mais precisamente na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), precipuamente através da utilização de negócios locais, do tráfico de drogas e de redes de contrabando, com o objetivo de arrecadar fundos e financiar operações terroristas em todo o mundo.

Símbolo do Departamento de Justiça dos EUA

É nesse contexto que o Departamento de Justiça dos EUA, com base em informações provenientes do “Projeto Cassandra”, criou uma força tarefa para investigar questões relacionadas à lavagem de dinheiro, ao tráfico de drogas e ao financiamento do terrorismo por parte do grupo Hezbollah.

Integra o “Projeto Cassandra” uma série de investigações desenvolvidas pela Drug Enforcement Administration (DEA) dos EUA com relação a operações de tráfico de entorpecentes realizadas por componentes dessa organização terrorista.

Convém explicar que, historicamente, existe um movimento pendular conhecido como “processo da linha de inversão” do qual muitas organizações se valem, de acordo com a conveniência e, principalmente, quando não conseguem mobilizar a população, todavia, sem perder sua identidade, para se apresentar ora como terroristas ora como insurgentes. É o caso, por exemplo, do Hezbollah.

Organizações criminosas transnacionais operam em escala global, cruzando fronteiras internacionais para continuar sua busca pelo poder, influência e lucros. Entender as conexões entre o terrorismo e o crime, assim como saber examinar os vínculos entre si, é fundamental para inferir a capacidade dessas organizações e sua ingerência na exploração do sistema financeiro para os seus ganhos ilícitos. A convergência dessas ameaças, propriamente a convergência crime-terror, a partir de redes de colaboração, contribui de forma significativa para a deterioração da sociedade e do Estado e deve ser considerada uma prioridade de segurança nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Hezbollah” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hezbollah#/media/File:Flag_of_Hezbollah.svg

Imagem 2Símbolo do Departamento de Justiça dos EUA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Department_of_Justice#/media/File:Seal_of_the_United_States_Department_of_Justice.svg

Moggar Frederes de Mattos - Colaborador Voluntário

Major da Brigada Militar do RS com 19 anos de serviço ativo, sendo 07 anos como Assessor de Inteligência da Agência Central de Inteligência da Brigada Militar do RS. Bacharel em Ciências Militares – Área Defesa Social pela Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do RS e Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Diplomado em Terrorismo e ContraInsurgência e em Combate ao Crime Organizado Transnacional e as Redes Ilícitas das Américas pelo Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa William J. Perry da Universidade de Defesa Nacional dos EUA. Negociador Policial. Observador Policial/United Nations Police (UNPol) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no ano de 2008. Atualmente exerce a função de Chefe da Secretaria Executiva do Chefe do Estado Maior da Brigada Militar do RS.

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