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[:pt]Conversas hackeadas do Telegram apontam possíveis alvos do Estado Islâmico e censura do Governo Iraniano[:]

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No dia 3 de agosto, quarta-feira, uma empresa israelense de cibersegurança alegou ter conseguido acessar conversas criptografadas de um grupo do Estado Islâmico no aplicativo Telegram e alertou que o conteúdo dessas conversas eram chamadas para ataques contra possíveis alvos do grupo terrorista, incluindo bases aéreas norte-americanas no Oriente Médio, mais especificamente no Kuwait, Arábia Saudita e Barém. Dentre as indicações constantes nas conversas do grupo, está a igreja na Normandia, onde o Padre Jacques Hamel, de 84 anos, foi assassinado, no final de julho, por dois homens com facas. Tragédia pela qual o Estado Islâmico alegou responsabilidade.

Este, no entanto, foi o segundo relato ocorrido na semana passada, relacionado à invasão de conversas no Telegram. No dia anterior, terça-feira, 2 de agosto, pesquisadores afirmaram que dúzias de conversas de usuários no Irã foram acessadas. Em um país onde as redes sociais como Facebook e Twitter são bloqueadas, o Telegram, por oferecer criptografia de ponta a ponta, tornou-se uma plataforma extremamente popular. No entanto, os mesmos pesquisadores apontam que a invasão foi possível através das mensagens de verificação, quando usuários ativam novos dispositivos, “o que soa, basicamente, como cooperação com as companhias telefônicas”.

Porém, o maior alerta foi sobre os usuários que tiveram as conversas acessadas. Em sua maioria, são oponentes ao Governo do Irã, que chegaram a ser detidos depois das entradas. Collin Anderson e Claudio Guarnieri, da Anistia Internacional, declararam expressamente: “nós observamos casos em que as pessoas estavam sendo presas após suas conversas terem sido acessadas”. De acordo com os pesquisadores, o grupo responsável pelo ataque é conhecido como “Rocket Kitten” e, como foi identificado em casos anteriores, ele possui laços com o Governo Iraniano.

Tais casos, a presença do Estado Islâmico no Telegram, conforme divulgado pelos israelenses, a quebra da criptografia do Telegram por uma empresa de cibersegurança e as invasões do Governo iraniano nas redes sociais para realizar perseguições políticas, segundo foi apresentado pelos pesquisadores, expressam de forma ampla os problemas que envolvem a relação entre segurança e respeito à privacidade, no atual ambiente da tecnologia da informação.

Esse alcance do Estado Islâmico, proporcionado pela presença online do grupo, possibilita a transposição de fronteiras nacionais, viabilizando a execução ataques como o recente assassinato do padre na Normandia, ou o ocorrido em Nice. O instrumento tecnológico permitiu que tais ações fossem executadas sem o financiamento direto do grupo, com envolvimento de recrutas e sem deixar traços convencionais, como registros em passaportes e transferências de dinheiro, ou de armamentos, casos em que seria possível a aplicação de medidas de segurança, antecipadamente. No entanto, vemos, por outro lado, a expansão do aparato de censura e perseguição política por parte de governos, que usam a justificativa da Segurança e do combate ao Terrorismo Internacional para avançar no desrespeito aos direitos de privacidade, afetando o estado democrático de direito.

Esses exemplos representam uma nova face dos conflitos, que surge como decorrente do meio técnico-científico-informacional, onde a relação privacidade e segurança vêm assumindo um caráter paradoxal e se tornando um cabo de guerra entre ativistas e governantes, destacando-se que as autoridades de diferentes Estados Nacionais ainda encontram dificuldade para se coordenarem e se posicionarem.

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ImagemLogo do Telegram” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Telegram_(aplicativo)

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Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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