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A cooperação australiana e norte-americana na vigilância mundial

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Novos documentos publicados em uma colaboração entre o site The Intercept e a Australian Broadcasting Corporation (ABC) oferecem uma perspectiva inédita a respeito da cooperação australiana e norte-americana na vigilância e geoposicionamento de alvos ao redor do globo. A investigação realizada aborda mais especificamente o complexo de segurança conhecido como Joint Defence Facility Pine Gap, construído na década de 1960, no interior do território australiano, objetivando principalmente o monitoramento da Rússia, Paquistão, Japão, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Índia. Porém, com a dissipação da bipolaridade da Guerra Fria, o complexo Pine Gap assumiu novas funções.

Documento obtido pelo The Intercept a respeito do relacionamento entre EUA e Austrália

Atualmente, serve como base para satélites norte-americanos responsáveis pelo monitoramento de comunicações por todo o mundo, de acordo com a investigação que vem sendo feita pelo The Intercept e pela ABC. Os documentos mostram que além do monitoramento de testes em países alvos, os satélites são responsáveis pela aquisição de “sinais militares estratégicos e táticos, científicos, políticos e econômicos de comunicação”.

Segundo documentos de 2013, vazados por Edward Snowden, o complexo de Pine Gap “desempenha um papel significativo no apoio a atividades de inteligência e operações militares”, atuando principalmente no geoposicionamento de alvos, decorrente da coleta de dados e monitoramento. Dessa forma, o complexo na Austrália recolhe as informações e oferece o posicionamento geoespacial para que drones norte-americanos possam bombardear alvos em qualquer região do globo.

De acordo com Richard Tanter, professor da Universidade de Melbourne, os documentos exibem que o complexo “Pine Gap está envolvido, por exemplo, na geolocalização de celulares usados ​​por pessoas em todo o mundo, do Pacífico até a fronteira da África (…) Isso nos mostra que Pine Gap conhece as geolocalizações – entregando (aos EUA) os números de telefone, muitas vezes o conteúdo de qualquer comunicação, proporcionando a habilidade dos militares americanos identificarem e localizarem em tempo real os alvos de interesse”.

O quadro de funcionários no complexo é composto principalmente de australianos e norte-americanos, desde militares à membros da NSA e CIA. Além de serem aliados históricos, EUA e Austrália, em conjunto com o Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia compõem o grupo conhecido como “Cinco Olhos”, notórios pelo compartilhamento de dados e intensa cooperação entre as agências de segurança dos respectivos países, compondo a extensa rede de vigilância evidenciada pelos vazamentos de Edward Snowden, em 2013.   

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vista aérea do Complexo Pine Gap” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APine_Gap_by_Skyring.jpg

Imagem 2Documento obtido pelo The Intercept a respeito do relacionamento entre EUA e Austrália” (Fonte):

https://theintercept.com/document/2017/08/19/nsa-intelligence-relationship-with-australia/

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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