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A cooperação entre China e Rússia na área militar e de energia

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A China e a Rússia realizaram nesta semana exercícios militares conjuntos em São Petersburgo e Kaliningrado, no Mar Báltico. A operação foi intitulada “Joint Sea 2017” e faz parte de um programa anual de cooperação estratégica e militar.  Os países realizarão ainda outro exercício naval no Mar Báltico, no mês de julho, e no mar do Japão, no mês de setembro. A operação “Joint Sea 2016” ocorreu no mar do sul da China, com duração de oito dias. Apesar desta sinergia, a cooperação sino-russa tem um longo histórico de encontros e desencontros.

Gráfico sobre Consumo primário e Produção de Energia na China

Parte significativa da ideologia do Partido Comunista da China durante a sua criação e chegada ao poder (1921-1949) foi advinda da experiência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Naquele contexto, a articulação virtuosa entre os países durou de 1949 até 1960, momento no qual o acirramento de tensões evidenciou que os grandes atores tinham uma visão muito diferente acerca de sua cooperação: a China buscava ganhos pragmáticos e a URSS via este país como um parceiro menor na luta para espalhar o comunismo no âmbito regional e global. Produziu-se uma crise na relação sino-soviética que, posteriormente, daria margem para uma aliança entre China e Estados unidos nos anos 1970. Conduzida por Henry Kissinger e Richard Nixon, esta aliança foi um fator instrumental para a derrocada da zona de influência soviética no final da Guerra Fria.  

Projeção ortográfica da região da Eurásia

No contexto do pós-Guerra Fria emergiu uma importante área de cooperação sino-russa, que diz respeito aos recursos energéticos. A China deixou de ser autossuficiente na produção de energia por volta do ano de 1997 e, a partir deste ponto, a obtenção e disponibilidade de recursos naturais e energéticos se tornou um elemento vital para a manutenção do crescimento da economia chinesa. A Rússia, como grande detentora de petróleo e gás natural, vê na China uma oportunidade de balanceamento em relação aos embargos comerciais e às relações turbulentas com o Ocidente, ao passo que a China é um crescente mercado consumidor de hidrocarbonetos. Neste sentido, a parceria sino-russa, que se intensificou nos anos 2000, foi um passo pragmático e de importância estratégica para ambas as partes.

O ordenamento global será moldado crescentemente por alguma combinação do triângulo estratégico formado por Estados Unidos, China e Rússia e sua atuação na região da Eurásia. A dificuldade persiste na sutileza dos movimentos realizados por estes grandes atores. Recentemente, é possível observar certas tentativas dos Estados Unidos de se reaproximar da Rússia. Não obstante, a aliança entre China e Rússia não é mais uma mera articulação pragmática, ao passo que se estende por mais de duas décadas e sua continuidade poderá se tornar menos dependente da atuação dos Estados Unidos. Os países são expoentes dentro da coligação internacional dos BRICS e, igualmente, na Organização para Cooperação de Xangai (OCX), que atua principalmente no âmbito securitário na região da Eurásia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre Xi Jinping e Vladmir Putin, mandatários da China e da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping%2C_BRICS_summit_2015_01.jpg

Imagem 2 Gráfico sobre Consumo primário e Produção de Energia na China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/China-primary-energy-ej-2009v1.svg/2000px-China-primary-energy-ej-2009v1.svg.png

Imagem 3 Projeção ortográfica da região da Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg/2000px-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg.png

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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