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A cooperação EUA-Índia sob um sólido desenvolvimento

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Os dias 7 e 8 desse mês de junho foram pouco discutidos nos meios de comunicação, porém a data exaltou mais um capítulo da importante retomada das relações bilaterais entre EUA e Índia. A visita do primeiro-ministro indiano Narendra Modi a Washington foi o quarto encontro do Chefe de Governo com o presidente norte-americano Barack Obama, em um curto espaço de dois anos.

Na gestão de Obama, os esforços de expandir os laços seguiram o enredo dos dois últimos presidentes, Bill Clinton e George W. Bush. Por esse motivo, para a atual administração conseguir produzir na cooperação Washington-Nova Deli um efeito de constituir um oásis de oportunidades comerciais, ambientais e geoestratégicas é essencial no atual ambiente conturbado da ordem internacional, recorrente no trato com inúmeros teatros de instabilidade, a citar o caos no Oriente Médio, a Rússia no seu desejo de retomada do protagonismo internacional e o aumento da assertividade da China.

Na visão, principalmente de especialistas indianos, o momento de construção desse protagonismo internacional deve ser celebrado e consolidado, pois denota uma oportunidade de alçar a Índia a mais um degrau de grande player em questões relevantes e sensíveis do contexto sistêmico, principalmente aqueles que envolvem os interesses dos Estados Unidos na região. Nesse sentido, temas envoltos a parceria em defesa, políticas de alterações climáticas, além de cooperação nuclear e combate ao terrorismo justificam o caráter estratégico que a condução bilateral dos dois Estados pretende adotar.

Com a conclusão da visita, as questões de grande relevância produziram, como destaques, dois temas em que já há um grande empenho em solidificar suas bases: o primeiro, fórmulas de como frear as mudanças climáticas, cujo envolvimento em projetos de energia limpa tende a constituir uma agenda pioneira, que poderá ser explorada por outros atores; o segundo, os laços em defesa, cujo pano de fundo envolve as ambições da China, que são os mais emergenciais na interpretação bilateral.

Ao longo dos respectivos mandatos, os dois líderes apostaram em energia limpa e a junção das agendas condicionou, segundo analistas consultados, nesse enlace florescente que também culminou na abertura de diálogo em outras frentes de interesse mútuo. Por outra via, as medidas adotadas terão impacto global, a população indiana, na casa de 1,3 bilhão, mais a rápida industrialização, que produz US$ 2,3 trilhões, aliado a milhões de cidadãos pobres com novas possibilidades de rendimento e padrão social ascendente, inserem a nação asiática como a terceira maior fonte de emissões de carbono, em seguida à China e aos Estados Unidos, e essa busca por um crescimento com baixo carbono conecta-se ao entendimento de postura global vital defendida por Barack Obama ao longo de seus dois mandatos.

No plano prático, foram definidos esforços para financiar projetos de energia limpa, no valor de aproximadamente US$ 400 milhões, para levar energia renovável para um milhão de lares, até 2020. Em complemento, também a iniciativa “U.S.-India Clean Energy”, Hub que servirá como o primeiro passo para organizar os investimentos e, o “U.S.-India Catalytic Solar Finance Program”, para atrair investimentos privados na ordem de US$ 1 bilhão para projetos menores.

A conjuntura envolvendo a ordem regional, pelo recorte das disputas no Mar da China Meridional criam na cooperação os meios para quantificar e qualificar a aliança em defesa. Assim como as recentes Visitas de Estado nas Filipinas e no Vietnã, que remetem ao círculo de cobertura do “freedom of navigations operations” (FONOPs) à Índia, na visão estadunidense, deve ser abrangida nesse mesmo contexto como mais um Estado aliado contra a coação chinesa, para tanto, alguns passos devem ser seguidos:

  1. Índia e Estados Unidos devem continuar utilizando do diálogo em prol da livre navegação por vias unilaterais e também a nível bilateral;
  2. Os Estados Unidos devem ter o papel de passar segurança aos Estados desta região a ponto de conter a ansiedade quanto a capacidade de sustentação da política de Pivot Para Ásia, ainda mais no período de embate eleitoral presidencial, que poderá mudar parte do planejamento de política externa na futura administração;
  3. Em decorrência da participação indiana e chinesa no Bloco dos BRICS, o flerte cada vez mais incisivo de Washington em Nova Deli, em questões de defesa, inviabiliza uma resposta com menor conteúdo diplomático da chancelaria indiana para com a China, de modo que a palavra negociação e até mesmo uma declaração conjunta confeccionada pela própria Índia, mais Rússia e China sobre disputas, dentre as quais as que envolvem o Mar do Sul da China, devem ser exploradas pela via do diálogo, e isso para o Departamento de Estado é algo ainda a analisar, pois a proporcionalidade é um dos conceitos que a Casa Branca anseia em usar, caso as mensagens passadas por Beijing puxem para uma conotação mais agressiva, e tal movimento passa pela participação ativa de todos os aliados estadunidenses na região.
  4. Outro ponto a considerar seria a constituição de uma guarda costeira, aos moldes negociados com o Vietnã, com o objetivo de lidar com mais eficácia em relação a ameaças como pirataria e terrorismo, porém utilizando de outros meios para também mirar os movimentos da expansão chinesa.

Apesar de um dos cenários produzidos para refletir sobre o novo momento da relação Estados Unidos–Índia remeter a certa influência chinesa, é importante salientar que, mesmo com estreitamento da cooperação, a política externa indiana é independente e livre de compromissos estratégicos com outros países, assim como o foco da política externa chinesa seria para o Oriente e não para o Sul, e o intercâmbio que chineses e indianos construíram nos últimos anos é exaltado pela profundidade adquirida e pela importância declarada. Nesse sentido, portanto, ao menos em política externa, a governança de Nova Deli tende a preferir pelo multilateralismo como ferramenta que inibe o confronto e aumenta o poder de barganha em prol de maior grau de desenvolvimento.

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Imagem (Fonte):

https://www.mea.gov.in/Portal/InFocus/146_1_India-US.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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