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A Cúpula do G8 e o difícil consenso

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A Reunião do G-8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Canadá, França, Itália e Rússia), iniciou ontem (8 de julho) na Itália, a discussão com os países dispostos a debater temas como recessão global, segurança regional, problema do Irã, fome mundial e ajuda aos países em desenvolvimento.

 

Para participar da Cúpula foram convidados países como China, Espanha, Holanda, Turquia, Austrália, Brasil, Coréia do Sul, Indonésia, Dinamarca, Angola, Argélia, Egito, Nigéria e Senegal.

O presidente da China, Hu Jintao, abandonou os planos de participar da cúpula do G8 e decidiu voltar ao país para monitorar os conflitos étnicos que se agravaram na província de Xinjiang (extremo oeste da China).

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conseguiu convencer aos demais líderes que contribuam com cerca de US$ 12 bilhões, nos próximos três anos, para uma iniciativa de segurança alimentar que permitirá proporcionar ajuda de emergência contra a fome além de estabelecer sistemas de distribuição de alimentos e agricultura sustentável.

Na área do meio-ambiente, os líderes do G8 se comprometeram a tentar reduzir em 80% as emissões de gases do efeito estufa até 2050, desde que os demais países reduzam suas emissões em 50%.

O comprometimento dos países do G-8 para a redução das emissões de gases que causam efeito estufa sempre foram reivindicações fortes das nações emergentes, porém, a proposta nesta área lançada ontem pelo G8 foi sucedida por forte resistência dos países em emergentes, principalmente Brasil, Índia e China, alegando que as nações mais ricas devem fazer mais para controlar o aquecimento global e que os países pobres não podem pagar a conta com medidas que limitem seu desenvolvimento, e também defenderam esquemas de compensação financeira por eventuais cortes de emissões feitas pelos países mais pobres.

Sem decisões claras, as divergências impedem no momento um consenso que leve a um acordo global para substituir o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e expira em 2012. O acordo pós-Kyoto deve ser discutido na conferência sobre mudanças climáticas que será realizada em dezembro em Copenhague, na Dinamarca.

Outro tema debatido foi sobre a cotação do Petróleo. Os dirigentes do G8 indicaram que o preço justo do petróleo deve ser entre 70 e 80 dólares, porém o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, indicou aos seus homólogos que “regular estes preços dificilmente será realizável”. O assunto, no momento, ainda está indefinido.

A crise que surgiu no Irã após a polêmica reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad também foi debatida. A França é um dos países que mais tem defendido o endurecimento de sanções ao Irã, mas a Rússia rejeitou a idéia e não ficou claro se a Alemanha e a Itália, países que têm importantes vínculos econômicos com os iranianos, estariam dispostas a apoiar os franceses. Ao mesmo tempo, os líderes do G8 esboçaram mais uma dura condenação ao teste nuclear recentemente realizado pela Coréia do Norte, mas nada foi decido por enquanto.

Os resultados do primeiro dia de reunião do G8 são inconclusos, tendo muito a se debater ainda. No entanto, a Cúpula termina na sexta-feira, deixando a esperança de que as discussões se desenvolvam e resultem em medidas concretas a serem tomadas com relação aos principais desafios impostos atualmente.

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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