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A EXPERIÊNCIA ASIÁTICA PODE CONTRIBUIR NA RECONSTRUÇÃO DO HAITI

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O ano de 2010 iniciou com a tragédia no Haiti, causada pelos terremotos ocorridos no mês de janeiro. Os abalos prejudicaram toda a infra-estrutura e causaram dezenas de milhares de mortes no país, deixando certa de 600 mil pessoas sem teto. A tragédia, contudo, mobilizou a comunidade internacional para oferecer assistência e ajuda humanitária à reconstrução do país, contando também com a participação dos asiáticos, que já sofreram do mesmo mal no decorrer de sua história.

 

O continente asiático já foi vítima de vários tremores sísmicos e “tsunamis”, levando os países da região a desenvolver tecnologia e a se preparar contra incidentes do gênero. Todos os Estados asiáticos adotam meios diferentes de atuar com estas situações, partindo da informação e da educação da população até a construção de estruturas anti-sísmicas.

No mundo, países como o Japão e os Estados Unidos investem em sistemas para prever tremores e na fortificação de edificações, com o intuito de não sofrer tanto com os terremotos e diminuir o número de vítimas. O Japão, hoje, é o mais avançado no tema, sendo capaz de prever terremotos minutos antes de acontecer, graças às sofisticadas redes de sismógrafos.

Este sistema é utilizado pelos japoneses e por Taiwan. Ele tem capacidade de analisar a magnitude e emitir sinais eletrônicos que chegam aos povoados próximos antes das ondas sísmicas. O sistema também permite fazer a análise e emitir um alerta faltando dez segundos para começar o abalo, possibilitando o aviso antes que ele ocorra. Com isso, se evitam perdas humanas e alguns danos na estrutura das cidades.

Os japoneses investem nesses sistemas e educam a população sobre como proceder em tais casos. O país, assim como os Estados Unidos, investe ainda no sistema de isolamento sísmico, que tem como conceito deixar a base dos edifícios (estruturas) “separadas” das componentes horizontais do movimento do solo, pela interposição de uma camada com baixa rigidez horizontal entre a estrutura e a fundação.

Com o isolamento de base e a tecnologia atribuída aos sismógrafos, o Japão acredita que não sofrerá tanto como em 1995, quando ocorreu o grande terremoto de Hanshin, que devastou a cidade de Kobe, da mesma forma como em janeiro devastou o Haiti. O investimento em sistemas anti-catástrofes ocorrem desde o início da década de 1990 e, hoje, conta com uma agência especializada no assunto.

No ano de 2004, o Japão ofereceu apoio ao governo indonésio para a criação da Agência Nacional de Gestão de Catástrofes, logo após o país ter sido atingido pelo tsunami no oceano Índico. As experiências e o investimento em sistemas do mesmo gênero levaram a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) a transmitir o conhecimento para outros países interessados neles, além da própria Indonésia. Algo que poderá ser feito no Haiti.

Os EUA, tanto quanto o Japão, também utilizam sistemas de isolamentos de bases e estão trabalhando em um projeto-piloto patrocinado pela USGS (U.S. Geological Survey), com o objetivo de desenvolver uma rede de sismógrafos, similar a dos japoneses. No entanto, o sismólogo Brian Baptie, da British Geological Survey (BSG), diz que esses sistemas “ainda não são muito confiáveis”. 

Mesmo em países como o Japão, que já tem um sistema implementado, houve muitos alarmes falsos. Em outros casos, o sistema não avaliou a magnitude do tremor corretamente ou mesmo não foi capaz de detectar tremores“, afirmou Baptie à BBC Brasil. Sua avaliação está baseada em alarmes falsos, ocorridos no Japão.

O procedimento seguido, quando um alarme é acionado, faz com que cidades inteiras sejam paralisadas, a população refugiada em abrigos anti-terremotos, resultando em pequenos “atrasos” à economia local.

Com base na experiência e tecnologia desenvolvida o Japão, a China e a ilha de Formosa (Taiwan) também estão atuando na ajuda humanitária ao Haiti, com equipes médicas, policiamento e envio de suprimentos.

O Japão enviou uma equipe médica composta por 25 membros, atuando na cidade de Leogane, a cerca de40 Kmde Porto Príncipe, capital haitiana. A cidade comporta cerca de 100 mil habitantes e teve a maioria dos seus hospitais ruídos pelos tremores.  A equipe japonesa, assim como as equipes de outros países, sofre com a falta de equipamentos para tratar de vítimas em condições sérias.

O governo de Taiwan está honrando sua dívida política com o Haiti e também auxilia com o envio de equipes médicas, suprimentos e equipes de resgate. Destes países asiáticos que atualmente estão ajudando na reconstrução do Haiti, a pressão sobre Formosa é esperada, não pelos olhos do mundo, mas pelo próprio governo e por sua população.

A ajuda taiwanesa é esperada, pois o Haiti é um dos países que mantém relações diplomáticas com Taipei, ou seja, reconhece a ilha de Formosa como um país independente. A China, atualmente, não mantém “relações diplomáticas” com o Haiti, porém está enviando assistência humanitária, sem se preocupar com esses relacionamentos entre Taiwan e o Haiti. Dentro do governo taiwanês há certa cobrança quanto ao assunto, pois está havendo cautela sobre a posição do governo haitiano diante da atuação chinesa em seu território.

Atualmente, o governo de Formosa está encaminhando mais ajuda e representantes, pois o seu embaixador no Haiti, Hsu Mien-sheng, foi uma das vítimas dos tremores. Na última semana, no dia 22 de janeiro, o governo norte-americano autorizou um avião militar de Formosa fazer uma escala nos EUA.

Foi a primeira vez, desde 1979, que um avião militar taiwanês, carregado de suprimentos para o haitianos, transitou por território norte-americano. Segundo o atual presidente taiwanês, Ma Ying-jeou, está em estudo o “perdão” das dívidas do Haiti, ou pelo menos à sua redução.

Por sua vez, a China está enviando equipes médicas, de resgate, a cruz vermelha chinesa e oficiais de polícia para atuar na segurança pública, sem medir esforços para o auxílio, mesmo que não mantenha relações diplomáticas com os haitianos.

Começou com 16 pessoas formando uma equipe emergencial. Depois foram enviados mais 50 membros da cruz vermelha e mais 40 pessoas estão partindo para o Haiti, sendo 30 profissionais da área da saúde e 10 responsáveis pela logística e tradução do chinês para o idioma local.

Existem, hoje, 125 membros da polícia chinesa no país, auxiliando na segurança pública. Junto com a última equipe médica que está a caminho irão mais quatro agentes policiais. Além de grupos humanos, também encaminhou suprimentos e materiais para as equipes médicas.

A parte continental chinesa e as zonas de administração especial da China (Hong Kong e Macau) contribuíram com doações durante uma festa de arrecadação de fundos para o Haiti, patrocinada pelo Conselho de Administração da Fundação da Indústria do Entretenimento, que foi ao ar no dia 22 de janeiro em seis emissoras de TV, incluindo a “National Broadcasting Corporation” (NBC) e a “American Broadcasting Company” (ABC).

Acreditamos que o povo do Haiti, sob a liderança do seu governo, conseguirá ultrapassar as dificuldades e reconstruir depressa as suas casas com a ajuda da comunidade internacional”, disse a porta-voz do MNE (Ministério dos Negócios Estrangeiros) chinês, Jiang Yu.

A experiência dos asiáticos será fundamental para a reconstrução que precisa ser realizada, graças à experiência desses países que desenvolveram tecnologia para enfrentar catástrofes, bem como procedimentos para a diminuição das perdas.

Os sofisticados mecanismos anti-sismos desenvolvidos pelo Japão e por Formosa, por exemplo, poderão fazer a diferença não só na reconstrução haitiana, como também no período posterior, ajudando os haitianos com conhecimento e treinamento de agentes locais a lidarem com esse tipo de situação e ajudando na criação de uma agência especializada para prever futuros tremores.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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